sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

"Eu quero acreditar" (4ª parte)

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Até agora já foram três amigos e três crenças distintas. Nenhuma delas te convenceu, porém por outro lado, você também não conseguiu convencê-los do contrário.

Eis que surge seu quarto amigo. Sou eu!

Para que este exercício funcione, imagine-se apenas por um momento que você não possui qualquer tipo de crença, mas está disposto a ponderar sobre cada uma que lhe for apresentada, desde que seja de alguma forma coerente com aquilo que entende por "realidade".

Está pronto? Então vamos lá!

Caso 4

- Oi tudo bem? Você tem um tempinho? Oba! Então deixe-me contar uma história:


Era uma vez uma virgem judia chamada Maria que foi visitada por um anjo e informada que teria um filho muito especial.
Sua inseminação seria através de um ato sobrenatural de Yahweh (Deus), pois o ser nela gerado seria o próprio filho de Deus encarnado com a missão de salvar a humanidade perdida.
Maria foi desposada por um homem chamado José, mas este não a conheceu (no sentido sexual) até que o filho prometido nascesse.
Eles tiveram que viajar para Belém para se cadastrarem para o censo, mas chegando lá Maria deu a luz ao filho de Deus.
Deus pôs uma estrela no céu para guiar algumas pessoas especiais até o bebê divino-humano.
Durante um sonho, Deus diz a José para pegar sua família e ir para o Egito, pois o rei Herodes estava pretendendo matar a criança. Milhares e milhares de bebês em Israel foram mortos na tentativa de matar Jesus.
Como um homem, o filho de Deus alegou ser o próprio Deus encarnado. “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida”, ele disse.
Este homem fez muitos milagres. Ele curou um monte de pessoas doentes. Ele transformou água em vinho, restaurou aleijados e até ressuscitou algumas pessoas. Esses milagres provam que ele é Deus.
Mas um dia ele é sentenciado à morte e morto em uma crucificação.
Seu corpo foi colocado em uma tumba. Porém, três dias depois, sua tumba estava vazia. Ele ressuscitou!

Não saiu do túmulo como um fantasma, mas como um homem com um corpo físico tão real que as pessoas podiam até colocar os dedos nas cicatrizes deixadas pelos ferimentos a que foi submetido na cruz.
Ele apareceu para muitas pessoas em muitos lugares e estas foram as testemunhas oculares da realidade destes eventos.
Então ele ascendeu ao paraíso e agora está sentado à direita de Deus, seu pai todo-poderoso, de onde continua a fazer intercessão pela raça humana e atender as orações daqueles que nele crêem.
Hoje você pode ter um relacionamento pessoal com o Senhor Jesus. Você pode falar com ele através das orações tendo a certeza de que ele te ouve e irá atender suas preces.
Ele é poderoso para curar doenças, resgatar de emergências, ajudar a fazer negócios e decisões familiares importantes, confortá-lo em épocas de sofrimento e preocupação, etc.
Se você reconhecer que é um pecador e aceitar a Jesus como o seu salvador pessoal, ele lhe concederá a vida eterna no paraíso de Deus onde existe um lugar reservado para você em uma bela mansão numa cidade onde as ruas são de ouro puro.
Esta recompensa poderá ocorrer após a sua morte ou quando ele voltar a este planeta para por um fim em todo o mal e sofrimento.
A razão para que saibamos que isso tudo é verdade é porque, depois que Jesus morreu, quatro homens chamados Mateus, Marcos, Lucas e João escreveram fatos sobre sua vida. Seus atestados escritos são a prova da veracidade desta história.


O que achou desta história? Você acreditou nela?

Bem, se você é um cristão, com certeza deve acreditar. Mas lembre-se, aqui neste exemplo o cristão sou eu! Você é apenas um amigo meu sem qualquer tipo de crença específica, porém com uma mente aberta para ouvir e ponderar sobre o que está sendo dito.

Lembre-se também que você já ouviu as estórias dos seus outros três amigos e não acreditou nelas por serem fantasiosas e carecerem de evidências que as sustentem.

Como você é uma pessoa de mente aberta e está disposto a avaliar com sinceridade o que eu acabei de lhe contar, você me faz algumas perguntas e a todas eu respondo prontamente. Você mais uma vez se recorda dos seus três amigos e não se sente muito confortável com as respostas que eu lhe dou, pois elas lhe parecem tão incríveis quanto à própria história.

Qual será a sua conclusão final? Você irá aceitar minha história como sendo uma verdade inquestionável? O que existe de diferente na forma como você avalia a minha história e na forma como avaliou as estórias daqueles seus outros três amigos?


Aqui está algo que eu gostaria que você entendesse: as quatro bilhões de pessoas que não são cristãs olham para esta história da mesma maneira que você olhou para a estória do Papai Noel, dos mórmons e dos muçulmanos. Em outras palavras, há quatro bilhões de pessoas que estão fora da bolha cristã, e por este motivo conseguem fazer uma avaliação usando o mesmo raciocínio lógico que você utilizou nos outros três casos.

Como que quatro bilhões de não-cristãos sabem, com certeza absoluta, que a estória cristã é uma ilusão? Porque a estória cristã é igual às outras estórias anteriores. Não há inseminação mágica, estrela mágica, sonhos mágicos, milagres mágicos, ressurreição mágica, ascensão mágica, e assim por diante. Pessoas fora da fé cristã olham para esta estória e percebem os seguintes fatos:

Os milagres supostamente “provam” que Jesus era Deus, mas esses milagres não deixaram nenhuma evidência tangível para examinarmos e verificarmos cientificamente hoje. Jesus ressuscitou, mas ele não aparece para ninguém hoje em dia. Jesus ascendeu ao paraíso e responde às nossas preces, mas só não lhe peça para restaurar um membro amputado. Existe uma certa coerência nos livros onde Mateus, Marcos, Lucas e João dão seus testemunhos, mas também existem alguns problemas e contradições. E por aí vai.

Uma pessoa não comprometida com a fé cristã não terá a menor dificuldade de classificar a estória cristã como um conto tão fantasioso e incrível quanto os outros três exemplos que já examinamos.


Entretanto, se você é um cristão que desde pequeno foi ensinado a crer na Bíblia, perceba o que está acontecendo dentro da sua mente neste exato momento. Apesar de existirem evidências verificáveis e sólidas para lhe mostrar que a estória cristã é falsa, sua “mente religiosa” está se sobrepondo à sua mente racional e seu bom senso.

Por quê?

Por que você é capaz de usar seu bom senso para rejeitar as estórias do Papai Noel, dos mórmons e dos mulçumanos, mas não é capaz de fazer o mesmo com a estória cristã?

A razão é sempre a mesma:

VOCÊ QUER ACREDITAR!


Continua...


(Texto adaptado de "Understanding religious delusion")

5 comentários:

  1. Ótima série Cleiton,

    Eu só não me conformo com a inexistência do Papai Noel. Esse sim valeria a pena existir.

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  2. Muito bom!

    A questão é que o cristão acredita que o seu milagre é real o dos outros não...

    Abraços.

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  3. Estas estórias servem para fazer boi dormir,como eu não sou boi,embora ainda exista controversia,kkkk

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  4. Na verdade nós pessoas normais acreditamops em átomos sem nunca termos visto um, o fato é que, quando se é imposto algo como uma verdade absoluta, nao há uma questao de querer ou nao querer, mas sim de aceitar e pronto. Eu nao tenho a opçao de ser cristao assim como um cristao nao tem a opçao de nao o ser.

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