sábado, 31 de dezembro de 2011

A última postagem de 2011

por Cleiton Heredia


Bem, meus amigos, 2011 está nas suas últimas horas e antes de deixar a última mensagem deste ano neste blog, eu quero lhes dar uma satisfação sobre a postagem anterior: Dando uma chance para o Teísmo.

Eu irei resumir em duas palavras tudo o que li naquele site que se propõe quebrar o encanto do ateísmo: DECEPÇÃO TOTAL.

Decepção não com o teísmo em si, mas com a forma de argumentar do editor, cujo codenome é "Snowball". O caro é prolixo, chato e com um tipo de racionalização que pouco convence aqueles que sinceramente buscam por explicações que realmente façam algum sentido. A impressão que tive lendo seus argumentos é que ele está muito mais preocupado em sair por cima no debate do que analisar com sinceridade e humildade os temas ali propostos.

E por isto, eu não irei perder o meu tempo tentando resumir aquelas argumentações confusas e até um tanto quanto forçadas, escrita por alguém que se acha o dono da verdade. Quem quiser, que vá até o site Quebrando o encanto do Neo-ateísmo, leia por si mesmo e tire suas próprias conclusões. O site tem algumas coisas interessantes, mas será preciso "garimpar" bastante.

Agora vamos a última mensagem que quero lhes deixar em 2011:



Em 2012 a busca pela verdade continuará, pois a verdade não teme a investigação.

Um Feliz 2012!

Talvez você também goste de ler isto: Ponto de vista - Tudo é uma questão de perspectiva

sábado, 12 de novembro de 2011

Dando uma nova chance para o Teísmo

por Cleiton Heredia


Dentro de minha proposta da busca pela verdade jamais fechando as portas para novas as perspectivas do conhecimento, eu decidi dar uma nova chance para as proposições teístas.

O que me atraiu no agnosticismo e no ateísmo foram os argumentos lógicos, sensatos e muito racionais expostos pelos defensores destes segmentos (a argumentação falha e simplória dos teístas também ajudou). Porém, recentemente encontrei um site que se propõe quebrar o encanto do neo-ateísmo e decidi analisar os argumentos ali apresentados para ver se realmente estou "enfeitiçado" pelo ateísmo e quem sabe experimentar a quebra deste tal "encantamento".

Será?

Bem, eu irei aqui, a medida do possível, apresentar um resumo das coisas interessantes que encontrei por lá e apresentar minhas impressões favoráveis ou contrárias.

Só que antes, eu gostaria de deixar bem claro que não passo por nenhuma crise de consciência, nem tive um sonho ou visão divina me dizendo para fazer isto, muito menos estou com medo de um suposto castigo futuro ou procurando me confortar com a ideia de uma recompensa eterna.

Ah! Eu também não estou em busca de um sentido para a vida!

Atualmente eu não sinto mais a necessidade de crer em algo sobrenatural para que a minha vida possa fazer algum sentido, pois aprendi a encontrar sentido para ela nas coisas naturais e simples que me são bem reais, tais como a família, o trabalho, as amizades, o estudo, a natureza, a virtude e uma consciência tranquila.

Os leitores deste blog que quiserem me acompanhar nesta nova jornada em busca da verdade estão desde já convidados.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

"Eu não sou um bolo de cenoura!"

por Cleiton Heredia


Um dia destes um amigo virtual cristão me perguntou de onde veio toda a matéria existente no universo. É claro que ele não perguntou como quem quer saber, mas como alguém que acha que já sabe a resposta: "O Deus Criador". Como eu não compartilho destas respostas simplistas, simplesmente lhe respondi que o fato de eu não saber a resposta, não significa que sou obrigado a aceitar qualquer solução sobrenatural só para eu poder dizer que tenho todas as respostas.

Bem, isto foi o suficiente para iniciar um debate que já se estende por vários dias.

Sua primeira reação foi recorrer ao "manjado" argumento do teólogo inglês William Paley, conhecido como "A Analogia do Relojoeiro", porém de forma adaptada (acho que para facilitar o meu entendimento). Ele contou-me a seguinte história por ele intitulada como "A existência do bolo de cenoura sem um cozinheiro":

"Um caminhão que abastece mercadinhos bate em uma casa, e desse caminhão sai 1/2 xícara de óleo, 3 cenouras raladas, 4 ovos, 2 xícaras de açúcar, 2 xícaras e meia de farinha de trigo e 1 colher de fermento. Esses ingredientes por coincidência caem dentro de uma forma, uma pedra abre o forno e outra abre o gás, uma faísca acende o fogo e a forma cai dentro do forno. O forro da casa, meio em ruína com a batida, fica meio querendo cair, mas demora uns 40 minutos e finalmente cai. A parte do forro que caiu desligou o forno, e de repente o dono da casa chega assustado com o acidente, mas não se surpreende com a coincidência que uma explosão acaba de ter criado um perfeito bolo de cenoura".

Na sequência ele me interroga se é possível isso acontecer, e já emenda a sua conclusão: "Um bolo de cenouras tem 6 ingredientes, mas o ser humano possui milhares de genes, ou seja, um ser humano é muito mais complexo do que um simples bolo". Em outras palavras, sem um criador é impossível existir algo tão complexo como o ser humano.

Eu procurei mostrar para meu amigo que achava muito contraditório ele exigir um criador para o fato de existir uma máquina humana tão complexa, mas se recusar usar o mesmo raciocínio para a sua divindade criadora que é infinitamente mais complexa que qualquer ser humano (deus onipotente, onisciente, onipresente, invisível, perfeito e ainda por cima três em um). Os teístas reclamam dos ateus de serem arbitrários ao defenderem um universo sem criador, mas não percebem que a defesa de um criador não-criado é uma ideia tão arbitrária quanto.

Richard Dawkins em sua obra "O Relojoeiro Cego" já refutou de forma brilhante esta ultrapassada argumentação criacionista. Dawkins apresenta neste seu livro argumentos para a teoria da evolução através da seleção natural, contrastando a diferença entre o projeto humano, com seu potencial para planejar, e o trabalho da seleção natural. Ele afirma:

"Explicar a origem do mecanismo DNA/proteína invocando um Projetista sobrenatural é não explicar precisamente nada, já que isso deixa inexplicada a origem do Projetista. Você tem que dizer algo como 'Deus sempre existiu', e se você se permitir esse tipo de saída preguiçosa, poderia igualmente apenas dizer 'o DNA sempre existiu', ou 'a Vida sempre existiu', e ficar satisfeito com isso" - Richard Dawkins.

sábado, 22 de outubro de 2011

Mentiras que os Religiosos contam por aí - 4ª Parte

por Cleiton Heredia


Os cristãos gostam muito das frases abaixo, pois as utilizam como uma ferramenta de manipulação e pressão psicológica. É como que através delas eles estivessem dizendo: "Veja o que vai acontecer com você se começar a duvidar de Deus! Você vai acabar igualzinho a estes ateus!" (na verdade eles torcem para que isto aconteça):

DAVID HUME, o ateu gritou: "Estou nas chamas!"

Jamais duvide da existência de um Deus amoroso que pode te queimar depois desta vida. O único probleminha é que não existe nenhuma evidência séria de que David Hume disse isso.

LÊNIN morreu em confusão mental pedindo perdão de seus pecados para as mesas e as cadeiras.

Este texto é perfeito para se usar com o Salmos 14:1 - "Diz o louco no seu coração: Não há Deus". Lênin foi mais um que morreu de sífilis, cujo estágio final é a confusão mental, mas não existe nada que comprove que ele saiu pedindo perdão para a mobília de sua casa.

Agora, mais engraçado ainda é quando além de inventar a frase, os religiosos inventam uma pessoa para dizê-la:

SINOWYEW, o presidente da Internacional Comunista, que foi fuzilado por Stálin: "Ouve Israel, o Senhor nosso Deus é o único Deus".

Brincadeira! Não existe qualquer registro deste camarada, a não ser em sites religiosos.

YAROSLAWSKI, presidente do Movimento Internacional dos Ateus: "Por favor, queimem todos os meus livros. Vejam o santo Ele espera por mim".

Mais um personagem tão fictício quanto à frase que colocaram na boca dele. A propósito, não existe uma entidade denominada "Movimento Internacional dos Ateus".

Pelo amor de Deus, quanta bobagem!!!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mentiras que os Religiosos contam por aí - 3ª Parte

por Cleiton Heredia


MENTIRA Nº 3 - NAPOLEÃO

"O imperador morre solitário e abandonado. Sua luta de morte é terrível"

Os sites religiosos (basicamente cristãos) trazem esta informação como uma declaração de um suposto médico particular de Napoleão que testemunhou os seus momentos finais. Nenhum deles menciona o nome do médico ou a fonte documental de tal afirmação, mesmo porque nada pode ser encontrado em qualquer uma das biografias oficiais de Napoleão.

Como a mentira acima normalmente aparece junto com outras declarações ou testemunhos fictícios sobre ateus em seu leio de morte, o leitor desapercebido é levado a concluir que Napoleão teve uma morte miseravelmente triste devido ao fato de ter sido mais um desaforado ateu. Mas a verdade é que Napoleão jamais se declarou ateu. Apesar da sua conhecida aversão à hegemonia da Igreja Católica nos assuntos políticos, ele chegou a declarar certa ocasião que "uma sociedade sem religião é como um navio sem bússola". Ele também reconhecia o caráter controlador da religião sobre as massas, pois afirmou: "A religião é o que impede o pobre de matar o rico".

Mesmo que a declaração acima fosse comprovadamente legítima, existiria ainda a possibilidade de a interpretarmos como consequência das derrotas que Napoleão obteve nos últimos anos, principalmente na Batalha de Waterloo e o seu exílio em Santa Helena, antes de conjecturarmos ser uma consequência de uma vida sem Deus.

Continua...

sábado, 15 de outubro de 2011

Mentiras que os Religiosos contam por aí - 2ª Parte

por Cleiton Heredia


MENTIRA Nº 2 - NIETZSCHE

"Se realmente existe um Deus Vivo, sou o mais miserável dos homens"

Os religiosos gostam de "descer a lenha" em Nietzsche porque ele fez aquela famosa declaração: "Deus está morto". Porém, são poucos os intelectualmente honestos que colocam esta frase dentro do contexto correto, ou seja, de que ele estava falando da religião como era conhecida na sua época.

Quanto à frase em questão, se você fizer uma pesquisa no Google verá que ela só aparece basicamente em dois grupos de sites: em sites de religiosos e em sites de céticos, agnósticos ou ateus. O primeiro grupo simplesmente reproduzindo a frase sem qualquer preocupação de indicar uma única fonte confiável, e o segundo grupo justamente questionando o primeiro com a pergunta: "Mas de onde vocês tiraram isto?"

Até hoje não apareceu sequer um único cristão para indicar uma fonte bibliográfica, quer seja nas biografias oficiais ou em outro documento qualquer, que abalizasse esta frase como inquestionavelmente verdadeira e legítima.

Tudo o que se sabe é que Nietzsche morreu devido a uma paralisia progressiva ocasionada pela sífilis (doença incurável naquela época). Mas antes que alguns religiosos se apressem em dizer que a doença foi castigo divino, seria bom lembrar que ela também atinge os crentes em Deus, tais como os Papas Júlio II e Alexandre VI (como conseguiram contrair esta doença sendo celibatários é mais um mistério da fé).

E as mentiras vão continuar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Mentiras que os Religiosos contam por aí - 1ª Parte

por Cleiton Heredia


A maioria dos religiosos que conheço não possui um compromisso sério e responsável com a verdade. O que eles possuem é um compromisso unilateral e exclusivista com a SUA verdade, ou seja, com aquilo que julgam e querem que seja a verdade.

Eles não conseguem enxergar o quão bitolada é esta postura, pois passam a vida toda lendo apenas os livros que coadunam com o seu ponto de vista, ouvindo ensinamentos somente daqueles que partilham das mesmas "verdades", reunindo-se em comunidades onde todos pensam igual, e o que é pior, exercendo um enorme preconceito contra outras fontes de conhecimento que divergem de seu ponto de vista, bem como demonizando a qualquer um que ouse pensar fora da caixinha de porcelana onde eles estão inseridos.

Com uma cabeça assim, não é de se estranhar que divulguem e perpetuem certas mentiras como se fossem verdades inquestionáveis. Vejamos algumas delas:


MENTIRA Nº 1 - VOLTAIRE

"Voltaire, o famoso zombador, teve um fim terrível. Sua enfermeira conta: 'Por todo o dinheiro da Europa, não quero mais ver um incrédulo morrer!' Durante toda a noite ele gritou por perdão."

Para início de conversa, Voltaire não era um ateu, mas sim um deísta, tal como Albert Einstein. As pessoas confundem o fato de ele ter criticado em seus escritos a igreja católica e alguns aspectos da religião, achando que por causa disto ele não passava de um completo descrente em Deus.

Como um filósofo iluminista, ele defendeu durante toda a sua vida as liberdades civis e religiosas, opondo-se ao cabresto intelectual imposto pela religião com seus dogmas de fé. Porém, Voltaire acreditava em Deus à sua maneira. A famosa frase: "Se Deus não existisse teria de ser inventado", conforme o Dicionário Filosófico, é de sua autoria.

Entre outras lendas sobre as palavras que teria dito em seu leito de morte conta-se a estória de que um padre e um missionário protestante estavam presentes e Voltaire então, após pedir para que ambos se pusessem um de cada lado, disse: "Agora sim, posso morrer como Jesus, entre dois ladrões". (Amazing!!!)

Outra historinha cômica é aquela de que um padre estava ao seu lado tentando convertê-lo no momento de sua morte, quando ele se vira e diz: "meu caro, lamento, mas não é hora de fazermos novos amigos". (A outra foi melhor!)

Bem, mas o fato é que não existe a tal citação da suposta enfermeira em qualquer biografia oficial de Voltaire. Isso só existe em livros, sites e na cabeça de religiosos tacanhos. Tudo que se sabe é que Voltaire morreu aos 83 anos de idade e provavelmente dizendo: "Pelo amor de Deus, deixem-me morrer em paz!".

Na próxima postagem mais mentiras que os religiosos contam por aí.

sábado, 8 de outubro de 2011

Entrando dentro do terreno do "inimigo" para desafiá-lo


A edição deste mês da revista Haunted (já nas bancas do Reino Unido) inclui uma chamada de três páginas da JREF (James Randi Educational Foundation) e seu desafio de Um Milhão de dólares, entrevistando o MDC Diretor Banachek.

A edição também traz um anúncio de página inteira do JREF (veja imagem acima), desafiando os psíquicos, médiuns, videntes, clarividentes ou qualquer outro com poderes paranormais do Reino Unido para aceitar este desafio.

O mais interessante é que a "Haunted Magazine" é uma revista dedicada a propagar supostas atividades paranormais e coisas do gênero. Seus leitores são pessoas que gostam de coisas sobrenaturais e até acreditam em toda esta "papagaiada".

E aí, quem vai encarar?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Um Cristão Ateu


Introdução por Cleiton Heredia

O proselitismo religioso é algo muito praticado pelos cristãos, pois eles acreditam que são portadores de uma mensagem única cuja compreensão e resposta pessoal pode decidir o destino de toda a raça humana.

O brilhante texto a seguir, de autoria do criador e editor do site DEUSILUSÃO, é um dos muitos exemplos que temos de cristãos que nunca ousaram sair da caixinha de porcelana onde estão presos, mas que se postam arrogantemente como libertadores de um mundo em trevas, sendo que estas tais trevas são todas as filosofias religiosas que divergem daquela que eles defendem.

Se você é um cristão que acha que eu irei para o inferno ou que vou virar churrasquinho no dia do juízo final, por favor leia este texto com atenção e me responda uma pergunta muito simples:

- Que garantias irrefutáveis você tem para me apresentar de que possui a verdade e de que todos os demais que não pensam como você estão no erro?


UM CRISTÃO ATEU
por Valmidênio Barros

Eu tenho um primo evangélico que está sendo “treinado” para se tornar pastor da igreja dele. Um belo dia, ele veio aqui em casa e me fez uma pergunta bem estranha:

— E aí, Barros, já encontrou Deus?
— Eu não! Era pra eu tá procurando?

Isso levou a uma conversa já bem comum pra mim: o crente fanático querendo me vender a droga que ele usa. Daí que eu aproveitei que o interlocutor era meu primo — e muito provavelmente não iria me descer a porrada depois que eu não aceitasse a droga oferecida — e testei uma nova abordagem da discussão.

Eu disse a meu primo que iria conversar com ele sobre Deus, desde que ele concordasse em imaginar que eu também estaria sendo abordado, naquele exato momento, por um crente em Lord Brähma. Ele topou. E aí estão os melhores momentos:

— Mas por que você não acredita em Deus, Barros?
— Uai! O cara tá me fazendo lá a mesma pergunta: “Por que eu não acredito no Lord Brähma?”. E tu? Por que não acredita no Lord Brähma?
— Eu creio no único Deus verdadeiro.
— Não perguntei no que você crê. Perguntei por que você não acredita no deus do meu amigo lá do outro lado do Atlântico.
— Porque Deus é único!
— Ó, o cara disse que discorda de você.
— Não faz a menor diferença que ele discorde.
— Pois é: ele disse também que não interessa que você discorde dele. E que foi Lord Brähma o criador do universo.
— Ele pode pensar o que quiser. Deus é o criador do universo e a Bíblia é a sua revelação para a humanidade.
— Mas ele falou a mesma coisa, acredita? Que você pode pensar o que quiser, e que nada vai mudar a verdade. Que, no caso dele, é outra. E que, também, a revelação do deus dele para o povo dele é bem anterior à do seu deus para os hebreus… Que esse “para a humanidade” tá forçando a barra. Qual de vocês está certo, afinal?
— Está certo aquele que está do lado da verdade.
— Qual é a verdade? Deus criou o universo? Ou Lord Brähma criou o universo?
— A verdade está na Bíblia.
— E por que a verdade não está no Mahabharata, por exemplo?
— O que é isso?
— Mas você não sabe? Então que garantia você tem de que a verdade não está nesse texto sagrado e não no seu?
— A garantia que eu tenho é a de que Deus apenas deixou a Bíblia para ser sua forma de comunicação com o homem.
— E se num livro sagrado hindu estiver escrito que outros deuses falsos serão venerados e isso levará uma grande parte da raça humana para o Inferno de Lord Brähma? Você não estaria lascado?
— Barros, não dá pra discutir com quem rejeita a Bíblia como a palavra de Deus.
— E o crente lá da Índia tá dizendo que não dá pra discutir com quem rejeita o Mahabharata e os outros textos sagrados deles como a revelação de Brähma. Não é interessante?
— Só existe um Deus.
— Você, então, não acredita em Lord Brähma…
— Claro que não.
— E por quê?
— Porque não existe outro deus além do Deus vivo!
— Você não toparia estudar alguns textos hindus, frequentar alguns templos onde se pratique o hinduísmo, conhecer a filosofia deles, enfim, você não toparia procurar por alguma revelação de Brähma pra você?
— Não.
— Por quê?
— Não vejo razão para isso.
— Então não me peça pra procurar o seu Deus também. Porque você não vê razão para procurar Brähma, o hindu não vê razão para procurar mais outro deus além dos milhares que eles já têm, e eu não vejo razão para procurar deus nenhum.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Álcool + Volante = Fim da família de um querido amigo

por Cleiton Heredia



A lei de tolerância zero ao consumo de álcool para quem dirige não impediu que na noite do dia 17/09/2011 um querido amigo, Rafael Baltresca, tivesse a vida de sua mãe, Míriam Baltresca (58 anos), e sua irmã, Bruna (29 anos), ceifadas de forma brutal por um motorista embriagado.

Elas foram passear e comprar um livro no Shopping Villas Lobos, em frente à Marginal Pinheiros, quando, ao saírem do local, foram atingidas por um carro em alta velocidade. O motorista, Marcos Alexandre Martins, de 33 anos, foi preso em flagrante por homicídio doloso, ou seja, com intenção de matar.

No dia do enterro (18/09/11), em entrevista para uma emissora de televisão, Rafael Baltresca disse:

“Espero que o Brasil comece a pensar não apenas no após o acidente, e sim antes, como fazer para prevenir isso, porque depois que aconteceu não adianta multa, não adianta nada, minha mãe e minha irmã já não estão aqui”.

E eu acrescentaria: Pensar em prevenção está intimamente relacionado com o fim da impunidade neste país. Crimes como este precisam ser punidos com rigor exemplar. Quem conduz um veículo em alta velocidade sob efeito do álcool está assumindo a possibilidade de matar alguém e deve ser processado e condenado por crime doloso.

É certo que nada neste mundo poderá reparar o dano causado pela imprudência deste motorista irresponsável (que agora é também um assassino), mas mesmo assim nós, a sociedade, exigimos e esperamos que ele pague na justiça da forma mais exemplar possível.

Hoje, em uma entrevista que deu para a apresentadora Ana Maria Braga no programa "Mais Você" da Rede Globo, Rafael se emocionou falando da campanha que pretende iniciar:

“Eu vou começar uma campanha agora, pois a minha irmã trabalhava com a justiça, e a minha mãe era uma pessoa devota, religiosa. Tudo começa na conscientização da pessoa, o mais importante para a gente é a prevenção. Quando eu bebo, eu bebo em casa. Se sair, vou para algum bar tomar suco, porque vou dirigir. A bebida é uma droga legalizada”


Nossa sociedade precisa entender o peso da responsabilidade que recai sobre os seus ombros ao permitir que uma droga tão prejudicial como o álcool seja usada legalmente. Em outras palavras, se vivemos em uma sociedade onde o álcool é socialmente aceito, então, no mínimo, devem-se criar as leis mais rigorosas possíveis para que possamos todos conviver com esta permissividade. Todo aquele que prejudica o seu próximo sob o efeito do álcool deve ser irremediavelmente punido na proporção exata dos danos que causou, não somente para que haja justiça, mas principalmente para servir de um contínuo alerta para todos que fazem uso desta droga. Não vejo outra forma de convivermos com isto.

Ainda falando sobre sua mais nova missão de vida, Rafael Baltresca disse:

“Deus me deu um propósito de transformar, eu sempre dei aulas e palestras. Eu penso que a nossa vida tem que ter um propósito. Hoje, eu descobri, o grande propósito da minha vida é mudar as pessoas, por isso, daqui para a frente eu vou conscientizar que álcool e direção não combinam”

A entrevista termina com um apelo dramático e emocionado deste jovem que acabara de perder as duas pessoas mais importantes de sua vida (seu pai já havia falecido em 2007):

“Se a gente bobear, daqui a um mês este caso vai acabar no esquecimento, como tantos e tantos. A minha irmã não era advogada à toa, a minha mãe não foi o que foi à toa, elas quiseram passar uma mensagem. Antigamente, isso era algo longe, que estava na TV. Hoje, isso aconteceu comigo, na minha família. A minha família foi destruída, foi desmoronada, então, me ajudem a fazer justiça. Este é um exemplo para o Brasil e para o mundo.”

Quantos queridos mais teremos que perder para as pessoas finalmente se conscientizarem que álcool e volante é uma combinação potencialmente mortal?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

11 de Setembro de 2001 e a Teoria da Conspiração

por Cleiton Heredia


A semana que se passou foi explorada pela mídia para relembrar os atentados terroristas de 10 anos atrás, mais especificamente no dia 11 de setembro de 2001, através de reportagens, filmes, documentários e manifestos que muita apreensão provocou naqueles que temiam que algo igualmente terrível poderia novamente se repetir ontem.

Juntamente com toda esta comoção provocada pela mídia, o mundo "internético" foi novamente invadido por todas aquelas intrigantes teorias conspiracionistas que transformam os eventos do dia 11 de setembro de 2001 em um provável candidato à maior farsa da história da humanidade.

Como já é de conhecimento da maioria, existem na internet inumeráveis textos e vídeos falando sobre Teorias de Conspiração relacionadas ao dia 11 de setembro. Alguns deles são bem malucos e não merecem a nossa atenção, porém alguns outros são muito bem elaborados com argumentos plausíveis e evidências perturbadoras.

Separei o vídeo que se segue, não porque é o mais convincente de todos, mas apenas porque serve como um exemplo daquilo que circula abundantemente na rede. Como o documentário possui cerca de 1 hora e 20 minutos de duração, talvez nem todos tenham tempo disponível para assisti-lo na íntegra. Sendo assim, fiz logo após um resumo dos pontos principais.

Vamos ao vídeo "911 in Plane Site - Director's Cut":



E agora um rápido resumo dos pontos principais defendidos pelos conspiracionistas:

1) O mistério do Pentágono: Analisando a destruição causada no prédio do Pentágono, bem como o vídeo do momento do impacto, estes parecem incompatíveis com o impacto de um avião 757.

2) A forma como as duas torres ruíram lembram uma implosão engenhosamente calculada, existindo inclusive testemunho em vídeo de uma sucessão de explosões tais como as que ocorrem nas implosões controladas.

3) Várias filmagens feitas de diversos ângulos do momento em que o segundo avião atinge a Torre Sul levantam questionamentos sobre o tipo de avião que a atingiu, pois o mesmo parece mais um avião militar do que um avião comercial.

4) Existe uma possível explosão que ocorre dentro do segundo avião milésimos de segundos antes dele atingir o prédio.

5) George Bush deu uma estranha declaração de que viu imagens na TV do primeiro avião batendo na Torre Norte, porém tais imagens não existem.

6) Como explicar que o mesmo avião que informaram ter caído nos arredores de Shanksville na Pensilvânia (Vôo 93 da United) parece ter aterrissado em Cleveland com uma suspeita de bomba a bordo?

7) Existem imagens de uma estranha explosão ocorrendo na base da intercessão das duas Torres do World Trade Center, logo após o segundo avião ter se chocado com a Torre Sul.

Bem, o fato é que atualmente mais de um em cada dez americanos acreditam que os ataques terroristas de 11 de setembro não passam de uma farsa engenhosamente tramada pelo governo de George Bush para justificar a intervenção militar norte-americana no Oriente Médio.

Como todas as teorias de conspiração possuem certo grau de plausibilidade, é sempre bom lembrar que para um julgamento correto há a necessidade de se ouvir os dois lados: os argumentos dos conspiracionistas e os contra-argumentos daqueles que refutam a hipótese de uma teoria de conspiração.

Caso queira conhecer os contrapontos desta teoria, você precisa ler o livro lançado nos Estados Unidos no mês passado pelos pesquisadores Anthony Summers e Robbyn Swan intitulado "The eleventh day" (O décimo-primeiro dia), fruto de um minucioso trabalho de pesquisa de mais de cinco anos onde eles refutam as teorias de conspiração (apesar de também criticarem algumas falhas da versão oficial dos fatos).

É certo que para cada um dos pontos levantados acima existe sempre uma explicação racional e lógica para explicá-los, mas segundo o psicólogo social Jovan Byford, autor do livro "Conspiracy theories" (Teorias da conspiração), "O principal problema com as teorias da conspiração é que elas são irrefutáveis". Ele explica que elas são irrefutáveis não pelo fato de não existir argumentos contrários, mas porque qualquer prova contra a teoria da conspiração pode ser interpretada por seus seguidores como parte da conspiração.

O psicólogo Dr.Byford ainda explica que o problema com os teóricos da conspiração é que eles continuam se fazendo as mesmas perguntas e nunca ficam satisfeitos com as respostas, que desmontam suas teses: "Teorias conspiratórias não são passíveis de argumentação racional, e não há nada que alguém possa fazer para mudar a mente de quem acredita nelas."

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Justin Bieber is coming!

por Cleiton Heredia


Atenção pais de adolescentes fãs de Justin Bieber: a partir da meia-noite de hoje já estamos todos em situação de ALERTA VERMELHO.

Dizem que em apenas dois minutos de vendas, todos os ingressos da Pista Premium se esgotaram. Bem, como se trata de Brasil, eu tenho cá as minhas dúvidas. Não duvido que os ingressos deste setor tenham se esgotado, mas duvido que tenham se esgotado apenas com a compra normal das fãs. Podem ter certeza que não demorará muito e surgirão os atravessadores (malditos cambistas mancomunados com os responsáveis pela vendas dos ingressos) oferecendo estes ingressos esgotados por mais de 2 mil reais.

A palhaçada começa quando se tenta comprar pela internet (Livepass) uma meia entrada. O site informa que estes já se esgotaram. Como assim? Em um show onde 90% das fãs são menores de idade e estudantes existe uma cota para as meias entradas? Isto é um absurdo típico de um país tupiniquim cheio de malandros aproveitadores. Quem quiser comprar uma meia entrada para a sua filha terá que enfrentar uma fila de 6 horas na bilheteria e ainda assim corre o risco de não conseguir.

Mas nem é isto que eu quero falar. A real preocupação de nós pais é com o insano fanatismo que parece estar contaminando a cabeça das meninas tal qual uma epidemia incontrolável. Li que no México uma adolescente havia publicado em um site de relacionamento que estava vendendo a sua virgindade por um ingresso para o show do Justin Bieber. Atitudes extremas como esta contaminam ainda mais a cabecinha fraca de algumas fãs que acabam acreditando que realmente vale tudo por Justin Bieber, até mesmo jogar a sua vida na lata do lixo.

Menos mal que este cantor é um rapazinho do bem. Ele é comportadinho, bom aluno, respeita seus pais, não se enche de tatuagens e piercings, não é promíscuo, não bebe, não fuma e nem se droga. Acredite, o nosso inferno poderia ser ainda pior. Mas o estranho é perceber que as fãs mais fanáticas de Justin Bieber não se tocam que o seu descontrole e piração por um ídolo acabam negando todo o bom exemplo que este ídolo quer transmitir (o próprio Justin Bieber, ao ficar sabendo da fã que queria vender a virgindade, mandou um recado para elas se valorizarem mais).

Acho normal os adolescentes terem seus ídolos, pois nesta fase da vida a admiração ou inspiração por algo é traço característico. Mas porque surtar? Porque fazer coisas ridículas e absurdas? Porque achar que a vida não faz mais sentido sem o dito cujo?

Os psicólogos explicam que na realidade o adolescente busca encontrar uma referência exterior à família na qual possa se espelhar. Ele tem a necessidade de pertencer a um grupo de iguais, de possuir uma identidade social. O ídolo, no caso, é apenas uma forma deles sentirem-se inseridos dentro de um contexto onde partilham de uma mesma paixão. Hobistas, colecionadores, apreciadores de uma determinada arte e religiosos fazem isto. Isto é normal e saudável.

Porém, quando a paixão se torna a única motivação para se viver, a vida se desequilibra e a pessoa começa viver um mundo irreal onde tudo gira em torno de seu ídolo. É o fanatismo doentio! Segundo a psicóloga, Claudia Alonso, o fanatismo age de forma que você à primeira vista não percebe. Apenas com o olhar atencioso de familiares e educadores uma situação assim pode ser detectada.

Os principais sintomas são: diminuição do rendimento escolar, insônia (passa madrugada na internet vasculhando vida do ídolo), deixa de realizar atividades antes prazerosas, isolamento social (só consegue se relacionar com pessoas que possuem a mesma paixão), agressividade (se envolve em brigas por causa do ídolo), e profunda depressão quando não consegue fazer as mesmas coisas que as outras fãs conseguiram (comprar um CD ou ir a um show).

clique na ilustração para ampliá-la


Solução?

Bem, os pais devem acompanhar de perto seu(sua) filho(a) para saber em que momento uma admiração saudável pode se tornar em uma psicopatia. Conversas amigáveis (sem aquele tom de sermão ditatorial) contando das bobeiras que também já fizeram quando adolescente podem ajudá-los a ver de forma mais racional aquele momento que estão vivenciando. Incentivo à leitura ajuda a ampliar os horizontes e incentivo a prática esportiva ajuda a desviar o foco. Aceitação e amor podem lhes dar a segurança de que precisam para enfrentar a vida real onde os ídolos, apesar de muitas vezes intangíveis, são simples seres mortais de carne e osso.

Concluo com a recomendação da psicóloga Susan Bartell: "Escute apenas 20 minutos de Justin Bieber por dia. Depois disso, você precisa ter certeza que estará pelo resto do dia fazendo outras coisas. Nunca é bom ficar fanático a nível de nada. Tudo bem amar um cantor, é normal ter fotos dele em sua casa, mas você deve ter como herói na vida, alguém que pode retribuir seu amor."

domingo, 21 de agosto de 2011

A Árvore da Vida - Um filme que não é para entender, mas para sentir

por Cleiton Heredia


Ao entrar ontem no cinema com minha esposa para assistir a um filme com Brad Pitt e Sean Penn, eu jamais poderia imaginar que passaria por uma experiência cinematográfica tão intensa, diferente, introspectiva e intrigante.

Confesso que nos primeiros trinta minutos do filme eu pensei seriamente em me levantar e ir para a sala onde estava passando o filme "Lanterna Verde" ou "Capitão América" (para vocês verem o meu desespero, pois não gosto nenhum pouco deste filmes fantasiosos de super heróis). Vi vários jovens fazendo isto. Mas minha mente extremamente racional e questionadora não me deixou. De certa forma eu me sentia desafiado a continuar ali para tentar entender o que era tudo aquilo.

O mais interessante é que quando eu finalmente achei que estava entendendo o filme, ele dá uma guinada e me obriga a repensar na lógica de todo aquele conjunto de imagens, narrativas e diálogos. Foi então que eu finalmente desisti de continuar assistindo a aquele filme com os olhos da razão, e passei simplesmente a contemplá-lo com o coração. Somente neste momento é que o filme começou a fazer sentido para mim.

Muitas cenas do cotidiano familiar me transportaram para o passado de minha própria experiência familiar com minha esposa e meus filhos. Durante o filme, não foram poucas as vezes que eu e minha esposa trocamos comentários sobre lembranças de momentos vividos com nossos filhos. Entre as muitas lembranças nos sentíamos como viajando em uma montanha russa de emoções onde a alegria e a tristeza iam simplesmente se sucedendo sem aviso prévio.

Não irei me atrever em fazer uma sinopse ou dar a minha interpretação do filme, não somente pela complexidade da obra, mas porque entendo que este é o tipo de filme que cada um verá e entenderá de forma distinta.

Sendo assim, aqui está o trailer, porém ele nem de longe mostra o que é este filme:


Recomendo! Algumas sequências de imagens e a trilha sonora (37 grandes obras clássicas) já fará valer o seu ingresso.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O Deus dos Espíritas e a Sua Lei de Causa e Efeito

por Cleiton Heredia


Assistindo ao filme "Nosso Lar" chamou-me a atenção o quanto a doutrina espírita (conforme apresentada no filme) está baseada na retribuição e no merecimento pessoal. Os espíritas chamam isto da lei da Causalidade ou Lei de Causa e Efeito.

No início do filme vemos o personagem principal André Luiz vagando pelo Umbral (uma espécie de purgatório) pelo fato de não ter sido bom o suficientemente para ir direto para o céu (ou para uma das colônias espirituais). Enquanto ele caminhava por entre os espíritos que ali sofriam, chamou-me a atenção um grupo de negros açoitando violentamente uma pessoa que não dá para ver muito bem. Como é ali que as pessoas "pagam" por aquilo que fizeram de ruim no mundo físico, eu imaginei que a pessoa açoitada fosse algum capataz que havia açoitado a muitos negros em sua vida terrena, e então naquele momento estava recebendo o seu devido e merecido castigo. O próprio André Luiz precisou beber lama e comer mato para "compensar" sua vida desfrutada egoisticamente com extravagância e luxúria.


Esta é a tal Lei de Causa e Efeito: Tudo que se faz de bom ou ruim receberá a devida recompensa ou castigo, senão nesta vida, na vida após a morte.

No que diz respeito a esta vida (o mundo físico), não tenho a menor intenção de contestar esta lei, pois sei que ela é uma realidade comprovada e funciona muito bem. Porém, no aspecto moral ela não é infalível, haja vista que existem pessoas que fazem o mal e conseguem se sair bem. É aí então que entram as religiões com a crença de que existirá um momento após esta vida onde tudo será devidamente corrigido, ajustado e acertado.

"A justiça precisa ser feita!" - diz a lógica humana. Portanto, caso nesta vida esta lógica falhe, o ser humano recorre à justiça divina como uma forma de suportar uma vida onde às vezes as coisas parecem não fazer muito sentido (as tais injustiças).

Eis um dos diferenciais importantes que torna a doutrina espírita tão atraente para a mente humana. Não é somente a crença na vida após a morte, porque isto todas as religiões prometem de alguma forma. O grande apelo está na "justa" retribuição meritória capaz de satisfazer a lógica humana: se alguém faz o mal ou o bem receberá inevitavelmente todo este mal ou este bem de volta.

O Deus dos espíritas com sua lei de causa e efeito não me surpreende nenhum pouco, pois pensa exatamente do mesmo jeito que pensa o mais primitivos dos seres humanos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Minha crítica ao filme "Nosso Lar"

por Cleiton Heredia


Assisti neste final de semana ao filme "Nosso Lar" inspirado na obra psicografada do médium brasileiro Chico Xavier. Esperei passar na TV a cabo porque tinha uma impressão de que jogaria meu dinheiro fora caso fosse assisti-lo no cinema. Meus pressentimentos estavam corretos!

Apesar do filme ser, até o momento, a mais cara produção cinematográfica da história do cinema nacional (cerca de 20 milhões), eu achei que o filme deixou muito a desejar pelo roteiro monótono, narração repetitiva e diálogos excessivamente explicativos em tons de sermão.

O ponto alto do filme foi, em minha opinião, os cenários digitalizados pela empresa canadense Intelligent Creatures que procuram retratar a Colônia Espiritual, tal como foi concebida em desenhos e ilustrações mediúnicas. As tomadas aéreas são muito bem feitas e ricas em detalhes, porém o mesmo não se pode dizer dos takes internos.


A trilha sonora também decepcionou, mas só decepcionou porque eu esperava bem mais do grande nome por trás dela: Philip Glass, o mesmo que compôs a bela trilha sonora do filme "O Ilusionista". Sou fã das músicas dele, mas acho que ele não deveria estar nos seus melhores dias. A fotografia contou com o trabalho do suíço Ueli Steiger que imprimiu à obra um tom bem parecido a aquele que costumamos ver nas ilustrações de literatura religiosa (tipo aquelas da Torre de Vigia da Assembléia de Deus).

Está mais do que óbvio que o filme tem o claro propósito de disseminar a doutrina espírita, mas no meu caso "o tiro saiu pela culatra". Eu nunca havia lido o livro "Nosso Lar", mas já conhecia a doutrina espírita o suficiente para considerá-la fantasiosa demais para mim. Porém, após ver este filme com todos aqueles detalhes da vida após a morte, eu mudei meu conceito de fantasioso para absurdo. Até mesmo minha filha, com apenas 13 anos, elencou uma série de contradições enquanto assistia ao filme do meu lado.

Espero que meus amigos espíritas não se ofendam comigo, pois expresso aqui apenas meu ponto de vista assim como faria com qualquer outra doutrina religiosa. Entendo que aceitar como verdade aquilo que o filme mostrou é um ato de fé, assim como aceitar que Deus é um e três ao mesmo tempo ou acreditar que um dia Jesus vai voltar. Religião depende de fé, mas eu confesso que não tenho fé suficiente para ser um espírita e acreditar em coisas daquele tipo.

Segue abaixo o trailer:

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O Herético!


"Fundamentalistas dão um toque de arrogante intolerância e rígida indiferença para com aqueles que não compartilham suas visões de mundo." - Umberto Eco

O vídeo abaixo é uma sátira que mostra com humor esta grande verdade:


"Todas as religiões são a verdade sagrada para quem tem a fé, mas não passam de fantasia para os fiéis das outras religiões." - Issac Asimov.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Era uma vez um agnóstico... (Conclusão)

por Cleiton Heredia


Acho que você já percebeu que esta história pode ir longe, pois quanto mais avançamos na tentativa de definirmos uma divindade, mais o leque de opções se abre:

- Cristianismo católico ou cristianismo protestante?
- Protestantismo tradicional ou pentecostal?
- Batista, Metodista ou Adventista?
- Adventista do 7º Dia ou Adventista da Reforma?
- Adventista do 7º Dia trinitariano ou Adventista do 7º dia não-trinitariano?

Complicado não é mesmo?

Mas tudo isto por quê? Porque para as pessoas que acreditam em Deus, não basta querer acreditar em Deus, mas é também necessário escolher e declarar precisamente o tipo de Deus em que se acredita!

E o que é ainda pior! A especificidade de uma divindade não termina quando se chega na última ramificação religiosa possível, pois a concepção pessoal que cada um faz do seu Deus pode conter detalhes que extrapola os conceitos básicos definidos na teologia de cada segmento religioso. Ou seja, mesmo dentro de uma mesma religião podem existir algumas sutis diferenças individuais na forma como cada um vê o seu Deus.

Particularmente, não vejo nenhum problema no fato de existir um Deus diferente em cada cabeça, desde que ele fique por ali mesmo. Muitos conflitos e sofrimento seriam evitados se o ser humano parasse de tentar colocar o Deus que está na sua cabeça, dentro da cabeça do outro.

Você acredita em Deus? Que ótimo! Então seja feliz com o seu Deus, mas permita que o seu próximo também seja feliz com o dele.

PS.: Esqueci de dizer, mas os ateu são também muito felizes sem deus algum.

sábado, 13 de agosto de 2011

Era uma vez um agnóstico... (Parte 3)

por Cleiton Heredia


Enquanto apreciava o pôr do sol de um bonito final de tarde de inverno, o agnóstico refletia sobre tudo que lhe havia acontecido naqueles últimos dias, principalmente na necessidade que construíram em cima de sua recente mudança: agnóstico ateísta para agnóstico teísta.

Se recapitularmos o início desta história, nós veremos que a mudança do nosso agnóstico foi mais uma estratégia para evitar todo o preconceito e distanciamento que sentia das pessoas, do que propriamente uma decisão fundamentada em algum tipo de argumento lógico ou de evidência factual. Acreditar ou não acreditar era uma opção pessoal que em nada alterava o seu agnosticismo, porém poderia fazer uma grande diferença na forma como as pessoas passariam a vê-lo. Pelo menos esta era sua esperança.

Ele então ponderou consigo mesmo:

"Se eu tivesse que escolher uma divindade específica entre os milhares que existem, qual deveria ser a escolha mais lógica e racional? Bem, eu nasci em uma parte do mundo onde a religião predominante é a monoteísta, portanto não faria muito sentido proceder a uma escolha por entre as divindades de religiões politeístas. Mesmo porque não me sentiria nenhum pouco confortável tendo que admitir como possibilidades de escolha: Zeus, o deus da mitologia grega; Thor, o deus da mitologia nórdica; ou o Grande Juju da Montanha, o deus de algumas tribos da África Central".

Ele continuou:

"Como eu nasci em um país predominantemente cristão, acho que seria muito sensato escolher a divindade cristã. Nada contra a divindade dos judeus ou dos mulçumanos, mas porque complicar as coisas se eu posso simplificar?"

O agnóstico chega então a uma conclusão:

"A escolha mais sensata no meu caso seria escolher o Deus dos cristãos!"

Ele imediatamente liga de seu celular para o amigo que havia lhe dito que de sua escolha dependeria o seu futuro eterno e anuncia todo faceiro:

- "Como você me disse que não basta acreditar em Deus, mas é preciso definir qual Deus em que se acredita, eu farei minha escolha pelo Deus dos cristãos!"

Do outro lado da linha veio uma pergunta que caiu como um balde de água gelada na sua cabeça:

- "Mas de qual segmento do cristianismo estamos falando?"

- "Hã?!? Como assim? Eu preciso ser ainda mais específico do que isto?" - perguntou o agnóstico surpreso.

A resposta do seu amigo foi curta e grossa:

- "Claro que sim! O erro se infiltrou no cristianismo e hoje os vários segmentos cristãos adoram divindades com características bem diferentes umas das outras, porém um só segmento adora o verdadeiro Deus".

O agnóstico desligou o telefone com a nítida impressão que as coisas pareciam estar se complicando cada vez mais para o seu lado.

Continua...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Era uma vez um agnóstico... (Parte 2)

por Cleiton Heredia


O Agnóstico, após aquele encontro, começou a ponderar a possibilidade da escolha de um Deus e resolveu partilhar suas considerações com um amigo do trabalho.

Este amigo ouviu atentamente ao agnóstico e então disse:

"Eu não acho que você precise escolher por um Deus específico. As divindades que existem foram formatadas pelas diversas culturas existentes, de forma que cada um idealizou para si um tipo de Deus que melhor correspondesse a sua visão particular do mundo. As religiões acabam limitando a Deus, mas Deus é tudo e está em todos. Faça como eu, tenha uma espiritualidade independente das religiões. Eu creio em Deus, mas não me preocupo em querer defini-lo como um Deus assim ou assado".

O agnóstico pensou um pouco e então perguntou: "Você ora ou reza para o seu Deus?"

- "Sim, claro! Converso com ele todos os dias", respondeu o amigo.

O agnóstico continuou perguntando:

- "Bem, então o seu Deus é uma divindade pessoal que não somente sabe que você existe, mas que também pode ouvir as suas preces?"

- "Sim, é lógico!", respondeu novamente o amigo.

O agnóstico continuou fazendo várias outras perguntas e ouviu após cada uma delas uma rápida e segura resposta afirmativa:

- "Seu Deus é eterno e todo poderoso?"
- "Sim, se não ele não seria Deus."

- "Seu Deus é um ser justo, compassivo e amoroso?"
- "Sim, é mais que natural que seja."

- "Seu Deus é o criador e mantenedor da vida?"
- "Sim, ele é o grande projetista e arquiteto de tudo aquilo que existe."

- "Seu Deus realiza milagres?"
- "Sim, não tenho dúvidas disso."

- "Seu Deus tem algum tipo de solução para a morte?"
- "Sim, a morte não é o fim!"


O agnóstico parou por alguns segundos, respirou profundamente e olhando bem nos olhos de seu amigo, disse:

- "Você me desculpe, mas eu não vejo a menor diferença do que você fez e os povos com as suas religiões fizeram. Você idealizou para si um Deus que melhor correspondesse a sua visão particular do mundo, e assim fazendo acabou estabelecendo a sua própria religião individual. Você se diz possuidor de uma espiritualidade que independe das religiões, mas não percebeu que assim fazendo acabou confeccionando a sua própria religião personalíssima".

Estendendo a mão como querendo se despedir, o agnóstico arremata:

- "Não me leve a mal, mas este tipo de Deus não me interessa! Se for para eu mesmo ter que formatar o meu próprio Deus para atender as minhas necessidades individuais e específicas, acho que seria mais sensato voltar a ser um ateu. Se Deus é aquilo que eu quero que ele seja, então temos um Deus diferente em cada cabeça, e isto não faz sentido. Não vejo a menor lógica em ter que inventar mais um Deus para mim, quando na verdade já existem tantos outros disponíveis aí para escolher."

Conversa encerrada, o agnóstico segue o seu caminho com a certeza de que caso ele não escolhesse um Deus, com certeza acabaria criando um só para si como muitos fazem. E isto ele não queria!

A história do agnóstico continua amanhã.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Era uma vez um agnóstico... (Parte 1)

por Cleiton Heredia


Era uma vez um agnóstico ateu que se sentia muito solitário por causa de todo o preconceito que o seu ateísmo gerava. Um dia, já cansado de ser tratado com indiferença e de ser julgado como uma pessoa de má índole, ele resolve adotar a linha filosófica de um agnóstico teísta, entendendo que isto não violaria sua sinceridade intelectual, uma vez que a diferença entre os dois segmentos resume-se em uma simples ação subjetiva de querer ou não acreditar.

Mal havia ele feito sua mudança quando foi abordado por um amigo religioso que lhe fez o seguinte questionamento: - "Em qual Deus você passou a acreditar?"

- "Como assim?" - perguntou o agnóstico já com medo daquele tipo de conversa.

O amigo então passou a explicar: - "Cada segmento teísta tem o seu Deus específico. Os monoteístas, por exemplo, podem ser judeus, mulçumanos ou cristãos, e não pense você que aquela besteira popular de que Deus é um só, corresponde à realidade. O conceito de Deus defendido por cada um destes três grupos é tão radicalmente diferente que eles chegam até a matar e morrer por estas diferenças!"

Se pensarmos bem, o amigo do agnóstico até que foi bem compassivo, pois ele poderia ter complicado bem a situação mencionando as religiões politeístas, aumentando assim de três para milhares de divindades possíveis.

O agnóstico então perguntou ao seu amigo: - "Mas eu sou obrigado a fazer uma escolha?"

- "Claro que sim!" - respondeu ele com os olhos arregalados e um sorriso estranho no rosto - "É esta sua escolha que determinará onde você passará a eternidade. Se ao lado do único Deus verdadeiro ou do lado do Diabo que inventou todos os demais deuses falsos".

Eles se despediram e lá seguiu o agnóstico o seu caminho com o coração pesado e remoendo o seguinte pensamento: "Para as pessoas que acreditam em Deus, não basta querer acreditar em Deus, mas é também necessário escolher e declarar o tipo de Deus em que se acredita!"

Esta história não termina aqui. Amanhã eu continuo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A Falácia do Escocês

por Cleiton Heredia


Fico analisando a postura de alguns "amigos" diante da minha decisão no passado de abandonar a Igreja Adventista do Sétimo Dia, e acho interessante ver como a mente religiosa deles funciona.

Aqueles que acompanham este blog sabem que nasci em um lar cristão adventista, fiz faculdade de teologia e durante mais de 20 anos servi a igreja adventista ocupando diversas funções eclesiásticas, tais como: pastor auxiliar, líder jovem, evangelista, palestrante, diácono e ancião.

Considero mais que justificável que minha mudança de conceitos tenha causado surpresa e assombro naqueles que me conheceram como um dedicado e atuante membro da igreja, porém isto não justifica ser julgado como um falseador da fé cuja vida foi pautada pela mentira e pelo engano.

Mas infelizmente foi isto que aconteceu!

Refletindo sobre isto pude perceber que estes que assim me julgaram estavam apenas usando uma artimanha lógica chamada "a Falácia do Escocês", que resumidamente consiste no seguinte:

Suponha que eu afirme que nenhum escocês põe açúcar no seu mingau. Você questiona isso apontando que seu amigo escocês chamado Angus gosta de colocar açúcar no seu mingau. Eu então digo "Ah, sim, mas nenhum Escocês 'de verdade' põe açúcar no seu mingau."

Percebeu a falácia? Para forçar um argumento eu invento uma definição falaciosa. A definição correta de escocês é uma pessoa nascida em um país chamado Escócia e nada mais do que isto. Porém, com intuito de tornar a minha afirmação verdadeira e refutar o argumento de que existem pessoas nascidas na escócia que colocam açúcar no mingau, eu simplesmente redefino a palavra escocês dizendo que somente os "verdadeiros" escoceses é que não colocam açúcar no mingau.

Quando alguns "amigos" ficaram sabendo de minhas mudanças, começaram a dizer:

- "Um verdadeiro cristão convertido nunca abandonaria a fé como ele fez!"

Portanto:

- "Se ele abandonou sua fé, nunca foi um verdadeiro cristão convertido".

A conclusão inerente a este tipo de raciocínio só poderia ser:

- "Ele foi um falso cristão durante todo este tempo. Nunca se converteu de fato. Foi um hipócrita mentiroso e esteve o tempo todo nos enganando!"

Mas por que será que algumas pessoas pensam desta forma?

Bem, em primeiro lugar porque é muito mais simples do que procurar saber e entender quais foram os argumentos que me fizeram mudar de ideia. Depois, porque é uma forma de proteger as suas próprias crenças, pois como eles as consideram a essência da verdade, somente um louco ou um maquiavélico enganador poderia abandoná-las ou negá-las.

Confesso que fico um pouco chateado com tudo isto, mas no fundo o que me conforta é saber que estou em paz com a minha própria consciência. Quando fui um adventista do sétimo dia, o fui de todo o meu coração e com todas as minhas forças, procurando pregar o que vivia e viver o que pregava. E isto ainda não mudou e nem vai mudar!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Lições que o Ateísmo me Ensinou

por Cleiton Heredia


Durante o tempo em que assumi publicamente meu ateísmo agnóstico (de dezembro de 2009 até o dia de ontem) aprendi algumas coisas que quero compartilhar com você leitor deste blog:

1- Para a mentalidade religiosa o termo ateu assusta e ofende

Se você fala que é um agnóstico, os religiosos olham para a sua cara e fingem que não entenderam (se bem que alguns não entendem de verdade). Se você se declara um teísta agnóstico, o religioso acaba só ouvindo (ou entendo) a primeira palavra e desconsidera a segunda (alguns até chegam a pensar que você é um tipo de teísta mais inteligente que os demais). Agora, se você diz que é um ateu ou agnóstico ateu, é como se um alerta geral fosse dado na cabeça do religioso e a partir daquele momento você será visto como a própria encarnação do anti-Cristo na face da Terra. A palavra "ateu" ou "ateísmo" soa na mente religiosa mais assustadora e ofensiva do que as palavras pedófilo, estuprador, esquartejador, maníaco e psicopata todas juntas.

2- O preconceito dói

Como consequência desta visão deturpada que a palavra "ateu" provoca na cabeça do religioso, aquele que assim se declarou é automaticamente excluído do convívio de seus amigos e familiares crentes (até os crentes meia-boca não querem mais saber de você). Muitas vezes este afastamento não é declarado, mas sadicamente sutil e velado. Eles te encontram pelas ruas, academias e shopping centers e até te cumprimentam e conversam contigo como se nada tivesse acontecido, mas não se iluda, pois no fundo eles apenas estão querendo ver o momento que o raio cairá do céu e te fulminará por completo. Nos sites de relacionamento eles até podem ser condescendentes em te aceitar, mas será apenas para isolá-lo como um leproso em uma forma de ostracismo virtual. Alguns com o tempo te excluem da sua lista de amigos, porém a maioria não o faz por não querer perder aquele momento glorioso em que você postará a mensagem: "Estou morrendo de câncer", "minha família morreu" ou "estou na sarjeta desempregado, drogado e me prostituindo".

3- O ateísmo pode ser perigoso

Este é o aspecto que mais me preocupou enquanto um agnóstico ateu. Para as mentes mais jovens, ainda imaturas, influenciáveis e despreparadas, o ateísmo é entendido como um passaporte para o hedonismo e uma vida vazia e sem um sentido maior. Desta forma, aquele que se declara um ateu perante estes jovens, caso exerça algum tipo de influência sobre eles, pode acabar se transformando em uma influência das mais negativas e destruidoras. Veja bem, não estou dizendo que o ateísmo seja isto, mas sim que a forma deturpada como o ateísmo é visto por muitos jovens acaba sendo muito prejudicial à sua formação. Eu percebi que não adianta ser um ateu ético e moral, pois no fundo a mensagem que o ateísmo passa para os mais imaturos é de que se Deus não existe tudo é permitido e que a vida não faz sentido.

É por estes e outros motivos que a partir de ontem eu escolhi acreditar que existe algo superior a todos nós que pode dar um significado mais profundo para a vida, muito embora mantenha minha sinceridade intelectual em reconhecer que não tenho como provar isto. Mas tudo bem, porque o ateu também não tem como provar o contrário.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Chega de Ateísmo!

por Cleiton Heredia


Você sabe qual é a diferença entre o Teísmo Agnóstico e o Ateísmo Agnóstico?

A diferença é ridícula! Vejam:

Teísmo Agnóstico: é a filosofia que engloba tanto o teísmo quanto o agnosticismo. Um teísta agnóstico é alguém que assume não ter conhecimento da existência de Deus, mas ACREDITA que sim.

Ateísmo Agnóstico: é a filosofia que engloba tanto o ateísmo quanto o agnosticismo. Um ateísta agnóstico é alguém que assume não ter conhecimento da existência de Deus, e por isso NÃO ACREDITA que ele exista.

Percebeu a sutileza?

Como ambos precisam ter a sinceridade intelectual em assumir que NÃO possuem conhecimento (provas) da existência de Deus, tudo se resume essencialmente em acreditar ou não acreditar.

Espera aí! Acreditar ou não acreditar?!?

Sabe de uma coisa? A partir de hoje não mais me considero um ateu agnóstico, mas sim um teísta agnóstico.

No fim dá tudo no mesmo! Tudo que o agnóstico teísta ou ateísta possui é querer ou não acreditar. E como não vejo nenhuma precisão científica no verbo "acreditar", chega de ateísmo!

Sim, tudo não passa de uma simples questão de escolha pessoal, e eu cansei do ateísmo!

Esta é o tipo de mudança em que tudo muda e nada muda, se é que você me entende.

Dou as boas vindas em minha vida ao agnosticismo teísta ou teísmo agnosticista (dá no mesmo).

A única coisa que não muda é a minha busca sincera pela verdade, pois a verdade não teme a investigação.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Diálogo com um Cristão

por Cleiton Heredia


Estava hoje logo cedo checando alguns comentários de amigos em site de relacionamento quando me deparei com a seguinte frase escrita por um amigo pastor que conheci recentemente:

"Se você pudesse ter o paraíso, sem doenças e com todos os amigos que já teve na terra, e todas as comidas das quais gosta, e todas as atividades de lazer que aprecia, e todas as belezas naturais que contemplou, todos os prazeres físicos que já experimentou, e nenhum conflito humano ou desastre natural, se satisfaria com tudo isso, caso Cristo não estivesse nesse paraíso?"

Gostei da reflexão e registrei o seguinte comentário:

"Boa pergunta! Mas tenho outra pergunta bem parecida: "Se morrer por Cristo significasse morte eterna, quantos cristãos estariam dispostos a morrer eternamente, sem qualquer tipo de recompensa, por amor a Cristo?" Sacrifício e morte com garantia de vida eterna na sequência não me parece algo tão difícil de ser aceito pela egocêntrica lógica humana."

Na sequência um interessante diálogo se deu início com uma pessoa que irei denominar aqui como simplesmente "AMIGO CRISTÃO" (texto em vermelho):

AMIGO CRISTÃO: "Morrer por Cristo é viver eternamente!!!"

CH: "Ok Amigo Cristão, mas e se não fosse? Você morreria?"

AMIGO CRISTÃO: "Sim, pois vivo muito melhor com essa certeza!!!"

CH: "Posso estar errado, mas acho que ninguém pode responder com toda sinceridade a esta pergunta pelo simples fato de todos os cristãos terem plena certeza da vida eterna em Cristo. Dizer: 'Eu morreria eternamente por Cristo' sabendo que já tem garantida a vida eterna nunca será a mesma coisa que responder o mesmo sabendo que depois disto nenhuma esperança de recompensa existirá."

Alguns minutos depois, acrescentei:

"Eu entendo que aqueles que se apressam em dizer: 'Eu morreria por Cristo mesmo que fosse uma morte eterna!', deveriam se lembrar da história de Pedro: 'Senhor, mesmo que todos te neguem, eu não te negarei'. E mais: Lembram quando Jesus perguntou para Pedro se ele O amava mais do que os outros? A resposta imediata foi: 'Sim, Senhor,tu sabes que te amo!' Só na 3ª vez que foi confrontado por Jesus com a mesma pergunta que a ficha caiu para Pedro e ele então ficou triste. Eu acho que esta tristeza foi gerada por ele finalmente entender quão egoísta era o seu tipo de amor por Cristo."

AMIGO CRISTÃO: "Onde Pedro está?"

CH: "Amigo Cristão, os cristãos acreditam que Pedro está salvo e com a vida eterna garantida. Para uns ele virou santo e está no céu junto a Jesus e para outros ele está dormindo na sepultura aguardando a ressurreição para a vida terna. Isto para mim só reforça o argumento do egocentrismo do ser humano. Agora, já imaginou se o amor dele por Cristo, ao ponto de morrer em uma cruz de cabeça para baixo, não tivesse lhe garantido qualquer tipo de recompensa? Acho que muitos cristãos repensariam no tipo de amor que sentem por Cristo."

AMIGO CRISTÃO: "Não fomos criados para morrer e sim pra viver. Podemos imaginar, mas somente quando estivermos no céu é que entenderemos totalmente o que significou o sacrifício que Cristo fez por nós. Meu desejo é estar naquele glorioso dia. Viver ou morrer... para ver Cristo."

CH: "‎'Não fomos criados para morrer e sim para viver'. Amigo Cristão, eu entendo que este pensamento é uma boa justificativa (desculpa?) para todo o egocentrismo humano escondido por trás da aceitação de Cristo. Sem falar que é um argumento que pode colocar em suspeição ainda mais aquele que declara: 'Eu morreria eternamente por Cristo!'"

AMIGO CRISTÃO: "Cleiton, muito obrigado pela oportunidade de expressar minha certeza na existência em Jesus. Neste momento não seria capaz de morrer por você, mas quem sabe um dia!!!"

CH: "Muito bem Amigo Cristão! Prefiro assim, sabia? É muito bom quando as pessoas reconhecem francamente suas limitações humanas. Isto nos aproxima. Um abraço e obrigado pela oportunidade deste diálogo."

Que cada leitor tire as suas próprias conclusões.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Frases do filme "O Paraíso é Logo Aqui" que tocaram-me profundamente

por Cleiton Heredia


"O Paraíso é Logo Aqui" (Henry Poole is Here - 2009) é um filme maravilhoso com algumas belas mensagens e lições de vida que quero partilhar com você.

O filme conta a história de Henry Poole (Luke Wilson) que decide largar tudo para passar o resto da sua vida em uma casa no subúrbio vivendo de forma desleixada. Porém, uma misteriosa mancha na parede de sua casa foi notada por sua vizinha Esperanza (Adriana Barraza), uma católica fervorosa, que acredita ser ela um sinal de Deus pela semelhança com o rosto de Cristo. Não demorou muito e logo a notícia se espalhou, transformando sua parede em um local sagrado de visitação com o poder de realizar verdadeiros milagres. Henry, em seu ceticismo, fica tremendamente incomodado com aquela situação, mas somente quando sua atraente vizinha divorciada Dawn (Radha Mitchell) e sua filha Millie (Morgan Lily) passam a acreditar no poder misterioso da mancha na parede é que Henry vê seus planos mudarem completamente.

O filme é de uma simplicidade tão bela e de uma melancolia tão intensa que me cativou do início ao fim.

Bem, mas vamos às frases que mais me marcaram no filme, acompanhadas das reflexões que fiz ao ouvi-las:

1) "Às vezes você tem que ficar triste para saber que está vivo."

Uma frase irônica dentro do contexto do filme, mas que pode trazer algum tipo de verdade prática para o contexto em que vivemos. Nesta vida estamos continuamente aprendendo, e é inegável o fato de que o sofrimento sempre tem sido um professor muito mais eficiente e persuasivo do que a felicidade.

2) "Os que não têm fé às vezes precisam de uma ajudazinha."

Uma verdade inegável! Pelo menos no meu caso que perdi a fé já faz quase quatro anos. Não tenho a menor vergonha de reconhecer a necessidade desta "ajudazinha", e quem me dera se ela me chegasse da forma como chegou a Henry. Uma ajuda "sobre-humana" capaz de deitar por terra o racionalismo cético, e ao mesmo tempo uma ajuda simplesmente humana repleta daquele calor que somente o interesse sincero e abnegado daqueles que nos cercam pode produzir.

3) "Por que é tão necessário para você que eu creia? (...) Porque se você me convencer, as suas crenças se tornam mais reais."

Quando um ateu muda de opinião e se transforma em um teísta, tal como aconteceu com Antony Flew, os teístas de forma geral exultam de alegria, pois tal mudança serve de indicativo adicional de que estão no barco certo. Porém, o inverso pode acabar surtindo resultados semelhantes, só que no sentido oposto. Isto talvez explique toda a aversão que muitos religiosos possuem de mim. Bem lá no fundo esta aversão pode ser fruto do medo que eles possuem de terem as suas mentes invadidas pelos meus próprios questionamentos e dúvidas.

4) "Às vezes as coisas acontecem porque escolhemos que aconteçam. Eu escolhi acreditar!"

A fé é inegavelmente poderosa! Ela tem o poder de transformar a realidade daqueles que escolheram a ela se apegar. É claro que a palavra "ás vezes" no início da frase limita de certa forma a amplitude de resultados possíveis. Não é porque alguém escolheu acreditar que irá ganhar sozinho no próximo concurso da Mega-Sena que isto seguramente acontecerá. Por outro lado, se alguém escolhe acreditar no amor, na superação e na felicidade, é bem provável veja tudo isto acontecer em sua vida.

5) "Ela (a mancha na parede) ficou aqui o quanto foi preciso que ficasse, assim como tudo e todos."

Você e eu podemos escolher acreditar nisto ou não. Eu entendo que tal pensamento pode trazer conforto para quando determinadas coisas ou determinadas pessoas não mais estiverem presentes em nossa vida, bem como pode também nos ajudar a prosseguir adiante agradecidos pelas experiências que vivemos, ao invés de ficarmos nos lamentando pela vida não ser mais exatamente como antes. Falo disto por experiência própria, pois assim como a fé na minha vida um dia veio e se foi, quem disse que com a incredulidade não será exatamente o mesmo? Uma coisa eu sei, tudo só permanece conosco pelo tempo necessário e nem um segundo a mais ou a menos.

O filme é ótimo e eu recomendo.

Segue o trailer:

domingo, 17 de julho de 2011

Análise de um cético sobre um caso de possessão demoníaca

por Cleiton Heredia


Na postagem anterior abordei o tema da Falsa Memória, pois foi a primeira coisa que me veio à mente quando ouvi de um pastor o curioso e intrigante relato sobre possessão demoníaca, o qual passa agora a lhes contar:

Este pastor contou que estava em uma igreja se preparando para o culto, juntamente com outros dois colegas pastores, quando uma mulher possessa por demônios (diagnóstico feito pela ótica espiritual deles, é óbvio) apareceu na entrada da igreja e começou gatinhar para dentro do recinto.

Até aí, a minha mente racional não tinha visto nada de sobrenatural, pois aquilo que os religiosos muitas vezes interpretam como uma possessão demoníaca, pode ser explicado pela ciência como auto-sugestionamento, indução hipnótica ou mesmo algum tipo de problema mental.

O relato prosseguiu de forma a começar a me interessar. O pastor disse que presenciou juntamente com seus colegas a mulher gatinhando para dentro da igreja, sendo que à medida que avançava, as cadeiras à frente dela eram movidas de forma sobrenatural sem ela precisar ter que encostar nelas ou empurrá-las.

Arrepiante, não é mesmo? Mas os eventos sobrenaturais não param aí.

Ele ainda contou que no momento em que o demônio foi expulso corpo daquela mulher mediante a oração dos pastores, um grande estrondo parecido com o som de uma explosão foi ouvido na rua do lado de fora da igreja. Mais tarde eles constaram que havia sido o transformador de energia do poste localizado logo à frente que havia estourado.

Bem, a esta altura do relato, eu estava tão intrigado com as cadeiras se movendo "sozinhas" que pensei rapidamente comigo mesmo sobre o tal estouro: "Mera coincidência!". Como podem ver, minha mente cética não me dá sossego.

Como se não bastasse as cadeiras a me preocupar, o pastor relata que, muito embora o estouro do transformador tenha deixado todas as casas da rua sem energia elétrica, a igreja continuava misteriosamente com luz. Ele ainda disse que a reunião naquela noite aconteceu normalmente e todos os que ali chegavam perguntavam como era possível eles estarem com luz quando todos em volta estavam sem.

Agora não era só o testemunho de três pastores, mas a constatação de um provável evento sobrenatural testemunhado por centenas de pessoas: as que moravam na rua, as que compareceram na reunião e a do funcionário da Eletropaulo que compareceu no local no dia seguinte para fazer os devidos reparos e que, segundo uma vizinha da igreja, havia comentado que não acreditava que a igreja pudesse ter tido energia após das avarias ocorridas.

Confesso que tudo isto está fazendo com que eu reflita muito sobre algumas coisas. Entre elas, como eu gostaria de ter estado ali naquele dia para constatar por mim mesmo toda esta sucessão de eventos. Acho lamentável ninguém ter filmado as cadeiras movendo-se sozinhas ou não terem chamado um técnico para elaborar um laudo oficial constatando que a energia elétrica que alimentou a igreja naquela noite era de origem sobrenatural.

Sim, porque só assim para acreditar em algo tão incrível. Mas como ninguém teve esta preocupação científica, eu sou obrigado a ponderar racionalmente considerando outras possibilidades antes de aceitar os eventos como verdadeiramente sobrenaturais (princípio da Navalha de Occam).

Sendo assim, para o relato das cadeiras movendo-se sozinhas existe a possibilidade de estarmos diante daquilo que chamamos de "falsa memória", para o estouro do transformador a possibilidade de ter sido mera coincidência, e para a luz na igreja fica a possibilidade das avarias na rede não terem acontecido da forma relatada, bem como o relato da vizinha sobre o comentário do funcionário da Eletropaulo ser apenas um testemunho sensacionalista de uma mulher que apenas queria chamar a atenção do pastor.

Só me resta concluir apelando para qualquer um que testemunhe um provável evento sobrenatural, que tenha o cuidado de documentá-lo de forma científica para que céticos como eu possam finalmente ter que "dar as mãos à palmatória", reconhecendo de forma irrefutável a existência do sobrenatural.

Enquanto isto continuarei esperando por melhores evidências para finalmente poder acreditar.

sábado, 16 de julho de 2011

Falsa Memória

por Cleiton Heredia


Você já ouviu falar em falsa memória?

A Falsa memória é a sensação de ter ouvido, visto ou experimentado algo que na verdade nunca aconteceu conosco. Ela se manifesta porque, como a mente não recorda de todos os detalhes de um determinado acontecimento, as lacunas de memórias que se formam são muitas vezes preenchidas com base naquilo que imaginamos que deveria ter sido.

Ela difere da memória enganosa, também conhecida como memória errônea, que é a recordação que fazemos de experiências reais, porém feita de forma incorreta ou imprecisa.

A falsa memória é mais comum que muitos costumam imaginar e em minha limitada experiência como ilusionista tenho visto em diversos momentos ela se manifestar. Os meus amigos mágicos que estiverem lendo esta postagem saberão muito bem a que estou me referindo. Muitas vezes as pessoas vêm até nós para comentar um determinado efeito mágico que realizamos e, ao tentarem relembrar o que viram, é frequente ouvirmos estas pessoas relatarem coisas que não dissemos ou fizemos, incrementando a ilusão e muitas vezes a transformando em um verdadeiro milagre. É claro que isto acaba servindo de um excelente aliado para os mágicos e os grandes ilusionistas sabem muito bem como estruturar os seus números de forma a explorarem esta característica falha da mente humana.

Apenas para ilustrar o que estou dizendo, certa vez eu assistia um amigo fazer mágicas e em um determinado momento ele pediu a minha ajuda na realização de um número. Ele me deu um baralho e pediu para que eu o embaralhasse da maneira como achasse melhor. Na sequência ele pediu para que eu pensasse em uma carta qualquer e dissesse qualquer número entre 1 e 52. Eu mesmo contei as cartas do baralho e exatamente no número que eu havia dito, lá estava a carta que eu havia pensado.

- "Milagre!" - pensei eu - "Como pode? Este cara só pode ter feito pacto com o capeta!" (na verdade eu não pensei exatamente isto, mas infelizmente é algo que muitos pensam quando se deparam com o impossível acontecendo bem diante de seus olhos).

Dias depois eu encontrei este mesmo amigo e lhe disse o quanto a sua mágica havia me impressionado, relatando-a novamente para ele exatamente como o fiz logo acima. Ele olhou pra mim e me disse sorrindo: "Mas não foi exatamente isto o que aconteceu!" Ele repetiu a mágica para mim e aí, bem mais atento e já conhecedor daquilo que estava para ocorrer, pude perceber coisas que não havia percebido antes. Mas o que é pior, eu descobri que em minha mente acabei criando uma sequência de eventos bem diferente da que foi realmente executada. Foi a minha falsa memória em ação preenchendo as lacunas geradas pelo esquecimento com idéias que representavam a forma como eu achava que tudo deveria ter sido (é por isto que os ilusionistas evitam repetir suas mágicas para um mesmo público).

Mas por que estou escrevendo sobre isto?

Na próxima postagem eu explico, mas já adianto que o assunto é de arrepiar os cabelos.

Aguarde!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O outro lado da Oração

por Cleiton Heredia


A partir do momento que passei a observar o cristianismo de fora para dentro, comecei a notar algumas particularidades que antes não conseguia distinguir.

Uma delas é como a mentalidade religiosa facilmente adapta e ajusta as interpretações dos eventos diários, de forma que estes se encaixem à sua visão de mundo, geralmente vista pela ótica da fé que abraça.

Um exemplo clássico disto é a explicação dos religiosos para a forma como Deus responde às súplicas (pedidos) que fazemos nas orações. Eles ensinam que Deus sempre ouve as orações e sempre as responde de alguma forma. Às vezes Ele responde com um "SIM", concedendo o que foi pedido; às vezes Ele responde com um "NÃO", e outras vezes Ele responde com um "ESPERE".

Desta forma não existe a menor possibilidade de dúvida quanto à direção divina na vida daquele que ora, muito menos de equívoco na resposta divina, pois Deus não erra.

Imagine que um cristão ore por um familiar que está muito doente. Só existem três possibilidades reais a serem racionalmente consideradas: O doente pode se restabelecer, pode morrer ou pode continuar doente por tempo indeterminado. Se o religioso orou e ele foi curado, é claro que sua mente irá automaticamente atribuir aquela cura como um milagre de Deus. Agora se o ente querido morre ou continua doente, a mente religiosa não titubeia em considerar a morte como a vontade soberana de Deus ou a manutenção do estado de enfermidade como algum tipo de provação da fé, tanto daquele que orou como do próprio doente.

Em todos os prováveis desfechos de um determinado evento, a mente religiosa sempre conseguirá encontrar algum tipo de interpretação dos fatos que se encaixem perfeitamente aos seus conceitos de fé onde Deus sempre estará de alguma forma presente.

Veja bem, eu não estou criticando a forma como o religioso pensa. É claro que é muito mais confortante acreditar que existe um propósito divino em tudo o que acontece, do que simplesmente entender que a vida nada mais é do que uma sucessão de eventos aleatórios.

No entanto, só acho meio complicado tentar convencer alguém que ainda não encontrou razões justificáveis para acreditar no sobrenatural (Deus), que ele existe em função das respostas às orações, quando estas respostas estão dentro de um leque de possibilidades que podem ser entendidas de forma racional sem precisar apelar para o sobrenatural.

Se você não concorda com o que escrevi acima, eu vou tentar ser mais claro e direto:

Ver uma pessoa desenganada pelos médicos em fase terminal de uma determinada doença ser curada, não é suficiente para levar-me a considerar o sobrenatural como algo real, pois podem existir fatores naturais envolvidos que ainda são desconhecidos pela ciência atual.

Ver um amputado ter restabelecido seus membros naturais perdidos sem qualquer tipo de re-implante, implante ou ação de células tronco, isto sim é algo que me levaria a passar a considerar o sobrenatural como algo real e palpável.

Não me levem a mal. Eu quero acreditar! Só não quero abandonar a razão e ter que violar minha consciência para fazê-lo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Quando o perdão se confunde com a impunidade

por Cleiton Heredia


Antes de prosseguir no relato das minhas impressões sobre a pregação que ouvi nesta terça-feira passada (12/07), eu gostaria de esclarecer algumas coisas, pois acabo de receber um telefonema tecendo severas críticas sobre a minha última postagem. A pessoa, cuja identidade irei preservar, falou que eu estou errado em criticar a mensagem do pastor, pois desta forma estou diminuindo a sua eficácia, bem como sendo um instrumento do Diabo ao desviar as mentes mais jovens da fé em Deus.

Em primeiro lugar, quero esclarecer que não tenho nada pessoal contra o pastor Rafael Rossi (nunca havia ouvido falar dele), nem muito menos contra a Comunidade Adventista do Morumbi (tenho alguns amigos lá dentro) ou mesmo contra a Igreja Adventista do Sétimo Dia (mantenho até hoje várias amizades neste segmento religioso). Quero que entendam que os meus comentários neste blog são meras reflexões pessoais dos fatos que me cercam, vistos e analisados sob minha "atual" perspectiva filosófica.

Não tenho a menor intenção de fazer proselitismo das minhas ideias (odeio o proselitismo religioso), nem muito menos pretendo enfraquecer ou aniquilar a fé em Deus de quem quer que seja. Aliás, caso você que acompanha este blog seja uma pessoa facilmente influenciável e titubeante nos caminhos da fé, por favor, pare agora de ler este blog e vai estudar a sua Bíblia que você ganha mais.

Este blog tem como objetivo fomentar algumas questões que considero relevantes na busca despreconceituosa da verdade, esteja ela onde estiver, e principalmente sem medo daquilo que vai encontrar pela frente.

Bem, dito isto, permita-me concluir meus comentários iniciados na postagem anterior.

Após uma brilhante (do ponto de vista religioso) e muito didática explanação do capítulo 5 de Apocalipse, o pastor resolveu concluir sua mensagem com uma ilustração sobre o perdão de Deus extraído de sua própria experiência pessoal.

Ele contou que estava viajando por uma rodovia quando seu telefone celular tocou. Como se tratava de um amigo que ele não falava há muito tempo, resolveu continuar conversando ao telefone e dirigindo ao mesmo tempo. Tudo transcorria na mais perfeita calma quando ele é surpreendido pelo carro à sua frente que havia quase parado em razão de uma barreira policial que ele, por estar distraído conversando no celular, não havia notado. Ele contou que apenas teve tempo de frear bruscamente e puxar o carro para o acostamento. Tal manobra brusca resultou em um quase atropelamento de um policial rodoviário federal que estava no acostamento naquele momento, e que precisou se jogar no chão para não ser atingido.

Como resultado de sua imprudência ao volante, o policial disse que iria lhe aplicar 3 multas de classificação gravíssima, ou seja, 7 pontos cada uma resultando em 21 pontos com a consequente perca da sua carteira de motorista. O pastor contou que na verdade deveriam ter sido 4 multas, mas o policial não percebeu que tudo havia acontecido porque ele falava ao celular.

O pastor enfatizou que pediu perdão ao policial, mas estava ciente de que não escaparia de ser devidamente autuado. Porém, sem qualquer tipo de explicação, o policial simplesmente mudou de ideia e decidiu perdoá-lo não aplicando mais as multas. O policial simplesmente devolveu sua carteira de motorista e depois de um "sermão" sobre prudência ao volante, o mandou embora.

Eu ouvi aquilo e imediatamente pensei comigo: "Maldito país da impunidade! É por isso que as coisas aqui estão do jeito que estão". É claro que qualquer um no lugar daquele pastor ficaria muito feliz pela generosidade do policial, mas aquele policial na verdade foi negligente em seu dever. Menos mal que foi negligente com um pastor consciencioso que como certeza não usará aquela experiência de impunidade como motivo para praticar outras infrações. Mas confesso que achei aquela história bem inadequada para se contar em uma igreja na frente de crianças e jovens, e principalmente usá-la para ilustrar o perdão de Deus.

De acordo com a soteriologia bíblica, Deus não se torna um negligente em relação à sua lei ao perdoar o pecador. Ele paga o preço da transgressão no lugar do transgressor para então poder perdoá-lo. Esta história do pastor só faria sentido no contexto salvífico se o policial aplicasse devidamente as multas e ele mesmo as pagasse com seus próprios recursos financeiros, inclusive entregando a sua própria carteira de motorista ao transgressor, ficando ele mesmo o resto da vida sem poder dirigir, para que o transgressor perdoado pudesse voltar a ser um motorista sem qualquer tipo de restrição (como se isto fosse na prática realmente possível).

Bem, espero que você tenha entendido que meus comentários não são provenientes de qualquer tipo de aversão à religião ou aos religiosos, mas simplesmente eu os faço, e continuarei fazendo, cada vez que perceber que os princípios da lógica, da razão e do bom senso estiverem sendo de alguma forma violados.