sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Costumes e Frases


Ao visitar o Palácio de Versailles, em Paris, observa-se que o suntuoso palácio não tem banheiros. Na Idade Média, não existiam escovas de dente, perfumes, desodorantes, muito menos papel higiênico. As excrescências humanas eram despejadas pelas janelas do palácio.

Em dia de festa, a cozinha do palácio conseguia preparar banquete para 1.500 pessoas, sem a mínima higiene.

Vemos nos filmes de hoje as pessoas sendo abanadas. A explicação não está no calor, mas no mau cheiro que exalavam por debaixo das saias (que eram propositadamente feitas para conter o odor das partes íntimas, já que não havia higiene). Também não havia o costume de se tomar banho devido ao frio e à quase inexistência de água encanada. O mau cheiro era dissipado pelo abanador. Só os nobres tinham lacaios para abaná-los, para dissipar o mau cheiro que o corpo e boca exalavam, e para espantar os insetos.


Quem já esteve em Versailles admirou os jardins enormes e belos que, na época, não eram só contemplados, mas "usados" como vaso sanitário nas famosas baladas promovidas pela monarquia, porque não existia banheiro.

Na Idade Média, a maioria dos casamentos ocorria no mês de Junho (para eles, o início do verão).

A razão é simples: o primeiro banho do ano era tomado em Maio; assim, em Junho, o cheiro das pessoas ainda era tolerável. Entretanto, como alguns odores já começavam a incomodar, as noivas carregavam buquês de flores, junto ao corpo, para disfarçar o mau cheiro. Daí termos "Maio” como o "mês das noivas" e a explicação da origem do buquê de noiva.


Os banhos eram tomados numa única tina, enorme, cheia de água quente. O chefe da família tinha o privilégio do primeiro banho na água limpa. Depois, sem trocar a água, vinham os outros homens da casa, por ordem de idade, as mulheres, também por idade e, por fim, as crianças. Os bebês eram os últimos a tomar banho. Quando chegava a vez deles, a água da tina já estava tão suja que era possível "perder" um bebê lá dentro. É por isso que existe a expressão em inglês "don't throw the baby out with the bath water", ou seja, literalmente "não jogue o bebê fora junto com a água do banho", que hoje usamos.


Os telhados das casas não tinham forro e as vigas de madeira que os sustentavam eram o melhor lugar para os animais - cães, gatos, ratos e besouros se aquecerem. Quando chovia, as goteiras forçavam os animais a pularem para o chão. Assim, a nossa expressão "está a chover a cântaros" tem o seu equivalente em inglês em "it's raining cats and dogs" (está chovendo gatos e cachorros).

Aqueles que tinham dinheiro possuíam pratos de estanho. Certos tipos de alimento oxidavam o material, fazendo com que muita gente morresse envenenada. Lembremo-nos de que os hábitos higiênicos, da época, eram péssimos. Os tomates, sendo ácidos, foram considerados, durante muito tempo, venenosos.

Os copos de estanho eram usados para cerveja ou uísque. Essa combinação, às vezes, deixava o indivíduo "no chão" (numa espécie de narcolepsia induzida pela mistura da bebida alcoólica com óxido de estanho).


Alguém que passasse pela rua poderia pensar que ele estivesse morto, portanto recolhia o corpo e preparava o enterro. O corpo era então colocado sobre a mesa da cozinha por alguns dias e a família ficava em volta, em vigília, comendo, bebendo e esperando para ver se o morto acordava ou não. Daí surgiu o velório, que é a vigília junto ao caixão.

A Inglaterra é um país pequeno, onde nem sempre havia espaço para se enterrarem todos os mortos. Então os caixões eram abertos, os ossos retirados, postos em ossuários, e o túmulo utilizado para outro cadáver. Às vezes, ao abrirem os caixões, percebia-se que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo. Assim, surgiu a idéia de, ao se fechar o caixão, amarrar uma tira no pulso do defunto, passá-la por um buraco feito no caixão e amarrá-la a um sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo, durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento de seu braço faria o sino tocar. E ele seria "saved by the bell", ou "salvo pelo gongo", expressão usada por nós até os dias de hoje.

Não sei se as informações acima são 100% verdadeiras, mas uma coisa é certa, os ditos populares que muitos de nós utilizamos hoje nem sempre correspondem àquilo que eram no passado:



Enfiou o pé na jaca: o correto é "Enfiou o pé no jacá". Antigamente, os tropeiros paravam nas vendinhas, a meio caminho, para tomar uma pinga. Quando bebiam demais, era comum colocarem o pé direito no estribo e, quando jogavam a perna esquerda para montar no burro, erravam, pisavam no jacá (o cesto em que as mercadorias eram carregadas) e levavam um grande tombo. Por isso, quando alguém bebia demais dizia-se que ele enfiaria o pé no jacá. A jaca, fruta, não tem nada com isso. Apesar da novela da Globo.

Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão: o correto é "Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão".

Cor de burro quando foge: o correto é "Corro de burro quando foge"!

Quem tem boca vai a Roma: pois é, eu também fiquei surpreso ao saber que o correto não tem nada a ver com a capacidade de pela comunicação ir a qualquer parte do mundo, e sim uma forma de exortação à crítica política; o correto é "Quem tem boca vaia Roma".

É a cara do pai escarrado e cuspido: essa é forma escatológica de dizer que o filho é muito parecido com o pai; o correto é "A cara do pai em Carrara esculpido" (Carrara é uma cidade italiana de onde se extrai o mais nobre e caro tipo de mármore, que leva o mesmo nome da cidade).

Quem não tem cão, caça com gato: o correto é "Quem não tem cão, caça como gato". Ou seja, sozinho!

E você? Conhece algum outro ditado que mudou com o tempo?

Adaptado de uma colaboração anônima.

Roubaram todos os meus documentos! E agora?


1ª Providência - Abra um Boletim Policial de Ocorrência imediatamente na jurisdição onde seus cartões de crédito, etc., foram roubados. Isto prova aos credores que você tomou ações imediatas, e este é um primeiro passo para uma investigação (se houver uma).

2ª Providência - Ligar para as operadoras de seus cartões de crédito, informando o furto/roubo e solicitando o cancelamento.

3ª Providência - Chame imediatamente o SPC (11-3244-3030) e SERASA (11-33737272) (e outros órgãos de crédito se houver) para pedir que seja colocado um alerta de fraude em seu nome e número de CPF (esta providência é importantíssima, pois impedirá os larápios de fazerem a festa com seus documentos - o alerta serve para que qualquer empresa que confira seu crédito saiba que sua informação foi roubada, e eles têm que contatar você por telefone antes que o crédito seja aprovado).


Porém, se a vaca ainda não foi para o brejo, aí vão algumas dicas que poderão minimizar um pouco seu problema quando o pior acontecer:

1) Não assine a parte de trás de seus cartões de crédito. Ao invés, escreva "SOLICITAR RG".

2) Tire Xerox do conteúdo de tua carteira. Tire cópia de ambos os lados de todos os documentos, cartão de crédito, etc. Você saberá o que você tinha em sua carteira e todos os números de conta e números de telefone para chamar e cancelar. Mantenha a fotocópia em um lugar seguro. Também leve uma fotocópia de seu passaporte quando for viajar para o estrangeiro.


E aqui vai mais uma última dica ao pagar suas contas com cheque no dia a dia:

- Ponha seu número de telefone de trabalho em seus cheques em vez de seu telefone de casa. Se você tiver uma Caixa Postal de Correio use este em vez de seu endereço residencial. Se você não tiver uma Caixa Postal, use seu endereço de trabalho. Ponha seu telefone celular ao invés do residencial.

ATITUDE E DETERMINAÇÃO FAZEM A DIFERENÇA

Colaboração: Edleuza Teles

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Quem lê, pensa!


Um casal sai de férias para um hotel-fazenda.
O homem gosta de pescar e a mulher gosta de ler.
Uma manhã, o marido volta de horas pescando e resolve tirar uma soneca.
Apesar de não conhecer bem o lago, a mulher decide pegar o barco do marido e ler no lago.
Ela navega um pouco, ancora, e continua lendo seu livro.
Chega um guardião do parque em seu barco, para ao lado da mulher e fala:

- Bom dia, madame. O que está fazendo?
- Lendo um livro - responde, pensando: será que não é óbvio?
- A senhora está em uma área restrita em que a pesca é proibida, informa.
- Sinto muito, tenente, mas não estou pescando, estou lendo.
- Sim, mas com todo o equipamento de pesca. Pelo que sei, a senhora pode começar a qualquer momento. Se não sair daí imediatamente, terei de multá-la e processá-la.
- Se o senhor fizer isso, terei que acusá-lo de assédio sexual.
- Mas eu nem sequer a toquei! - diz o guardião.
- É verdade, mas o senhor tem todo o equipamento. Pelo que sei, pode começar a qualquer momento.
- Tenha um bom dia, madame - diz ele, e vai embora.

MORAL DA HISTÓRIA:

"NUNCA DISCUTA COM UMA MULHER QUE LÊ. CERTAMENTE ELA PENSA!

Colaboração: Rodolfo Luiz do Nascimento (Rodolfo Shosholoza)

domingo, 24 de fevereiro de 2008

AVISO AOS FOFOQUEIROS DE PLANTÃO

Algumas pessoas têm acessado meu blog e ao lerem algumas postagens a respeito de Deus, estão "preocupadíssimas" com minha vida, pois acreditam que não acredito mais em Deus.

Para início de conversa: EU SEMPRE ACREDITEI EM DEUS, ACREDITO EM DEUS, E CONTINUAREI ACREDITANDO EM DEUS!

E acredito por uma simples razão: De acordo com a minha concepção pessoal do universo e da vida, tudo só faz algum sentido se Deus existir (e ponto!).

Vejam bem, isto não é uma prova de que Deus existe, pois nem ao menos estou tentando provar tal coisa. Para mim a existência de Deus é uma questão simples de fé pessoal, de necessidade pessoal e de coerência pessoal.

Eu creio e pronto! Não preciso provar nada para ninguém, pois isto tem haver com minha convicção pessoal, e se é pessoal, não serve para mais ninguém, a não ser para mim mesmo.

Você também crê em Deus? Se crê deve ter os seus motivos pessoais para isso, e estes motivos podem não ter nada em comum com os meus motivos. Por isto, seja feliz com a sua convicção e pare de julgar a minha.

O mesmo se aplica para você que não acredita que Deus existe? Não o julgo, nem muito menos acho que você seja pior ou melhor do que eu. Esta é simplesmente a sua convicção pessoal, que no caso é diferente da minha, mas como é sua, eu limito-me a respeitá-la e sinceramente espero que seja também muito feliz.

Você talvez esteja se perguntando: Mas se você acredita em Deus porque publicar postagens que podem suscitar dúvidas a respeito disto?

Desculpem-me aqueles que não merecem ouvir isto, mas somente para as "cabecinhas pequeninas" quero dizer que infelizmente você não está entendendo nada. As minhas postagens publicadas sobre este assunto não têm o propósito de focar a Deus, e sim o homem. Elas são simplesmente uma demonstração de como este assunto se torna insolúvel quando tentamos encontrar qualquer outra razão humana para crer em Deus, que não seja única e exclusivamente a nossa fé pessoal.

Por isso me faça um favor: Se você acessa este blog para depois ficar "fofocando" para seus "irmãozinhos" que o Cleiton mudou, que está apostatando da "fé", ou que está mais perdido que chinelo de bêbado, CAI FORA! Prefiro mil vezes a companhia de um ateu sincero do que de um "crente" maledicente e falso como você.

Agora, para aqueles que, independentemente do que acreditam, sabem respeitar àqueles que se aventuram pelo campo das idéias pelo simples prazer pensar, SEJAM SEMPRE BEM-VINDOS!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Parábola do homem que queria encontrar a verdade sobre Deus


Era uma vez um homem muito sincero que saiu pelo mundo a fora tentando descobrir a verdade sobre Deus.

Ele encontrou um grupo de ateus muito inteligentes e começou a freqüentar suas reuniões semanais. Em cada reunião eram apresentadas evidências e mais evidências de que Deus não passa de uma ilusão humana.

Após assistir em silêncio algumas reuniões, ele começou a participar contribuindo com suas idéias e pensamentos sobre o assunto. Como era uma pessoa sincera em sua busca da verdade, começou a questionar cada evidência apresentada confrontando com outras evidências que contradiziam e colocavam em dúvida os alicerces do ateísmo.

As argumentações de objeção daquele homem eram tão coerentes e sólidas que alguns daquele grupo começaram a rever seu posicionamento e depois de algum tempo deixaram de freqüentar às reuniões. Alguns chegaram a abandonar o ateísmo e se tornaram agnósticos; outros foram ainda mais longe, pesquisando e estudando, até tornarem-se teístas.

Não passou muito tempo, aquele grupo de ateus começou a se incomodar com aquele homem e a tratá-lo de forma diferente. O homem percebeu, mas não se importou com aquilo, pois tinha como prioridade cavar fundo em busca da verdade.

Porém, um belo dia em uma reunião, um ateu não agüentando mais suas argumentações, explodiu: "Você é um idiota cabeça dura e ignorante. Não vê que todos aqui já temos plena certeza daquilo que defendemos e você com estas objeções ridículas está causando confusão e discórdia em nosso meio?".

Aquele homem se retirou chateado e continuou sua jornada em busca da verdade. Mais adiante ele encontrou um grupo de fervorosos cristãos muito sinceros e pensou: "Aqui será diferente".

Fez amizade com aquele grupo simpático e começou a freqüentar suas reuniões semanais. A cada reunião eles louvavam a Deus e estudavam a Bíblia de forma sistemática e reverente.

Não demorou muito e aquele homem começou a participar dos estudos ali promovidos. Como era uma pessoa que sinceramente buscava a verdade, começou a questionar cada evidência apresentada confrontando com outras evidências que contradiziam e colocavam em dúvida os alicerces do cristianismo.

As argumentações de objeção daquele homem eram tão sensatas e lógicas que alguns daquele grupo começaram a rever seu posicionamento e depois de algum tempo deixaram de freqüentar às reuniões. Alguns chegaram a abandonar o cristianismo e se tornaram agnósticos; outros foram ainda mais longe, pesquisando e estudando, até tornarem-se ateus.

Não passou muito tempo, aquele grupo de cristãos começou a se incomodar com aquele homem e a tratá-lo de forma diferente. O homem percebeu, mas não se importou com aquilo, pois tinha como prioridade cavar fundo em busca da verdade.

Porém, um belo dia em uma reunião, um cristão não agüentando mais suas argumentações, explodiu: "Você está sendo um instrumento nas mãos do diabo. Não vê que todos aqui já temos plena certeza daquilo que defendemos e você com estes pensamentos heréticos e objeções fruto de rebeldia teimosa está causando confusão e discórdia em nosso meio?".

Aquele homem mais uma vez se retirou chateado e continuou sua jornada em busca da verdade. Mais adiante encontrou um grupo de judeus ortodoxos muito zelosos e pensou: "Aqui será diferente".

Mas a mesma história se repetiu.

O mesmo aconteceu com o grupo dos budistas, dos espíritas kardecistas, dos hinduístas, dos xamanistas e dos xintoístas.

A história sempre se repetia até que um dia encontrou um grupo de mulçumanos fundamentalistas e finalmente chegou ao fim de sua jornada em busca da verdade sobre Deus.

Morreu decapitado.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Site Corridas de Montanha 2008 - NO AR!

É isso aí pessoal! O site Corridas de Montanha foi atualizado para a temporada 2008. Confira!


A próxima etapa (2ª etapa) será realizada na Serra da Cantareira em Mairiporã/SP no dia 13 de abril com um percurso de 12 km. Acredito que será uma prova muito boa para quem pretende iniciar na modalidade.

Enquanto esperamos vamos curtir este vídeo da 1ª etapa que aconteceu em Bertioga no dia 20/01/08: CORRIDA DAS TORRES.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Você já comeu o seu micróbio hoje?



O texto abaixo é uma contribuição da Nutricionista Prof.ª Elaine (UNASP-SP) e explica o que são os probióticos e prebióticos , também considerados alimentos funcionais.

O termo funcionais foi herdado dos japoneses que utilizavam o termo FOSHU, que quer dizer "para a vida".

Os alimentos funcionais melhoram nossa vida em todos os sentidos, no caso, os pro e prebióticos melhoram a vida intestinal.

PROBIÓTICO

O termo significa “para a vida” e foi usado por Sperti em 1971 para designar extratos de tecidos que estimulam o crescimento microbiano. Consiste em um “suplemento alimentar microbiano vivo que afeta de forma benéfica o animal hospedeiro por meio de melhoria do balanço microbiano intestinal, ou melhor, uma combinação de vários microorganismos os quais possibilitam efeitos benéficos ao hospedeiro aumentando as propriedades da microbiota endógena.

A microbiota de um indivíduo é constiruída por 100 trilhões de bactérias, ou 1 kg de microorganismos no intestino. Os probióticos são suplementos alimentares de micróbios vivos que beneficiam o animal hospedeiro por meio da melhora do balanço microbiano intestinal.

A adminstração de probióticos é fundamental para a recuperação da microbiota e equilíbrio das funções intestinais. As espécies de microorganismos mais usados são Lactobacillus e Bifidobacterium.

Os principais efeitos nutricionais e terapêuticos dos probióticos:

- preservam a integridade intestinal , mediando os efeitos da diarréia associada ao uso de antibióticos, doença inflamatória intestinal e síndrome do cólon irritável
- função imunológica
- ação anticancerígena ( preservam a integridade intestinal)
- ação na intolerância à lactose ( os leites fermentados parecem ser uma boa opção para pessoas com intolerância à lactose, pois há uma produção de lactase no instestino, contribuindo para a digestão adequada destes produtos em indivíduos com deficiência desta enzima.
- redução da pressão arterial ( ingestão em torno de 1 litro de produto lácteo)

Onde encontrar s probióticos?

- iogurte e leite fermentados

Atenção o álcool interfere negativamente na atividade dos lactobacilos (probiótico).

PREBIÓTICO

São componentes alimentares não digeríveis pelas enzimas digestivas e são utilizadas como substratos pelos lactobacilus e bifidobactérias (probióticos).

Efeitos positivos:

- prevenção da constipação
- proteção hepática
- efeito anticancerígeno
- redução do colesterol sérico
- redução da pressão arterial
- aumentam o tempo de esvaziamento gástrico

Os principais prebióticos são frutooligossacarídeos e a inulina.

Onde encontrar?

- Principais fontes de oligossacarídeos: banana, cevada, alho, mel, centeio, açúcar mascavo, aspargos, alcachofra e trigo de preferência integral.

- Principais fintes de inulina: chicória e alcachofra.

Para termos uma saúde intestinal evitando a disbiose (desequilíbrio da microbiota) devemos utilizar os probióticos e prebióticos.

Alguns fatores que podem predispor a disbiose:

- estresse
- alimentação inadequada
- alcoolismo
- poluição
- uso de medicamentos



RESUMINDO

Para termos uma boa saúde intestinal abusar dos vegetais e iogurte.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Criss Angel - Decepção



Um bom mágico é aquele que consegue criar a ilusão de realizar coisas impossíveis se valendo de grande habilidade unida à criativa utilização de mecanismos engenhosos. No entanto, se valer descaradamente de manipulação de imagem e cortes de câmera é SACANAGEM!

Desta maneira qualquer mané consegue fazer "mágica" do tipo as que acontecem nos seriados dos anos 60, "Jeanne é um Gênio" ou "A Feiticeira". Sabe aquela manjada técnica de filmar uma cena, parar a filmagem congelando a cena, e então tirar dela alguma pessoa ou objeto para depois continuar rodando simulando seu desaparecimento? Pois é, assim até eu viro mágico do dia prá noite.

Criss Angel em alguns de seus vídeos utiliza edição de imagem e isto para mim é decepcionante, pois daqui para frente sempre iremos estar nos perguntando: "Será que esta cena foi editada?"

Mas para vocês não pensarem que isto é apenas desconfiança minha, aqui vai a prova de que Criss Angel utiliza edição de imagens:

1) Sabe aquele truque da levitação de um prédio a outro? (na postagem anterior é o vídeo sob o item nº 8) Veja no link abaixo e entenda como tudo foi feito:

LEVITAÇÃO REVELADA

2) Sabe aquele outro do atropelamento? (na postagem anterior é o penúltimo link) Palhaçada! Tudo não passou de "truque" fabricado na mesa de edição:

ATROPELAMENTO REVELADO

Com isto todo o encantamento de ver uma mágica tentando entender como aquele truque foi feito, é perdido, pois o recurso de edição das imagens poderá sempre explicar tudo.

Tem um outro truque que ele faz com motocicleta que seria fantástico se não fosse o fato de que tudo não passou de um vídeo editado. Veja primeiro o truque tal como ele está sendo divulgado:

MÁGICA DO DESAPARECIMENTO SOBRE A MOTO

Agora veja Criss Angel sendo desmascarado com a constatação comprovada de que as imagens foram editadas com composição digital:

DESAPARECIMENTO REVELADO

Com esta constatação veja como o truque que você verá a seguir perde grande parte de seu encanto:

MÁGICA DE SUBIR PELA PAREDE

Se Criss Angel está querendo competir com os "truques" fabricados em Hollyhood, ele já perdeu de longe.

Sinceramente, se o último vídeo foi feito também com a edição das imagens, prefiro assistir ao Homem Aranha. Pelo menos ele sobe nas paredes com mais estilo.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Criss Angel

por Cleiton Heredia


Este é um dos mágicos mais populares da atualidade que ficou famoso com seus impressionantes truques realizados em lugares públicos e amplamente divulgados através de vários vídeos na internet.

Sou um apaixonado por truques de mágica desde minha infância. Quando tinha 10 anos ganhei uma caixa contendo um kit de mágica com uns 20 truques, e eu me lembro de ficar treinando por horas a fio trancado dentro de meu quarto para depois, quando meus pais chegassem em casa, eu poder apresentar para eles. Desde então passei a colecionar uma série de truques que eu comprava naquelas lojas de mágicas.

Minha realização era ver a cara de admiração que faziam após a execução de uma mágica desempenhada com sucesso (algumas falhavam) e me divertia muito com a curiosidade daqueles que queriam saber como o truque era feito. Todos sabiam que era um truque, por mais que eu tentasse lhes convencer que tinha adquirido poderes sobrenaturais.

Uma mágica por mais impressionante que seja nunca irá passar de um truque muito bem feito. Porém, quando surgem mágicos tipo David Copperfield, David Blaine e o próprio Criss Angel, há sempre aqueles que dizem: "Este fez pacto com o diabo!". Na verdade é exatamente este tipo de reação que o mágico procura provocar nas pessoas.

Criss Angel tem mágicas impressionantes, mas ele não passa de mais um grande ilusionista que realiza alguns truques muito bem feitos (outros não são tão bem feitos assim, como você irá perceber logo abaixo).

Aqui estão alguns vídeos de suas principais mágicas (vale a pena ver - após cada visualização clique no botão VOLTAR para continuar no Blog):

1) TRUQUE DA MOEDA

2) TRUQUE DO ESPELHO

3) TRUQUE DE PARTIR A MULHER AO MEIO

4) TRUQUE DE SE CORTAR AO MEIO

5) TRUQUE DE ANDAR SOBRE AS ÁGUAS

6) TRUQUE DE DESAPARECIMENTO

7) TRUQUE DE LEVITAR UMA MULHER

8) TRUQUE DE LEVITAR-SE ENTRE DOIS PRÉDIOS

E aí? Já está achando que o Criss Angel e o capeta são sócios?

Bem, primeiro deixemos ele mesmo explicar como faz um dos truques de levitar-se. Veja primeiro este vídeo com várias levitações:

MIX DE LEVITAÇÕES

Agora veja ele revelando o segredo:

CRISS REVELA O SEGREDO DA LEVITAÇÃO

Perdeu a graça, né? Mágica é assim mesmo! Quando você acaba descobrindo como o truque é feito, perde a graça completamente. Lembra do Mister M?

Quer mais? Então assiste esta mágica impressionante:

DESAPARECIMENTO NO CLUBE

Legal né? Quer saber como ele fez? Então assiste aí:

DESAPARECIMENTO NO CLUBE REVELADO

Pois foi assim! Nada de poderes sobrenaturais das trevas ou de pactos com o demônio. Simplesmente um truque engenhoso onde existem pessoas contratadas (atores), ambiente preparado, câmeras em posições estratégicas e muito talento do cara de pau do Criss.

Aqui vai um outro truque muito legal:

TRUQUE DE ATRAVESSAR O VIDRO

Demais, não? tsc...tsc... Puro truque:

ATRAVESSAR O VIDRO REVELADO

Mesmo sabendo que tudo não passa de truque, de ilusão, de enganação, o mundo da mágica continua exercendo sobre nós uma grande atração. É como que, mesmo sabendo que seremos lubridiados, queremos mesmo assim ver, para então nos admirar e ficar nos indagando: "Mas como é possível?"

Esta será exatamente sua reação ao assistir mais estes dois vídeos completamente insanos do grande Criss Angel:

MÁGICA DO ATROPELAMENTO

MÁGICA DO ESMAGAMENTO

Mas como é possível?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Como evitar a formação de células cancerosas


Recebi estas informações de um amigo corredor e vou partilhá-las com vocês (em azul entre colchetes estão meus comentários pessoais).

1. Um modo efetivo para combater o câncer é fazer as células cancerosas passarem fome, não as alimentando, pois elas necessitam de alimento para se multiplicarem.

ELAS SE ALIMENTAM DE:

a) Açúcar - O açúcar é um alimentador do câncer. Tirando o açúcar, se elimina a fonte de suprimento da sua alimentação mais importante. [Então o negócio é usar adoçante?] Substitutos do açúcar como o Nutrasweet, Equal, Spoonfull, etc, são feitos de Aspartame, que é prejudicial à saúde. [Tá bom! Sem adoçante] Um substituto natural mais adequado seria o mel de Manuka, (tipo de árvore que tem folhas odoríferas nativa da Nova Zelândia e Tansmânia) [Tá de sacanagem?!? Onde eu vou encontrar este troço? Peço para o diabo da Tasmânia me trazer?] ou melaço, mas só em pequenas quantidades. [Caraca! Já experimentou suco adoçado com melaço? É horrível! Última vez que tentei tomar quase vomitei]

b) Sal - O sal de mesa recebe uma substância química para torná-lo branco. A melhor alternativa é o sal marinho. [Pelo menos este é mais fácil de encontrar, só que bem mais caro]

c) Leite - O leite faz o corpo produzir muco [eca], especialmente na área gastro-intestinal. O câncer se alimenta do muco [eeecaaaa]. Eliminando o leite e substituindo-o por leite de soja não adoçado [pode adoçar com melaço?], as células cancerosas morrem de fome.

2. Células cancerosas prosperam em um ambiente ácido. Uma dieta com base na carne é ácida; assim é melhor comer peixe e uma pequena quantidade de frango, do que ingerir carne de boi ou de porco. Carne de gado (criado em fazendas) contém antibióticos, hormônios de crescimento e parasitas, que são prejudiciais, principalmente às pessoas com câncer. [Normal! Não gosto de carne mesmo. Tadinho dos viciados em BigMac]

3. Uma dieta feita com 80% de legumes frescos, sucos [adoçados com melaço], grãos inteiros [cuidado para não engasgar], sementes, nozes [mas não é natal!] e um pouco de frutas ajudam pôr o corpo em um ambiente alcalino. Aproximadamente, 20% delas podem ser ingeridas cozidas, incluindo os feijões. [Ah bom! Pensei que tinha que comer feijão cru]

a) Sucos de vegetais frescos provêem enzimas que são facilmente absorvidas e alcançam até níveis celulares dentro de 15 minutos, para nutrir e aumentar o crescimento das células saudáveis. Para obter enzimas vivas, para formar células saudáveis, tente ingerir sucos de vegetal frescos (a maioria dos legumes, inclusive brotos de feijão) [Hum! Suco de alface com broto de feijão adoçado com melaço, deve ser da hora] e comer alguns legumes crus, duas ou três vezes por dia. As enzimas são destruídas a temperaturas de 104 graus Fahrenheit (40 graus centígrados).

b) Evite café, chá e chocolate, que têm alto nível de cafeína. [Lá se foi meu chocolate!] O chá verde é a melhor alternativa. [Ouvi um chinês falar que tem que tomar no mínimo uns 3 litros de chá verde por dia para começar a sentir seus benefícios]

c) É melhor beber água limpa e natural, deionizada, filtrada, para evitar as toxinas conhecidas e metais pesados da água de torneira. [Putz! Água deionizada? Procurei no dicionário para saber o que é isso, e veja o que descobri: "O termo deionizada é o processo de remoção total dos íons presentes na água, através de resinas catiônicas e aniônica". Será que minha mulher sabe como preparar isto?] A água destilada é ácida; evite-a. [Quem é que toma água destilada? Não era isto que se colocava nas baterias de carros antigamente?]

4. A proteína de carne é difícil de digerir e requer muitas enzimas digestivas. Carne não digerida, que permanece nos intestinos, putrefa [Aquele BigMac que você comeu com tanto gosto vai acabar apodrecendo dentro de você e depois não adianta querer processar o Mac Donald´s] e causa a formação de mais tóxico. [Tóxico? Será que é por isto que o Mac Donald´s deixa o pessoal viciado?]

5. As células cancerosas têm suas paredes cobertas de proteína dura. Privando-as ou alimentando-as com pouca carne, elas se livram de mais enzimas (tóxicas), permitindo um ataque às paredes de proteína das células cancerosas por parte das células protetoras do corpo que irãos destruir as células cancerosas. [Bem feito!]

6. Alguns suplementos constroem o sistema imunológico: O IP6, Flor-essence (flor de essência - uma mistura de ervas para fazer chá, que se acredita, tem propriedades para curar o câncer) [Alguém sabe onde eu compro isto?], antioxidantes, vitaminas, minerais, etc., permitem que as próprias células protetoras do corpo destruam as células cancerosas. Outros suplementos, como vitamina E, são conhecidos por causar apoptose, (autodestruição da célula); uma espécie de sistema programado para matá-las - o método normal do corpo de se livrar das células estragadas, indesejáveis ou desnecessárias. [Vitamina E é o "Rambo" do nosso corpo - Programado para matar - desculpem, esta foi infame]

7. Câncer é uma doença da mente, do corpo e do espírito. Um espírito pró-ativo e positivo ajudará o guerreiro do câncer a ser um sobrevivente. Raiva, inclemência e amargura põem o corpo em estresse, num ambiente ácido. Aprenda a ter um espírito clemente e amoroso. Aprenda a relaxar e a desfrutar a vida. [O trânsito de São Paulo se não te mata em um acidente, vai te matar de câncer]

8. As células cancerosas não podem prosperar num ambiente oxigenado. Exercitando diariamente e profundamente a respiração, ajuda adquirir mais oxigênio até o nível celular. A terapia de oxigênio é outra maneira usada para destruir as células cancerosas. [Se você não é um Michael Jackson que pode comprar um tanque de oxigênio para dormir dentro, então vê se descola este traseiro da cadeira e vai se exercitar, pô]


RECENTES INFORMAÇÕES DO JOHN HOPKINS HOSPITAL

1. Não coloque nenhum recipiente ou embalagem de plástico em microondas.

2. Não coloque suas garrafas de plástico, com água, em congelador. Substâncias químicas de dioxina causas câncer, especialmente câncer de mama. Dioxina são altamente venenosas às células dos nossos corpos. [Pois é! Pode já tirar da geladeira aquela garrafa de Coca que você encheu de água para deixar gelando]

Recentemente, o Dr. Edward Fujimoto [irmão do Fujironakombi], Gerente de Programa de Bem-estar junto ao Hospital de Castle, estava em um programa de televisão para explicar este perigo. Ele falou sobre as dioxinas e de como elas são ruins para nós. Ele disse que nós não deveríamos estar aquecendo nossa comida em microonda usando recipientes de plástico. Isto se aplica especialmente para alimentos gordurosos. Disse que a combinação da gordura e alta temperatura liberam dioxinas na comida e finalmente nas células do corpo. Ao invés, ele recomenda usar vasos de vidro, como Pirex ou recipientes cerâmicos para aquecer a comida. Você obtém os mesmos resultados, só que sem a dioxina. Alimentos já prontos, congelados, sopas prontas empacotadas, etc, deveriam ser removidos dos recipientes e aquecidos em outra coisa. O papel não causa mal mas você não sabe a sua composição. É mais seguro usar vidro temperado. Ele também nos lembrou que, há um tempo atrás, alguns restaurantes de fast food deixaram de usar embalagens de recipientes feitos com espumas sintéticas. Uma das razões é o problema da dioxina. Também mostrou que aquela envoltura de plástico, como o filme de plástico impermeável, é muito perigosa quando colocado sobre os alimentos para serem aquecidos ou cozidos no forno de microondas. Como a comida recebe altas temperaturas, isto faz com que toxinas venenosas derretam a embalagem de plástico e gotejem sobre a comida. [Comida com cobertura de plástico derretido não é nada bom] Cubra o alimento com pirex ou cerâmica.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Reflexões sobre a existência de Deus


Não reparem, mas as últimas cinco postagens são fruto de uma compulsão mental que tive logo após ter assistido o filme "Eu sou a lenda".

Neste filme, Robert Neville (interpretado por Will Smith) vive sozinho em Nova York após um misterioso evento que destrói quase todos os seres humanos. Em uma parte do filme o personagem deixa bem claro que não acredita na existência de Deus.

A argumentação sugerida pelo enredo é a velha e batida questão: Se existe um Deus todo-poderoso, porque ele permitiu que tudo isto acontecesse?

Muitas e muitas pessoas que presenciaram grandes tragédias reais acontecendo ao seu redor já fizeram este tipo de questionamento. Ele deve ter se repetido na mente de pessoas que viveram em meio de povoados devastados pela peste negra durante idade média e por outros que viveram em meios aos horrores das guerras mundiais.

No entanto, não vemos qualquer indício deste tipo de pensamento sendo esboçado no registro bíblico do dilúvio onde é relatado que só sobreviveram 8 seres humanos. Aquilo é que foi tragédia! A história bíblica do dilúvio faz a história do filme acima parecer "café pequeno".

Tudo parece ser muito simples para nós que vivemos milhares de anos distantes e aceitamos a explicação bíblica de que em todo o planeta só existiam 8 pessoas que "mereceram" ou tiveram a "graça" de serem salvas, enquanto todos os demais eram seres humanos maus, pervertidos e irrecuperáveis que mereciam serem mortos.

Porém, se fossemos um dos sobreviventes na arca de Noé e tivéssemos conhecido de perto vários daqueles homens, mulheres e crianças que morreram afogadas, será que em algum momento não seríamos tentados a fazer o mesmo questionamento?

Não estou querendo colocar em dúvida a justiça de Deus ao realizar (ou permitir) extermínios em massa, muito embora Abraão já tenha feito isto no caso da destruição das cidades de Sodoma e Gomorra. Muito menos quero levar a discussão para o porque que Deus permite o sofrimento, pois, neste caso, geralmente estaremos cogitando porque coisas ruins acontecem para "pessoas boas".

Todos estes questionamentos já partem da suposição de que Deus existe, e eu na verdade estou querendo refletir neste momento se existe algum tipo de situação que me levaria a cogitar a existência de Deus.

Deus existe?

Em que condições esta pergunta é mais satisfatoriamente respondida? Em tempos de paz e bonança quando temos tempo e recursos para calmamente pensar no assunto, ou em tempos de tragédia e desolação quando enfrentamos uma dura realidade que pode contradizer todas nossas teorias?

Os cinco artigos que se seguem são algumas formas diferentes de tentar encarar e responder a mesma questão: Deus existe?

Prova da existência de Deus segundo René Descartes

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1ª Prova a priori pela simples consideração da ideia de ser perfeito

“Dado que, no nosso conceito de Deus, está contida a existência, é correctamente que se conclui que Deus existe.
Considerando, portanto, entre as diversas ideias que uma é a do ente sumamente inteligente, sumamente potente e sumamente perfeito, a qual é, de longe, a principal de todas, reconhecemos nela a existência, não apenas como possível e contingente, como acontece nas ideias de todas as outras coisas que percepcionamos distintamente, mas como totalmente necessária e eterna. E, da mesma forma que, por exemplo, percebemos que na ideia de triângulo está necessariamente contido que os seus três ângulos iguais são iguais a dois ângulos rectos, assim, pela simples percepção de que a existência necessária e eterna está contida na ideia do ser sumamente perfeito, devemos concluir sem ambiguidade que o ente sumamente perfeito existe.” - Descartes, Princípios da Filosofia, I Parte, p. 61-62.

2ª Prova a posteriori pela causalidade das ideias

“Assim, dado que temos em nós a ideia de Deus ou do ser supremo, com razão podemos examinar a causa por que a temos; e encontraremos nela tanta imensidade que por isso nos certificamos absolutamente de que ela só pode ter sido posta em nós por um ser em que exista efectivamente a plenitude de todas as perfeições, ou seja, por um Deus realmente existente. Com efeito, pela luz natural é evidente não só que do nada nada se faz, mas também que não se produz o que é mais perfeito pelo que é menos perfeito, como causa eficiente e total; e, ainda, que não pode haver em nós a ideia ou imagem de alguma coisa da qual não exista algures, seja em nós, seja fora de nós, algum arquétipo que contenha a coisa e todas as suas perfeições. E porque de modo nenhum encontramos em nós aquelas supremas perfeições cuja ideia possuímos, disso concluímos correctamente que elas existem, ou certamente existiram alguma vez, em algum ser diferente de nós, a saber, em Deus; do que se segue com total evidência que elas ainda existem.” - Descartes, Princípios da Filosofia, I Parte, p. 64.

3ª Prova a posteriori baseada na contingência do espírito

“Se tivesse poder para me conservar a mim mesmo, tanto mais poder teria para me dar as perfeições que me faltam; pois elas são apenas atributos da substância, e eu sou substância. Mas não tenho poder para dar a mim mesmo estas perfeições; se o tivesse, já as possuiria. Por conseguinte, não tenho poder para me conservar a mim mesmo.
Assim, não posso existir, a não ser que seja conservado enquanto existo, seja por mim próprio, se tivesse poder para tal, seja por outro que o possui. Ora, eu existo, e contudo não possuo poder para me conservar a mim próprio, como já foi provado. Logo, sou conservado por outro.
Além disso, aquele pelo qual sou conservado possui formal e eminentemente tudo aquilo que em mim existe. Mas em mim existe a percepção de muitas perfeições que me faltam, ao mesmo tempo que tenho a percepção da ideia de Deus. Logo, também nele, que me conserva, existe percepção das mesmas perfeições.
Assim, ele próprio não pode ter percepção de algumas perfeições que lhe faltem, ou que não possua formal ou eminentemente. Como, porém, tem o poder para me conservar, como foi dito, muito mais poder terá para as dar a si mesmo, se lhe faltassem. Tem pois a percepção de todas aquelas que me faltam e que concebo poderem só existir em Deus, como foi provado. Portanto, possui-as formal e eminentemente, e assim é Deus.” - Descartes, Oeuvres, VII, pp. 166-169.

Fonte: http://www.pucsp.br/pos/cesima/schenberg/alunos/marizabatista/Prova.htm

Deus existe? - Texto da revista Super Interessante


Existe uma luz no fim do túnel? Eu sinceramente espero que sim. Afinal, faz várias semanas - meses talvez - que estou perdido nesse labirinto escuro.

Eu não sei o que fiz para merecer tamanho castigo. De todos os trabalhos que poderiam me dar nesta vida de jornalista, não deve ter abacaxi mais cascudo que esse: uma reportagem sobre Deus... e justo numa revista científica!

Mecânica quântica e matemática do caos a gente até entende - com a ajuda de um bom professor, claro. Deus é outra história. É o infinito imponderável: aquilo que não dá para se pensar nem imaginar. É o infinito inefável: aquilo que não dá para se falar. Ou pelo menos essa é a maneira mais segura de abordar - e encerrar - o assunto sem cair no ridículo nem ofender ninguém.

Mas são os próprios cientistas que não param de falar em Deus. Os últimos dez anos em especial viram nascer um novo filão literário dedicado a discutir o Divino - aquele mesmo, um Criador Onipotente e Onisciente! - à luz da física e da matemática, da química e da biologia.


O culpado, ao que tudo indica, é o físico inglês Stephen Hawking, ocupante da cadeira que foi de Isaac Newton na ultra-prestigiosa Universidade de Cambridge e um dos principais teóricos dos buracos negros. Hawking, todo mundo sabe, realizou um milagre digno do Grande Arquiteto Celestial ao vender mais de dez milhões de cópias de um tratado de cosmologia e astrofísica, denso o suficiente para fritar o cérebro do público leigo. Publicado em 1988, Uma Breve História do Tempo tornou-se o mais inesperado best seller da história e até filme virou - não sem antes deixar no ar, bem no parágrafo final, uma sedutora insinuação de casamento entre ciência e religião:

"Se chegarmos a uma teoria completa, com o tempo esta deveria ser compreensível para todos e não só para um pequeno grupo de cientistas. Então, todo mundo poderia tomar parte na discussão sobre por que nós e o Universo existimos... Nesse momento, conheceríamos a mente de Deus."

Aviso importante: Hawking nunca se declarou religioso e usa essa idéia mais como uma frase de efeito, uma metáfora do conhecimento total do Universo.


Mas não demorou para outro cientista inglês do alto escalão, o físico Paul Davies, extrair todo um livro - e mais um sucesso comercial de arromba! - levando ao pé da letra as palavras do colega. Acolhido com uma chuva de prêmios destinados à divulgação científica, A Mente de Deus (1992) passa em revista a história da ciência e da filosofia para afirmar, com convicção, que tudo no cosmo revela intenção e consciência. Como o próprio Davies resumiu em uma entrevista: "Acredito que as leis da natureza são engenhosas e criativas, facilitando o desenvolvimento da riqueza e da diversidade na natureza. A vida é apenas um aspecto disso. A consciência é outro. Um ateu pode aceitar essas leis como um fato bruto, mas para mim elas sugerem algo mais profundo e intencional."

Estava dada a deixa para uma verdadeira enxurrada de físicos-teólogos atacar o assunto em dezenas de publicações semelhantes, como Ian Barbour, Arthur Peacocke, Hugh Ross, Frank Tipler e Gerald Schroeder.


Dessa turma, o mais ativo é o também inglês John Polkinghorne, colega de Hawking no departamento de Física de Cambridge, que - depois de 25 anos de carreira acadêmica brilhante - largou tudo para se ordenar pastor anglicano e escrever seus livros de "cristianismo quântico".

"Eu não abandonei a física porque estava desiludido com ela, muito pelo contrário: continuo acompanhando o assunto com o máximo interesse. Só não faço mais pesquisa científica. Mas boa parte dos meus livros consiste em ensinar física quântica aos leigos", disse ele à SUPER. "Acredito que precisamos de ambas as perspectivas, a científica e a religiosa, para compreender esse mundo admirável em que vivemos."

Alguma transformação radical deve ter ocorrido para que a crença em Deus, assunto que havia se tornado tabu em laboratórios e universidades, renascesse com tanta força. Cem anos atrás, a ciência se projetava como a própria imagem do progresso e da civilização: decifrar todos os mistérios da natureza era só uma questão de tempo. Era como se estivéssemos em um trem, atravessando planícies ensolaradas, com uma visão cada vez mais ampla de tudo que nos cercava. Nós mesmos havíamos nos tornado os senhores do universo. Ninguém necessitava mais de fantasias como "providência divina". Conceitos desse tipo - e entidades sobrenaturais em geral - passaram a ser considerado ou uma infantilização neurótica (Freud) ou um meio das classes dominantes subjugarem os pobres e oprimidos (Nietzche e Marx).

De repente, sumiram de vista as planícies, a luz do sol e os próprios trilhos do trem. Um terremoto, depois outro, haviam nos atirado dentro de um túnel escuro, onde as velhas certezas voltavam a se converter em mistérios. Esses dois cataclismas eram justamente a física quântica e a matemática do caos.

"Ambas teorias mostravam que existe uma imprevisibilidade inevitável espalhada por toda a natureza. Não acho que isso deva ser interpretado como uma infeliz ignorância de nossa parte e sim como sinal de que os processos físicos são muito mais abertos do que a mecânica de Newton sugeria. Quando falo 'abertos', estou querendo dizer que existem outros princípios causais em ação, acima e além das trocas de energia que a física descreve", afirma Polkinghorne.


O físico brasileiro Ricardo Galvão, da Universidade de São Paulo - que se diz "bastante religioso" - completa o quadro: "A partir das equações da mecânica de Newton e da teoria do eletromagnetismo de Maxwell, a ciência clássica dava a impressão de que, conhecendo essas leis matemáticas, conseguiríamos descrever todo o Universo. É o que se chama de conceito determinístico, segundo o qual se acreditava que, conhecendo as condições iniciais de um evento ou sistema, poderíamos prever toda sua evolução futura. Mas já no final do século passado, o matemático e físico francês Henri Poincaré (1854-1912) tocou no problema de que essas condições iniciais nunca são bem conhecidas. Ele mostrou que mesmo a mecânica de Newton não era determinística no sentido que se pensava. Aí, veio a mecânica quântica e introduziu o conceito de que é impossível se conhecer simultaneamente a posição e o movimento de uma partícula. Esse é o Princípio da Incerteza de Heisenberg, que realmente derrubou aquela atitude científica do tipo 'conhecemos tudo e podemos prever o futuro' ".


Foi justamente o Princípio da Incerteza que fez Einstein soltar, em protesto, sua frase mais famosa: "Deus não joga dados!". A imprevisibilidade quântica era demais para ele aceitar. Einstein, como se sabe, falava o tempo todo em Deus - até o dia em que o encostaram na parede e perguntaram se ele acreditava mesmo no Dito Cujo. "Acredito no Deus de Spinoza, que se revela na harmonia e na ordem da natureza, não em um Deus que se preocupa com os destinos e as ações dos seres humanos", respondeu o criador da teoria da relatividade, citando o filósofo holandês do século XVII para quem Deus e o Universo seriam a mesma "substância". Tal entidade, para Spinoza, só poderia ser acessível à mente humana em dois de seus infinitos atributos: o pensamento consciente e o mundo das coisas materiais.

A definição de Einstein decepcionou muita gente - John Polkinghorne, inclusive - por excluir o que costuma se chamar de "Deus pessoal".


Assim, até um ateu convicto como Carl Sagan aceita a divindade. "A idéia de Deus como um gigante barbudo de pele branca, sentado no Céu, é ridícula. Mas se, com esse conceito, você se referir a um conjunto de leis físicas que rege o Universo, então claramente existe um Deus. Só que é emocionalmente frustrante: afinal, não faz muito sentido rezar para a lei da gravidade!", disse o famoso astrônomo americano.

Sagan foi um dos raros cientistas a se declarar ateu. A grande maioria prefere o termo "agnóstico", criado em 1869 pelo biólogo inglês Thomas Huxley - apelidado "buldogue de Darwin" pela sua incansável defesa da teoria da evolução em um dos maiores conflitos da história entre ciência e religião. Há uma grande diferença entre as duas posições: dizer-se ateu é recusar a existência de um Deus, enquanto o agnóstico ("sem conhecimento", em grego) admite que nada sabe sobre dimensões sobrenaturais no Universo - e que o mais provável é que seja impossível superar tal ignorância. É essa combinação exemplar de humildade e a diplomacia - nada a ver com o cão-de-guarda que usaram para batizar Huxley! - que define até hoje a postura de quase todos os cientistas não-religiosos.


Mesmo assim, o americano Allan Sandage - um dos astrônomos mais respeitados mundialmente, hoje com 74 anos - considerava-se ateu com todas as letras, até os 50 anos. Sua conversão ao cristianismo veio de repente, provocada pelo "simples desespero de não conseguir responder só com a razão perguntas como 'por que existe algo ao invés de nada?'."

"Foi o meu trabalho que me levou à conclusão de que o mundo é muito mais complicado do que pode ser explicado pela ciência. Só através do sobrenatural consigo entender o mistério da existência", afirma ele. "A ciência torna explícita a incrível ordem natural, as interconexões em vários níveis entre as leis da física e as reações químicas encontradas nos processos biológicos da vida. Por que será que os elétrons têm todos a mesma carga e a mesma massa? A ciência só pode responder questões bem específicas, do tipo 'o que?', 'quando?' e 'como?'. O seu método de investigação, por mais poderoso que seja, não pode responder ao 'por que?'."

Enxergar Deus na inteligência com que a natureza se organiza - manifesta através de leis matemáticas - não é só a porta de entrada da religião para contemporâneos como Sandage e John Polkinghorne, como uma tradição que vem desde a própria a raiz do conhecimento científico. Nem o ateísmo confesso de Bertrand Russell - lógico, matemático e filósofo reconhecido como um dos pensadores mais brilhantes do século XX - o impediu de valorizar essa linha peculiar de devoção: "A combinação de matemática e teologia, que começou com Pitágoras, caracterizou a a filosofia religiosa na Grécia Antiga, na Idade Média e chegou à modernidade com Kant. Tanto em Platão como em Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Descartes, Spinoza e Leibniz há essa ligação íntima entre religião e razão, entre aspiração moral e admiração lógica do que é atemporal."

Para quem compartilha desse espírito pitágorico, o melhor retrato de Deus já não está nas pinturas de Miguelângelo e sim nas fractais - aquelas imagens geradas por equações matemáticas que estão entre as mais incríveis descobertas relacionadas à teoria do caos. Essa nova geometria, até então oculta na natureza, apareceu - entre as décadas de 60 e 70 - tanto nos estudos de variações climáticas realizadas pelo metereologista Edward Lorenz, quanto nas estatísticas visualizadas em computador pelo matemático Benoit Mandelbrot. O que as fractais tanto mostram que, para alguns, adquire um caráter de revelação divina? Que processos aparentemente irregulares como a ramificação de uma árvore, ou o recorte de uma costa marinha, seguem um desenho-padrão que, por sua vez, obedece uma fórmula matemática.


Mais ou menos na mesma época - começo dos anos 70 - um jovem físico chamado Fritjof Capra estava sentado na praia quando teve uma espécie de êxtase místico, provocado pela visão das ondas em sincronia com sua respiração. O resultado dessa sua experiência está em O Tao da Física, best seller que, apesar de desprezado pela comunidade científica, ajudou a lançar o movimento new age, explorando paralelos entre a física quântica e as principais religiões orientais: hinduísmo, budismo e taoísmo. Não faltam no livro citações dos próprios Werner Heisenberg e Niels Bohr - dois dos pais da mecânica quântica - sobre as afinidades entre suas descobertas e a visão de mundo contida nestas tradições religiosas.

O conceito chinês do tao, destacado no título do livro - algo como fluxo ou ritmo universal - não espelha apenas a "dança cósmica" que Capra vê na física quântica. Pode igualmente ser associado aos padrões da natureza revelados nas fractais. Mas sua inspiração inicial mostra uma das principais limitações da ciência nesse tipo de comparação: ela não pode depender de experiências pessoais e instranferíveis, como o transe de Capra à beira-mar. O físico Guimarães Ferreira, da Unicamp - outro cientista brasileiro religioso - acredita que esse é um bom motivo para não se misturar as duas coisas: "Deus é um Ser que gosta de ser pessoal", diz ele. "É muito mais fácil encontrá-lo em nossas experiências de vida do que no laboratório. O maior pensador do mundo ocidental, Santo Agostinho, já dizia que é mais fácil achar Deus dentro de si do que no mundo exterior."


No outro extremo está o físico Frank Tipler, crente de que a ciência pode - e deve - ser utilizada para provar a existência de Deus, como princípio criador, organizador, onisciente, onipotente etc, como rezam as escrituras. Tipler escreveu todo um livro, The Physics of Immortality (1994), apresentando a versão mais radical de uma visão compartilhada com mais cautela por John Polkinghorne, Paul Davies e os cientistas que apóiam o chamado princípio antrópico - a mais surpreendente teoria dos últimos tempos. Para eles, o modo como o caos espontaneamente gera ordem e todo o cosmo parece conspirar a favor da existência de vida revela atributos divinos como consciência e intenção. A vida, assim, deve ser vista como nada menos que um milagre; e a vida consciente, um milagre maior ainda. O princípio antrópico postula que o Universo foi criado da maneira que nós o percebemos justamente para ser observado por criaturas inteligentes (nós mesmos!) e que é nossa conciência que seleciona uma realidade entre todas as probabilidades quânticas. Não custa lembrar que Brandon Carter, que apresentou pela primeira vez o princípio antrópico em 1973, não é nenhum guru aloprado e sim um cientista respeitadíssimo entre seus pares por suas pesquisas na linha-de-frente da nova física.

Tem mais: a teoria mais aceita para explicar a origem do Universo - a explosão de uma bola de energia - também vale para esses estudiosos como sinal de uma criação intencional e inteligente.


Como diz o próprio astrônomo que batizou essa teoria de Big Bang, o inglês Fred Hoyle: "Uma explosão num depósito de ferro velho não faz com que pedaços de metal se juntem numa máquina útil e funcional!"

E o que teria existido, então, antes do Big Bang? Os físicos são unânimes em dizer que é impossível saber. Enquanto houver mistérios intransponíveis para a mente humana, idéias de divindade não só sobrevivem, como proliferam - e até são atualizadas cientificamente. Quando Stephen Hawking fala de uma "teoria completa" que nos permitiria conhecer a "mente de Deus", está se referindo à busca principal da física no século XX: um modelo que unifique a teoria da relatividade, que explica o movimento dos corpos celestes, e a mecânica quântica, que descreve o outro extremo: energia e matéria no nível subatômico. Aqui reside um dos mais chocantes enigmas quânticos: ondas de energia podem se comportar como partículas de matéria e vice-versa.

A própria mente humana - acreditam psiquiatras, neurologistas e companhia - guarda talvez mais mistérios que o Universo lá fora. Como afirma o físico brasileiro Newton Bernardes, da Unicamp, sem nenhuma crença religiosa: "A ciência depende da linguagem. A religião, não. Ela está no campo do indizível e aí temos que abandonar a razão: só resta a fé. Mas pode existir, sim, conhecimento sem linguagem. Essa é uma limitação da ciência."

Enquanto isso, no Instituto de Física Aplicada da USP, Ricardo Galvão pondera a localização exata de um conhecimento sem linguagem: a criatividade, presente tanto nas artes como na ciência mais exata. "A própria teoria da relatividade, é difícil imaginar como o Einstein chegou a ela - não foi por dedução. Idéias científicas precisam ser formuladas matematicamente, mas na hora surgem muitas vezes de um estalo." E de onde, então, vêm essas magias chamadas intuição e inspiração? Existem hipóteses, é claro, como o inconsciente de Freud. Mas, por enquanto, só Deus sabe!

Fonte: http://super.abril.com.br/superarquivo/2001/conteudo_119121.shtml

Há boas razões para acreditar que Deus existe? - Texto de Howard Kahane


É racional acreditar na existência do Deus padrão? Poderá apresentar-se uma boa razão ou um argumento irresistível a favor da sua existência? Alguns teístas dizem que não e baseiam a sua crença na fé, ou seja, acreditam sem provas ou razões. Outros teístas, pelo contrário, pensam que se podem construir argumentos para provar que o Deus padrão existe.

De fato, muitas espécies de razões foram apresentadas para acreditar em Deus (e as mesmas razões foram expostas para acreditar em deuses diferentes e incompatíveis). Algumas razões são facilmente classificadas de insatisfatórias. Por exemplo, o argumento de que Deus deve existir porque em quase todas as sociedades as pessoas acreditam nele. A aceitação generalizada de uma crença não é, decerto, uma boa razão para a aceitar. Muitas crenças falsas são ou foram quase universais (por exemplo, a de que a Terra é plana). Mais ainda, apesar de a crença num deus ou noutro ser quase universal, não há um deus em que a maioria das pessoas acredite. Como poderia, por exemplo, o fato de algumas pessoas acreditarem num deus crocodilo justificar a crença no Deus cristão? (Lembremos que a grande maioria dos crentes não acredita no Deus cristão).

Falta de razões para acreditar no contrário

Alguns crentes, notando que os agnósticos afirmam que não podemos provar que Deus não existe, seguem outra via. Argumentam que se não podemos provar que Deus não existe, então eles estão autorizados a acreditar que ele existe. Mas os ateus podem virar este argumento do avesso. Podem fazer notar que os agnósticos também afirmam que nós não podemos provar que Deus existe. Logo, se não podemos provar que Deus existe, estamos igualmente autorizados a acreditar que ele não existe. Um método de raciocínio que nos permite “provar” ambos os lados de uma disputa, não prova nenhum. A ausência de prova do contrário não é uma boa razão para acreditar em alguma coisa.

Argumentos cosmológicos

Vários argumentos estreitamente relacionados para a existência de Deus baseiam-se na aparente necessidade de o universo como um todo ter uma causa. Parecem existir três possibilidades. Ou o universo começou a existir por si só ou existiu desde sempre ou, então, foi trazido para a existência por alguma força ou ser extremamente poderoso. Geralmente, aqueles que acreditam em Deus acham incrível que o universo possa ter chegado à existência apenas por si mesmo e igualmente incrível que ele possa ter já existido durante uma quantidade infinita de tempo. Acreditam que um ser extremamente poderoso, Deus, o deve ter criado. Esta é uma das razões que as pessoas dão com mais freqüência para acreditar em Deus.

Os argumentos que tentam provar que deve haver um Deus porque deve haver um criador do universo são chamados de provas cosmológicas da existência de Deus. Em geral são argumentos que tentam provar que tem de haver uma “primeira causa” de todo o universo – nomeadamente, Deus.

O Argumento da Primeira Causa

Os argumentos da primeira causa resultam das nossas observações quotidianas das maneiras pelas quais as coisas ou acontecimentos da vida de todos os dias parecem ser causados para ser ou para ocorrer. Observamos, por exemplo, que pôr açúcar na xícara do café causa a doçura do seu gosto, que pôr água na planta causa o seu crescimento e que riscar um fósforo na presença de oxigênio o faz arder. No entanto, parece impossível explicar a existência de tudo em termos de causa e efeito, porque isso significaria que deveria haver uma série infinita (ou sem fim) de causas, o que parece impossível.

Eis uma maneira pela qual estas idéias têm sido usadas para argumentar a favor da existência de Deus:

1. Na vida de todos os dias, descobrimos que tanto os objetos como os acontecimentos são causados por outros (tal como o crescimento das plantas é provocado pela absorção de nutrientes).
2. Mas uma série infinita de causas desse tipo é impossível porque então não haveria uma primeira causa, e, portanto, não haveria uma segunda, terceira, etc.
.∙. 3. Logo, deve haver uma primeira causa: Deus. [1]

Objeções ao argumento da Causa Primeira

Em termos aproximados, podemos dizer que um argumento é conclusivo (deve persuadir-nos a aceitar a respectiva conclusão) apenas se satisfaz duas condições: [2]

1. As suas premissas são aceitáveis ou estão justificadas.
2. As suas premissas (justificadas) fornecem provas ou razões suficientes para justificar a aceitação da conclusão (neste caso o argumento é dito válido).

Muitas pessoas que rejeitam o argumento da primeira causa acreditam que argumentos deste tipo (com freqüência chamados de metafísicos – ver Capítulo 6 para mais sobre a metafísica) sofrem todos de um de dois defeitos: ou as suas premissas são tão inaceitáveis ou questionáveis como as suas conclusões; ou as respectivas conclusões não se seguem validamente das premissas. Por exemplo, uma objeção levantada contra o argumento da primeira causa é o de que a segunda premissa não é aceitável (quase todas as pessoas aceitam a sua primeira premissa). Os matemáticos em particular têm argumentado a favor da possibilidade de séries infinitas de eventos ou causas em termos técnicas e alguns filósofos têm aceitado o seu raciocínio. [3]

Suponhamos, no entanto, que rejeitamos a idéia de que pode haver uma série infinita de causas, de tal modo que ambas as premissas do argumento da causa primeira se tornam aceitáveis. Apesar disso o argumento ainda falharia em ser válido e, portanto, a aceitação da sua conclusão também não se justificaria.

Em primeiro lugar, o argumento apenas provaria que cada a série de causas tem uma causa primeira ou incausada, mas não prova que todas as causas sejam parte de uma série única de causas que tenha a única primeira causa, porque é possível que nem todas as causas sejam partes de uma série única de causas. Por outras palavras, o argumento provaria que há uma ou mais causas primeiras, mas não que exista apenas uma.

Em segundo lugar, apenas provaria, no melhor dos casos, que a primeira causa existe, não que essa primeira causa seja Deus. Em vez disso, a primeira causa poderia ter sido o Diabo (um candidato plausível, dada a natureza do universo). E mesmo que o argumento tivesse provado que a primeira causa tinha de ser um deus, não provaria que ele tivesse de ser o seu Deus (se for um crente) ou um deus que encaixasse na imagem padrão que os cristãos, judeus ou muçulmanos têm de Deus. Poderia ser qualquer um dos milhares de deuses diferentes em que os seres humanos acreditam ou, talvez, um em que um ser humano nunca tenha pensado. De fato, o argumento da primeira causa abre a possibilidade de que tenha existido um Deus que criou o universo (ou talvez muitos deuses), mas que agora Deus esteja morto.

Qual é a causa da existência de Deus?

Para além das duas objeções que acabamos de levantar contra o argumento da primeira causa, há uma objeção geral a todas as espécies de provas cosmológicas da existência de Deus. Lembremos que a força do argumento cosmológico reside na idéia de que não é plausível pensar que o universo tenha brotado para a existência apenas por si mesmo. Por outras palavras, parece a muitos crentes que uma coisa tão grandiosa como o universo requer, como seu criador, um ser que seja pelo menos tão grandioso.

Mas esta linha de raciocínio põe-nos em apuros. Se um universo requer um deus para explicar a sua existência, o que explica a existência do próprio Deus? Da mesma maneira, ou Deus existiu desde sempre ou apenas apareceu ou então deve ter tido uma causa. No entanto, é tão implausível pensar que Deus sempre existiu ou que tenha simplesmente surgido, como pensar que também foi assim com o universo. O próprio raciocínio que nos leva a propor um deus como causa do universo deve levar-nos a propor um supradeus como sendo a causa de Deus. E, claro, o supradeus também precisa de uma causa, o suprasupradeus e assim infinitamente.

Portanto, sejam quais forem as voltas que dermos, o que obtemos no fim é igualmente implausível. É tão implausível um deus incausado como um universo incausado, e é tão incrível uma série infinita de causas como uma série infinita de deuses.

Em resumo, podemos desafiar as provas cosmológicas da existência de Deus de, pelo menos, três maneiras importantes. Primeiro, podemos desafiar a idéia de que uma série infinita de causas não seja possível. Segundo, podemos questionar a validade da conclusão de que há apenas uma primeira causa e de que a primeira causa seja Deus. Terceiro, podemos defender que qualquer deus proposto como primeira causa para explicar o universo precisa tanto de uma causa como o próprio universo e, assim, o argumento, se provar a existência de um deus, provará a existência de uma série infinita de deuses.

Os argumentos cosmológicos tentam explicar a existência do universo postulando um criador. Outros argumentos concluem por um deus, não para explicar o universo como um todo, mas apenas para explicar alguns dos seus aspectos, tais como a existência do bem ou o fato de o universo ser ordenado em vez de ser caótico.

O Argumento do Desígnio

O Argumento do Desígnio (também conhecido como Argumento Teleológico) parte do fato de que o universo comporta toda a espécie de padrões ou de regularidades, tão diferentes como os intrincados padrões dos flocos de neve, a lei da atração universal e a maravilhosa complexidade do corpo humano. Algumas espécies de ordem (como, por exemplo, a ordem num mecanismo de um relógio de pulso ou na construção de uma represa por um castor) são explicadas pelo homem ou por outros animais. Mas muitas regularidades não podem ser explicadas dessa maneira; por exemplo, a ordem dos cristais ou a constância do ponto de fusão de cada uma das diferentes espécies de elementos. O argumento do desígnio postula um deus para explicar essas espécies de ordem que não são explicadas de outra maneira. Eis uma versão do argumento do desígnio:

1. Há ordem no universo.
2. Mas a ordem não pode existir sem desígnio. (Isto é, sem um projetista).
.∙. 3. Logo, deve haver um projetista: Deus.

A força psicológica e apelativa do argumento é óbvia. A estonteante e maravilhosa complexidade de algo como o corpo humano parece gritar por um projetista – um ser que calculou como funcionaria e depois o compôs. Nem a teoria da evolução satisfaz esta necessidade, dado que os detalhes de tais teorias dependem de leis da física e da química que, elas mesmas, exibem maravilhosas regularidades. No entanto, o argumento tem falhas sérias ou mesmo fatais.

Objeções ao Argumento do Desígnio

A objeção mais óbvia é a de que, no melhor dos casos, o argumento do desígnio apenas prova que há um projetista e não um Deus padrão, tal como o argumento da causa primeira apenas provaria que há uma primeira causa. O projetista, claro, não precisa de ser um Deus padrão; poderia muito bem ser o diabo, muitos deuses, um outro deus ou, talvez, um deus já falecido. Mas o argumento do desígnio nem sequer prova tanto porque a sua segunda premissa (a de que a ordem nem poderia existir sem um ordenador) é duvidosa, para não dizer pior. Por que assumir que a ordem não pode existir sem um organizador?

Afirma-se muitas vezes que podemos justificar a existência de um projetista por um método chamado indução. (Mais será dito sobre a indução no capítulo 3.) Verifica-se que muitas coisas que manifestam ordem (relógios de pulso, por exemplo) foram deliberadamente compostas por projetistas humanos ou animais. Já vimos muitos relógios que sabemos que são projetados por humanos, mas nunca vimos um que, sendo investigado, provasse não ter sido assim projetado. Portanto, se agora nós descobrirmos um relógio de pulso na areia de uma praia deserta, assumimos (por indução) que ele também foi projetado por humanos.

Flocos de neve, as leis da natureza e o corpo humano manifestam ordem (apesar de, claro, nunca termos visto um projetista, humano ou não, a projetá-los). Sabemos, claro, que os seres humanos (ou noutros animais) não podem tê-los ordenado, pelo que concluímos, por indução, algum organizador não animal, nomeadamente Deus, deve tê-los feito assim.

Mas esta conclusão não está justificada. Quando concluímos por indução que o relógio de pulso encontrado na areia não se ajeitou sozinho ou que não apareceu completo por acidente, e que, portanto, deve ter sido projetado por seres humanos, estamos seguros. O nosso argumento assemelha-se a isto:

1. Já foram observados muitos relógios de pulso, e todos os que foram examinados foram projetados por humanos.
.∙. 2. Este relógio deve ter sido projetado por seres humanos.

Podemos, inclusive, argumentar em termos mais gerais e, portanto, de uma maneira mais poderosa, assim:

1. Muitos dispositivos mecânicos foram já observados, e de todos os que foram examinados se concluiu que foram projetados por humanos.
.∙.2. Este dispositivo mecânico (que, por acaso, é um relógio de pulso) deve ter sido projetado por seres humanos.

Notemos agora quão mais geral um argumento teria de ser para nos levar até um projetista de flocos de neve, leis da natureza ou seres humanos:

1. Muitas das coisas organizadas têm sido observadas e de todas as que foram examinadas se concluiu que foram projetadas por humanos.
.∙. 2. Esta coisa organizada (que, por acaso, é um floco de neve, uma lei da natureza ou um ser humano) deve ter sido projetada por um projetista.

O argumento é claramente defeituoso porque a sua premissa é obviamente falsa. Há um grande número de coisas ordenadas para as quais não descobrimos um projetista ou um organizador – flocos de neve, arco-íris, cristais e seres humanos são alguns. (Se há um deus que projetou todas essas coisas, então, para observarmos o projetista de flocos de neve a trabalhar, teríamos de apanhar Deus no ato de os amoldar a partir de H20, ou, talvez, de o apanhar no ato de criar as leis da física de que resulta que H20 se compõe a si mesmo em flocos de neve).

O ponto é o de que as coisas que manifestam ordem parecem cair em duas classes distintas: aquelas que nós (ou outros animais) ordenaram; aquelas que não ordenamos. Já verificamos e encontramos muitos itens da primeira classe que são projetados por humanos. Mas nunca encontramos um projetista para um só membro da segunda classe. Portanto, não estamos autorizados a concluir por indução que toda a ordem implica um organizador ou um projetista, logo o argumento pelo desígnio não pode ser apoiado pelo raciocínio indutivo. Se estamos prontos para o aceitar, devemos estar a fazê-lo sem razão, isto é, pela fé.

A aposta de Pascal

O grande matemático e filósofo francês, Blaise Pascal (1632-1662), argumentou pela existência de Deus de maneira algo diferente:

“Deus existe ou Deus não existe... Que apostarás tu? De acordo com a razão, não poderás fazer nem uma coisa nem outra; de acordo com a razão não poderás defender nenhuma das opções... mas deves apostar. [E quanto à] tua felicidade? Pesemos ganhos e perdas apostando que Deus existe... Se ganhares (a aposta), ganhas tudo; se perderes, não perdes nada. Aposta então, sem hesitação, que Ele existe.” [4]

A base da aposta de Pascal parece ser esta: devemos apostar (acreditar) em que Deus existe ou em que Deus não existe. Se Deus não existe, aquilo em que apostarmos fará pouca diferença. Mas se ele existir, fazemos um grande negócio. Assim, a pessoa esperta ou sensata apostará (acreditará) que Deus existe.

Objeções à aposta de Pascal

Em primeiro lugar, Pascal está enganado na sua crença de que devemos apostar contra ou a favor da existência de Deus. Podemos optar por permanecer nas margens como faz o agnóstico. Claro que nesse caso podemos perder o prêmio, se houver um prêmio, por termos apostado incorretamente. Mas Pascal não pode provar que há tal prêmio.

Em segundo lugar, a aposta não é tão simples como Pascal pensou porque há um número indefinido de possíveis criadores. O Deus cristão padrão em quem Pascal apostou é apenas um deles. Assim, o número de possibilidades para apostar é muito maior do que duas e jogadores racionais não têm a possibilidade de escolher mesmo que queiram escolher um Deus ou outro. Por outras palavras, se a aposta de Pascal faz sentido, será tão razoável apostar num deus lua ou deus sol como no Deus dos Judeus, Cristão ou Muçulmano.

E, finalmente, não há nenhuma prova ou razão para supor que ganhamos um prêmio se apostarmos no Deus que de fato exista. Porque não podemos assumir sem razões que Deus recompense os crentes ou que puna os descrentes. (De fato, em última análise o próprio Pascal apelou à revelação ou fé). Pelo contrário, as intuições de muitos de nós dizem precisamente o contrário, talvez porque quando nos tentamos pôr no lugar de Deus, percebemos que estaríamos inclinados a olhar a crença baseada na aposta de Pascal como sendo hipócrita. Deus, se existir, pode impressionar-se bem mais com a honestidade daqueles que não conseguiram apostar (acreditar) na ausência de provas do que com aqueles que acreditam porque pensam que é prudente fazê-lo.

[1] O símbolo .∙. é habitualmente usado para indicar que se segue a conclusão. As afirmações que precedem este signo são as premissas do argumento e a afirmação que se lhe segue a conclusão.
[2] Uma terceira (e discutida) condição, não pertinente neste caso, é a de que devemos usar toda a informação relevante.
[3] Ver, por exemplo, Hans Reichenbach, The Rise of Scientific Philosophy (Berkeley, Calif.: University of California Press, 1951), pp. 207-8.
[4] Blaise Pascal, Pensées, Everyman's Library (1958).

Original: Thinking About Basic Beliefs, Wadsworth, Belmont, 1983, pp. 3-7 e 10-12

Fonte: http://ateus.net/artigos/critica/ha_boas_razoes_para_acreditar_que_deus_existe.php

Será que existe Deus? - Texto de Emil Brunner


Se alguém pergunta nestes termos, só é possível responder como aquele sábio grego, ao qual curiosos perguntaram, assim, por Deus: Silenciou. Esta é a única resposta cabível a perguntas da curiosidade: "Existe um Deus? Estou curioso por saber se existe ou não". Convinha, talvez, retrucar: Não, Deus não "existe". Existe a cordilheira do Himalaia, existe o planeta Urano, existe o elemento rádio, existem, enfim, todas aquelas coisas de que falam as enciclopédias. Mas, Deus não "existe", ou, em outras palavras: Deus não existe para os curiosos. Deus não é um objeto da ciência, não é algo que possamos incorporar ao nosso patrimônio de sabedoria, como o filatelista adquire e inclui em sua coleção uma estampilha rara, para dizer: Ali está, a mais linda, a mais preciosa de todas. Deus não é algo nesse mundo, quiçá o maior dos seres ou o maior dos habitantes da Terra. Deus não está no mundo, pelo contrário, o mundo está em Deus. Se respondêssemos à tua pergunta: "Sim, Deus existe", irias para casa enriquecido, apenas, por mais uma ilusão. Haverias de pensar: Deus também é algo daquilo que "existe". Precisamente isso ele não é, se é verdadeiramente Deus. Ele nunca é algo ao lado ou entre outras coisas. Não há algo congênere com o que existe. Montanhas, planetas e elementos são objetos da ciência; mas Deus não. Porque Deus é a causa de que há algo para conhecer e saber. Sem Deus nada existiria. Sem Deus nada poderíamos saber. Só é possível saber algo porque Deus é. Só é possível perguntar por Deus, porque ele já é o autor secreto da pergunta. Senão vê. Se perguntares, sinceramente, por Deus, não como curioso, não qual filatelista espiritual, mas sim, aflito, de coração angustiado, acuado pelo medo de que poderia não haver um Deus, e, consequentemente, tudo ser em vão e a vida toda um grande absurdo, se perguntares assim por Deus, já sabes em princípio que ele vive. Não poderias perguntar, assim, pelo Altíssimo sem saber algo dele. Queres que haja Deus, porque do contrário tudo é absurdo. Teu coração, efetivamente, já sabe de Deus, porque, do contrário, o mal não seria mau e o bem não seria bom; seria tudo o mesmo. Não há dúvida, sabes que Deus é, por saberes que o bem e o mal não devem ser iguais. Talvez duvides da existência de Deus em face das muitas injustiças que há no mundo. Ainda não notastes que, duvidando, crês em Deus? Que a justiça esteja com a razão e não com a injustiça, não é outro postulado que esse: Há um Deus. Teu coração protesta contra a injustiça, porque conhece a Deus. Quando perguntas por Deus, ele já está à tua retaguarda e faz com que possas perguntar assim.



Não é o coração apenas; a natureza também nos fornece indícios de Deus. Nunca vi que o acaso criasse ordem, que do acaso surgisse algo de lógico, harmonioso e até artístico. Não é crendice crer que Deus criou o mundo; mas demonstra falta de absoluta falta de critério e juízo quem acredita que o olho humano, a constituição de um inseto ou um campo florido nada mais sejam do que obras do acaso. Quem vê um muro, logicamente deduz: Mãos humanas empilharam essas pedras, não o acaso. Milhões de vezes mais complicada e artística é a constituição da retina do olho. Ignorar ou desconsiderar esse fato é tudo, menos prova de inteligência.

A pergunta "Existe Deus?" é, mais precisamente, uma enfermidade psicológica. Quase diria que é pergunta de um louco, de uma pessoa que não pode mais ver as coisas na sua simplicidade, sobriedade e clareza. Mas algo dessa loucura está passando por todo o mundo, e nós todos sentimos suas conseqüências. Pode-se dizer, no entanto, que estamos sofrendo de uma loucura nova. Até à nossa era os homens -- pelo que conhecemos de nossa história -- não perguntaram: "Existe um Deus?" e sim: "Como é Deus?" Pelo que parece, os sucessos da ciência e da técnica nos subiram à cabeça, perturbaram nossos sentidos. Achamos que tudo deve ser explicado pela razão e o que não somos capazes de realizar com nossa razão, seria acaso. Consideramo-nos os únicos a fazer ordem e algo de artístico no mundo, não percebendo sequer que, para realizar algo de artístico, precisamos de um cérebro maravilhoso e mãos artísticas que certamente, não criamos nós mesmos. Perguntar "Existe Deus?" é fugir da seriedade. Onde há seriedade, sabe-se: O bem não é igual ao mal, nem o mal igual ao bem. Justiça e injustiça são coisas diversas. Deve-se fazer o que é justo, deve-se evitar o que é injusto. Há uma ordem sagrada, à qual estamos sujeitos, querendo ou não. A seriedade é o respeito à voz da consciência. Se não há Deus, então a consciência é um mero hábito arcaico e primitivo, que para nós nada vale. Se não há Deus, então cesse com o esforço em prol de uma vida justa. Tudo dará no mesmo: canalha ou santo. Mas isso são, apenas, delírios. Não temos com que segurar quem fala assim: que vá o seu caminho.


Mesmo assim, -- se há Deus, por que é preciso perguntar por ele? Nosso coração não se desfaz da questão. Sabe de Deus, mas nada com certeza. Nossa consciência nos fala de Deus, mas sem clareza. Nossa razão atesta Deus, e, mesmo assim, não sabe quem ele é. O mundo aponta para Deus como que com milhões de dedos -- mas não nos pode mostrá-lo. Que é Deus, que pretende conosco, que deseja de nós, qual o seu plano para com o mundo? Só poderíamos conhecer bem a Deus, se ele a nós se revelasse. A razão, a consciência e a natureza com suas maravilhas nos afirmam que há um Deus, mas não nos explicam quem ele é. Ele mesmo no-lo diz em sua revelação.

Editora Sinodal. Nossa Fé, pag. 9 em diante.

Fonte: http://www.geocities.com/projetoperiferia/Deus.htm

Deus existe? - Texto de Rubem Alves


De vez em quando alguém me pergunta se eu acredito em Deus. E eu fico mudo, sem dar resposta, porque qualquer resposta que desse seria mal entendida. O problema está nesse verbo simples, cujo sentido todo mundo pensa entender: acreditar. Mesmo sem estar vendo, eu acredito que existe uma montanha chamada Himalaia, e acredito na estrela Alfa Centauro, e acredito que dentro do armário há uma réstia de cebolas... Se eu respondesse à pergunta dizendo que acredito em Deus, eu o estaria colocando no mesmo rol em que estão a montanha, a estrela, a cebola, uma coisa entre outras, não importando que seja a maior de todas.Era assim que Casemiro de Abreu acreditava em Deus, e todo mundo decorou e recitou o seu poema teológico:

"Eu me lembro... Era pequeno... O mar bramia, e erguendo o dorso altivo sacudia a branca espuma para o céu sereno. E eu disse à minha mãe naquele instante:
'Que dura orquestra
Que furor insano
Que pode haver maior que o oceano ou mais forte que o vento?
'Minha mãe a sorrir olhou para os céus e respondeu:
'Um Ser que nós não vemos
É maior que o mar que nós tememos, é mais forte que o tufão, meu filho: é Deus.'"


Ritmos e rimas são perigosos porque, com freqüência, nos levam a misturar razões ruins com música ruim. Deixados de lado o ritmo e as rimas, o argumento do poeta se reduz a isso: Deus é uma "coisona" que sopra qual ventania enorme, e um marzão que dá muito mais medo que esse mar que está aí. Ora, admito até que coisona tal possa existir. Mas não há argumento que me faça amá-la. Pelo contrário, o que realmente desejo é vê-la bem longe de mim. Quem é que gostaria de viver no meio da ventania navegando num mar terrível? Eu não...

É preciso, de uma vez por todas, compreender que acreditar em Deus não vale um tostão furado. Não, não fiquem bravos comigo. Fiquem bravos com o apóstolo Tiago, que deixou escrito em sua epístola sagrada: "Tu acreditas que há um Deus. Fazes muito bem. Os demônios também acreditam. E estremecem ao ouvir o Seu nome..." (Tiago 2,19). Em resumo, o apóstolo está dizendo que os demônios estão melhor do que nós porque, além de acreditar, estremecem... Você estremece ao ouvir o nome de Deus? Duvido. Se estremecesse, não o repetiria tanto, por medo de contrair malária...


Enquanto escrevo, estou ouvindo a sonata Appassionata, de Beethoven, a mesma que Lenin poderia ouvir o dia inteiro, sem se cansar, e o seu efeito era tal que ele tinha medo de ser magicamente transformado em alegria e amor, sentimentos incompatíveis com as necessidades revolucionárias (o que explica as razões por que ativistas políticos geralmente não se dão bem com música clássica). Se eu pudesse conversar com o meu cachorro e lhe perguntasse: Você acredita na Appassionata? - ele me responderia: Pois é claro. Acha que eu sou surdo? Estou ouvindo. E, por sinal, esse barulho está perturbando o meu sono.Mas eu, ao contrário do meu cachorro, tive vontade de chorar por causa da beleza. A beleza tomou conta do meu corpo, que ficou arrepiado: a beleza se fez carne.

Mas eu sei que a sonata tem uma existência efêmera. Dentro de poucos minutos só haverá o silêncio. Ela viverá em mim como memória. Assim é a forma de existência dos objetos de amor: não como a montanha, a estrela, a cebola, mas como saudade. E eu, então, pensarei que é preciso tomar providências para que a sonata ressuscite de sua morte...

Leio e releio os poemas de Cecília Meireles. Por que releio, se já os li? Por que releio, se sei, de cor, as palavras que vou ler? Porque a alma não se cansa da beleza. Beleza é aquilo que faz o corpo tremer. Há cenas que ela descreve que, eu sei, existirão eternamente. Ou, inversamente, porque existiam eternamente, ela as escreveu.


"O crepúsculo é este sossego do céu
com suas nuvens paralelas
e uma última cor penetrando nas árvores
até os pássaros.
E esta curva de pombos, rente aos telhados,
e este cantar de galos e rolas, muito longe;
e, mais longe, o abrolhar de estrelas brancas,
ainda sem luz."

Que existência frágil tem um poema, mais frágil que a montanha, a estrela, a cebola. Poemas são meras palavras, que dependem de que alguém as escreva, leia, recite. No entanto, as palavras fazem com o meu corpo aquilo que universo inteiro não pode fazer.


Fui jantar com um rico empresário, que acredita em Deus, mas me disse não compreender as razões por que puseram o retrato da Cecília Meireles, uma mulher velha e feia, numa cédula do nosso dinheiro. Melhor teria sido retrato da Xuxa. Do ponto de vista da existência ele estava certo. A Xuxa tem mais realidade que a Cecília. Ela tem uma densidade imagética e monetária que a Cecília não tem e nunca quis ter. A Cecília é um ser etéreo, semelhante às nuvens do crepúsculo, à espuma do mar, ao vôo dos pássaros. E, no entanto, eu sei que os seus poemas viverão eternamente. Porque são belos. A Beleza é entidade volátil - toca a pele e rápido se vai.

Pois isso a que nos referimos pelo nome de Deus é assim mesmo: um grande, enorme Vazio, que contém toda a Beleza do universo. Se o vaso não fosse vazio, nele não se plantariam as flores. Se o copo não fosse vazio, com ele não se beberia água. Se a boca não fosse vazia, com ela não se comeria o fruto. Se o útero não fosse vazio, nele não cresceria a vida. Se o céu não fosse vazio, nele não voariam os pássaros, nem as nuvens, nem as pipas...

E assim, me atrevendo a usar a ontologia de Riobaldo, eu posso dizer que Deus tem de existir. Tem Beleza demais no universo, e Beleza não pode ser perdida. E Deus é esse Vazio sem fim, gamela infinita, que pelo universo vai colhendo e ajuntando toda a Beleza que há, garantindo que nada se perderá, dizendo que tudo o que se amou e se perdeu haverá de voltar, se repetirá de novo. Deus existe para tranqüilizar a saudade.


Posso então responder à pergunta que me fizeram. É claro que acredito em Deus, do jeito como acredito nas cores do crepúsculo, do jeito como acredito no perfume da murta, do jeito como acredito na beleza da sonata, do jeito como acredito na alegria da criança que brinca, do jeito como acredito na beleza do olhar que me contempla em silêncio. Tudo tão frágil, tão inexistente, mas me faz chorar. E se me faz chorar, é sagrado. É um pedaço de Deus... Dizia o poeta Valéry: Que seria de nós sem o socorro daquilo que não existe?

(Correio Popular, 13/04/1997)

Fonte: http://www.rubemalves.com.br/deusexiste.htm