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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O Carnaval não pode parar, mas você pode morrer

por Cleiton Heredia


O Brasil é um país cheio de contrastes absurdos e vergonhosos. Por aqui algumas pessoas sabem protestar veementemente contra os dirigentes de seu time de futebol, mas não demonstram o mesmo ímpeto quando seus dirigentes governamentais cometem verdadeiros descalabros contra a nação.

Eu nunca vi tamanha eficiência, por um lado:

No dia 07/02/2011 um incêndio consumiu parte da Cidade do Samba, na zona portuária do Rio de Janeiro, destruindo fantasias e carros alegóricos de três grandes escolas de samba. Imediatamente, no dia seguinte, a prefeitura do Rio anunciava ajuda financeira de 2,5 milhões para as escolas de samba afetadas pelo incêndio para que as agremiações possam aprontar, de forma emergencial, seus desfiles para o Carnaval.

Enquanto, por outro lado:

- Hospitais públicos esperam há meses pelo conserto de equipamentos de primeira necessidade;
- Escolas aguardam a troca de móveis e equipamentos em estado deplorável;
- Postos de Saúde carecem por medicamentos importantes para a população;
- A Segurança Pública suplica por equipamentos mais eficientes e modernos;
- O Transporte Público está defasado em relação à demanda;
- O Saneamento Básico ainda não chegou a diversas comunidades carentes;
- O Sistema de Saúde público ainda obriga muitas pessoas a esperarem e morrerem na fila enquanto aguardam uma consulta, exame ou cirurgia;
- Nas escolas públicas de diversas localidades não existem vagas suficientes para atender todas as crianças da região;
- Os policiais são mal remunerados;
- Muitos ainda moram em situações de risco por falta de uma política de habitação adequada às necessidades da maior parte da população brasileira.

Mas tudo bem se você morrer por falta de atendimento adequado em um hospital público, ficar amassado todos os dias dentro de um transporte público, for assaltado uma vez por mês, ver o seu filho recebendo uma péssima qualidade de ensino e estiver morando debaixo da ponte, pois o mais importante é que o carnaval não pode parar!

Eu sinto cada vez mais...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Geração F (Geração Facebook)

por Cleiton Heredia


Há um tempo atrás publiquei uma série de postagens intitulada Conflito de Gerações aonde procurei escrever sobre as principais características de cada geração desde os anos de 1925 até os dias atuais. As gerações apresentadas foram as seguintes:

1) Geração Silenciosa (1925-1945)
2) Geração Baby Boomer (1946-1964)
3) Geração X (1965-1980)
4) Geração Y (1980-1990)
5) Geração Z (após 1990)

Lendo um interessante artigo de Gary Hamel, que tem uma coluna no Wall Street Journal, deparei-me com a existência de uma "nova" geração, a Geração F ou Geração Facebook.

Na verdade, esta Geração F nada mais é do que uma especialização da própria Geração Z, porém com a característica distinta de ser uma geração de crianças e jovens que crescem se relacionando através das redes sociais online.

Existem centenas destas redes de relacionamento espalhadas pela internet, sendo que as mais famosas e utilizadas mundialmente são: Facebook, Orkut, Myspace e Twitter. Segundo estudos recentes, no Brasil o ranking Top 10 das redes sociais por números de usuários ativos é o seguinte:

1. Orkut – 26 milhões
2. Youtube – 20 milhões
3. Twitter – 9.8 milhões
4. Facebook – 9.6 milhões
5. Yahoo Respostas – 5.5 milhões
6. Flickr – 3.5 milhões
7. Ning – 3 milhões
8. Sonico – 2 milhões
9. Myspace – 1,5 milhão
10.LinkedIn – 1,5 milhão

É interessante perceber que o Youtube é classificado como uma rede social, muito embora alguns apenas o vejam como um lugar para armazenar e assistir vídeos. Segundo a teoria de Boyd e Ellison, um site é considerado uma rede social quando oferece ao usuário a capacidade de criar um perfil, exibe a rede de cada usuário e oferece a capacidade de compartilhamento de informações.

E como não podia ser diferente, este "boom" das redes sociais online está por sua vez moldando a forma de pensar e agir de toda uma geração com algumas características bem distintas. Gary Hamel apresenta 12 características destes nativos digitais:

1- Todas as ideias competem no mesmo patamar. As ideias na web são seguidas e não impostas, ganham tração de acordo com o seu mérito e não por poderes políticos ou por serem patrocinadas.

2- Contribuição conta mais do que a credencial. Quando você coloca um vídeo no You Tube ninguém pergunta se você fez curso de cinema. Na web não importa sua posição, currículo ou título acadêmico, importa o conteúdo e criatividade.

3- Hierarquias são naturais, não impostas. Em um fórum de discussão aqueles que contribuem com as respostas mais resolutivas e inteligentes ganham mais respeito de seus colegas. A hierarquia nasce de baixo para cima.

4- Líderes servem, não presidem. Não existe poder formal, o papel do "líder online" é servir a comunidade.

5- As tarefas são escolhidas, não impostas. As pessoas que escolhem escrever em um blog, trabalhar em um projeto open-source ou participar de fóruns de discussão, o fazem por escolha própria.

6- Grupos se auto definem e se auto organizam. Podemos nos relacionar e acompanhar somente aquelas pessoas e/ou empresas que escolhemos. Sabe aqueles "colegas" de trabalho que você precisa conviver diariamente em reuniões ou projetos? Na web isso não existe.

7- Recursos são atraídos, não alocados. Online, o esforço humano é atraído por projetos que façam sentido para o indivíduo. Os recursos não são alocados de maneira política e hierárquica. A web, é uma economia de mercado onde milhões de pessoas escolhem como e aonde irão gastar o seu tempo e atenção.

8- O poder vem através do compartilhamento de informação, não da mentalidade de escassez. Para ganhar influência e status online, você precisará doar seu conteúdo e conhecimento.

9- As opiniões se acumulam e as decisões são julgadas pelos seus colegas. A sabedoria das multidões chega ao seu ápice no universo online. As ideias ganham seguidores e esse movimento pode causar disruptura em instituições offline.

10- Os usuários podem vetar muitas das políticas decididas. Você pode ter criado e desenvolvido a comunidade online, mas os usuários é que são os donos.

11- As recompensas intrínsecas possuem mais valor. Dinheiro é ótimo mas não deixe de levar em conta o reconhecimento e prazer de construção de algo que faça sentido para as pessoas.

12- Hackers são heróis. As comunidades online tendem a seguir aqueles que possuem uma visão anti-autoritária e transgressora.

Educadores, Escolas e Empresas precisam estar atentos a essas características que estão no DNA social da Geração F. Não adianta querer remar contra a maré tentando impor sistemas antiquados de gestão e ensino, pois dificilmente conseguirão com eles conquistar e satisfazer os anseios desta geração que tem cada vez mais dificuldade em se realizar na "terra do cubículo".

domingo, 15 de agosto de 2010

Educação de Filhos

contribuição: Marcelo Heredia

A maioria das pessoas considera hoje em dia que “pegar pesado” com as crianças seja inapropriado.

Eu tenho usado outros métodos para controlar meus filhos quando ocorre "um daqueles dias". E um método em especial tem se mostrado muito eficiente. Ele consiste simplesmente em levar a criança para dar uma volta de carro.

Durante o tempo que dura a volta, não nos falamos. Com isto dou-lhe tempo para que ele reflita sobre seu comportamento.

Não sei se são as suaves vibrações do veículo que os relaxa, ou simplesmente o fato da criança ficar distante por um tempo das suas distrações habituais: TV, videogame, computador, etc. O que sei é que meus filhos, depois da volta de carro, ficam muitíssimo mais tranqüilos.

Creio que o contato visual que temos durante todo o tempo é o que realmente consegue estes resultados tão bons.

Clique logo abaixo para visualizar a foto que tirei num desses passeios. Se quiser pode utilizar a técnica. Garanto que funciona!

Foto do Passeio

sábado, 30 de janeiro de 2010

Conflito de Gerações (5ª Parte)

Cleiton Heredia

A Geração Z (após 1990)


Neste grupo de garotos e garotas todos estão com menos de 20 anos, porém podemos dizer as características peculiares desta geração percebem-se mais nitidamente naqueles que hoje estão entre os 12 e 16 anos (os filhos mais novos da Geração X).

A Geração Z, um termo repudiado por alguns especialistas, não somente é a sequência lógica depois da Geração Y, mas vem também de “Zapping” que em português poderíamos traduzir por “Zapear” que significa a ação de ficar trocando constantemente o canal da televisão. Esta geração não se estressa nem por um minuto de ficarem zapeando entre as múltiplas tecnologias. Eles se sentem muito à vontade com todo este “Zig-Zag” incessante e muitas vezes simultâneo onde ligam ao mesmo tempo a televisão, o rádio, o vídeo-game, o celular e o iPod, enquanto navegam na internet e estudam para uma prova (seus pais da Geração X não entende como eles conseguem tal proeza).


Esta geração não conheceu um mundo sem todas estas maravilhas tecnológicas pós-modernidade e por isto não conseguem imaginar como seria possível viver sem internet, telefones celulares touch screen que tiram fotos, computadores multimídia super velozes, iPods com Gigas de armazenamento, videogames com gráficos exuberantes, televisores e vídeos em alta definição e outras tantas novidades neste ramo que diariamente estão surgindo.


Como basicamente vivem uma parte significativa do seu tempo num mundo virtual e podem ir para onde quiserem através da internet, esta geração não vê limites para suas "andanças" e não se apegam às fronteiras geográficas. Porém, se a vida no mundo virtual é fácil, rápida e sem restrições, muitas vezes a vida no mundo real acaba sendo prejudicada pelo não desenvolvimento de habilidades em relacionamentos interpessoais (ouvem pouco e falam menos ainda). Existe a tendência de viverem no virtual aquilo que a vida real não permite.


Uma outra característica desta geração relacionada diretamente ao rápido avanço tecnológico é a "obsolescência". Como um aparelho de última geração hoje pode estar obsoleto e questão de meses, os jovens da Geração Z são condicionados a não dar muito valor para as coisas e constantemente estão querendo substituir seus aparelhos ainda funcionais por outros cada vez mais modernos (a facilidade com que trocam de aparelhos celulares é um exemplo clássico).


O grande desafio desta geração está em saber como administrar a verdadeira "enxurrada de informação" facilmente disponível em tempo real. Como o "deus internet" (ou seria "deus Google"?) parece ser onisciente, amigável e completamente acessível, não existem limites para aquilo que querem conhecer. Por isto se torna imprescindível que aprendam o quanto antes a separar o trigo do joio, e este desafio não se resolve com tecnologia, mas com uma consciência advinda da maturidade. Os educadores de hoje precisam estar atentos para esta realidade e atuarem como agentes catalisadores desta consciência ao invés de repressores do inevitável.


Enquanto a Geração Y acredita piamente em carreira profissional conquistada com base nos estudos formais e muitos estão se dedicando fortemente para isso, a Geração Z é um tanto quanto desconfiada (ou seria "relaxada"?) quando o assunto são os estudos formais e uma carreira profissional de sucesso. Parece que com tantas atrações tecnológicas a preencherem seu tempo, "a ficha ainda não caiu" no que diz respeito ao mundo real (segundo especialistas, poderá haver uma “escassez” de médicos e cientistas no mundo pós-2020).

Para entender melhor todas as influências e pressões sofridas na infância desta galerinha da Geração Z reveja seus principais referenciais nos anos 90 acessando a postagem "Série: Mudanças - Os Anos 90".


E como as coisas estão sempre evoluindo os mais novinhos, ou seja, aqueles que nasceram já dentro do novo milênio podem ser considerados a "Geração Z II", que é uma geração com todas as características da Geração Z, porém de forma muito mais acentuada. O mundo desta nova geração está sintetizado na postagem "Série: Mudanças - O Novo Milênio".

Fim da série

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Conflito de Gerações (4ª Parte)

Cleiton Heredia

A Geração Y (1980 – 1990)


Se você, assim como eu, pertenceu a Geração X, então a Geração Y são os nossos filhos nascidos basicamente na década de 80 e começo da década de 90, e que estão hoje com idades que variam entre 20 e 30 anos. Alguns preferem colocar a Geração Y entre os anos de 1983 e 1997, porém não quero prender-me aqui a esta variação de períodos, pois como eu já disse, não existe um consenso.

A Geração Y é a Geração Multitarefa, pois desde pequenos foram programados por seus pais com inúmeras atividades. Jeroen Boschma e Inez Groen em seu livro “A Geração Einstein” os descreve como “inteligentes, sociais e rápidos”. Como nasceram num período de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica, não somente tiveram acesso a toda esta crescente tecnologia, mas aprenderam desde pequenos a lidar com ela de uma forma bem natural.


Seus pais (a Geração X) não querendo que seus filhos fossem tratados com o mesmo tipo de abandono que seus próprios pais (a Geração dos Baby Boomers) os trataram, procuraram enche-los de presentes, atenções e atividades, fomentando em muito a sua auto-estima. Lembra da história dos filhos vendo seus pais comerem a melhor parte do frango e eles tendo que se contentar em repartir as asinhas? Pois bem, a Geração X tentando corrigir este desiquilíbrio nas relações, voou para o outro extremo dando a melhor parte para seus filhos e ficando eles próprios com as asinhas. Desta forma o desiquilíbrio não foi corrigido, mas apenas mudou de lado. Porém, este desiquilíbrio vivido na Geração Y se mostrou muito mais pernicioso do que os vividos nas gerações anteriores, pois acostumou os filhos a serem sempre servidos e crescerem com a ilusão de que o mundo gira ao redor deles.


Os dois eventos tecnológicos que marcaram esta geração foi a internet e a telefonia celular. Eles também cresceram acompanhando a crescente tendência de convergência de tecnologias em aparelhos cada vez menores e com capacidades cada vez maiores. Toda esta tecnologia fez com que fosse muito natural e fácil para eles realizarem várias tarefas simultaneamente, como viajar pela Internet, comunicam-se por e-mail, ao mesmo tempo em que falam nos celulares ou conversam online com um monte de gente ao mesmo tempo.


Quando chegam à idade de encarar o mercado de trabalho demonstram que acreditam no seu autovalor e não são tímidos quanto a trocarem a empresa para qual trabalham por outra que ofereça melhores condições de crescimento e maiores desafios. São jovens espertos, hábeis e ousados que valorizam a criatividade e a independência de pensamento. Normalmente adaptam-se muito bem as tendências de um mercado cada vez mais multigerencial. Eles querem trabalhar, mas não querem que o trabalho seja sua vida, por isto dão preferência aos empregos que ofereçam uma maior flexibilidade.

Acesse também a postagem "Série Mudanças: Os Anos 80" para relembrar como foi esta década que moldou a cabeça da Geração Y.

Continua...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Conflito de Gerações (3ª Parte)

Cleiton Heredia

A Geração X (1965-1980)


Bem se você estiver na mesma faixa etária que eu, dir-lhe-ia que estes somos nós. Eu nasci em 1962, portanto dentro da Geração Baby Boomers, mas bem próximo da fronteira entre esta geração e a Geração X. Porém, como a minha infância, adolescência e juventude foi vivida basicamente dentro da Geração X, eu digo que esta foi a minha geração. Acho que agora ficou mais fácil de você entender porque eu havia dito que a Geração Silenciosa são os nossos avós e a Geração Baby Boomers são os nossos pais.

Esta Geração também é conhecida como a 13ª Geração ou a Geração Coca-Cola. Grupos mais pessimistas costumam classificar esta geração como a Geração Transviada de Valores ou a Geração Perdida. Nos Estados Unidos esta geração recebeu o apelido de “Grup”, uma contração de “grown up” (crescido ou adulto), pois ela apresentava uma nova forma de se tornar ou ser adulto (estilo mais descolado ou informal).


Via de regra esta geração conheceu o que é ser filho de pais separados e crescendo num lar onde seus responsáveis trabalhavam fora em período integral. Em razão disto tiveram que se virarem sozinhos com seus deveres escolares e administrar por si mesmos seu tempo ocioso disponível (normalmente o gastavam na frente da TV ou na rua brincando com os amigos).

Eles foram testemunhas do início da decadência dos antigos padrões sociais (aqueles poucos que os Baby Boomers ainda preservavam da Geração Silenciosa) e por este motivo não tiveram o menor constrangimento de jogá-los para o alto quando chegou a sua vez de decidir. Mas não pense você que esta mudança de comportamento os impediu de exigirem que os filhos avisem se vão chegar tarde em casa, tirem boas notas no colégio e diminuam o volume do som no quarto.


Entre as características mais marcantes que alguns pesquisadores do comportamento elegem desta geração está o pragmatismo e a transparência exercidos de forma eclética e conciliadora. Barack Obama tem sido considerado o ícone social da Geração X.

Esta geração também teve o seu “Boom” que foi o da tecnologia. A maioria nasceu depois da chegada do homem à Lua (1969) e viu surgir o videocassete, os primeiros consoles domésticos de jogos eletrônicos e o computador pessoal.

Recomendo acessar a postagem “Série: Mudanças - Os Anos 70” que contém de uma forma bem visual tudo aquilo que marcou a moçada da geração X.

Continua...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Conflito de Gerações (2ª Parte)

Cleiton Heredia

Os Baby Boomers (1946-1964)

Baby Boom é um termo usado para identificar um período onde o coeficiente de natalidade cresce de forma acentuada e anormal. As pessoas nascidas nesse período são chamadas de Baby Boomers. O termo popularizou-se após a Segunda Guerra Mundial, quando houve um aumento importante da natalidade nos Estados Unidos. (Wikipédia)


Estes são os nossos pais e mães que hoje estão numa faixa etária compreendida entre 46 e 64 anos de idade.

Essa geração é formada inicialmente pelos filhos pós-guerra, mas que também tiveram a sua própria guerra – a guerra do Vietnã – acontecendo na segunda metade do período desta geração.

Culturalmente falando, eles foram unidos por um importante fenômeno que moldou basicamente sua forma de pensar e de ver o mundo: a televisão.

Eles foram a primeira geração que cresceu em frente à TV, assistindo os mesmos seriados, filmes, notícias e começando a serem doutrinados pela mídia consumista. Talvez este fator mais do que qualquer outro fez com que fossem identificados como uma geração de consumidores cada vez mais afoitos.


Outro elemento cultural que distinguiu os Boomers dos seus pais (a Geração Silenciosa) foi o Rock and Roll. Artistas como Elvis Presley, Little Richard, Buddy Holly e, posteriormente, Bob Dylan, Beatles, Rolling Stones e The Who tomaram conta das ondas sonoras e deram aos Boomers a identidade de uma geração.

As sementes de revolta e liberdade começavam a serem plantadas na mente dos jovens que cada vez mais se distinguiam como a “Geração do Eu” devido ao fato de ser a primeira geração a fazer um intervalo entre a infância e a idade adulta, curtindo o fato de ser jovem.

Por outro lado, eles também foram uma das gerações mais ativas e menos egoístas de todos os tempos. Sua luta contínua contra a injustiça criou o movimento das mulheres, o movimento pelos direitos civis, os protestos contra a Guerra do Vietnã e muito mais.

Acredito que como um subsídio a esta postagem, você poderia também dar uma espiada na pesquisa ricamente ilustrada que fiz em 2008 chamada "Série: Mudanças - Os Anos 60". Ali você irá poder ver como era a moda, o cinema, os seriados de TV, os desenhos animados, os brinquedos, a literatura, e a tecnologia que caracterizou a fronteira entre esta geração e a seguinte que veremos amanhã.

Continua...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Conflito de Gerações (1ª Parte)

Cleiton Heredia


Não sou psicólogo, nem pedagogo, muito menos antropólogo, porém gosto muito de ler e estudar a respeito do comportamen- to humano, em especial dos adolescentes e jovens.

Na semana passada minha esposa comentou comigo sobre uma tal geração “Y”. Eu, sem saber muito bem do que se tratava, fiquei curioso e resolvi pesquisar. O resultado foi que acabei descobrindo algumas coisas interessantes que gostaria de partilhar com os amigos.

Existe uma classificação de gerações que divide a moçada em quatro categorias distintas de acordo com seu ano de nascimento. São elas:

- A Geração Silenciosa – nascidos entre os anos de 1925 e 1945
- A Geração dos Baby Boomers – nascidos entre os anos de 1946 e 1964
- A Geração X – nascidos entre os anos de 1965 e 1980
- A Geração Y – nascidos entre os anos de 1980 e 1990
- A Geração Z – nascidos após 1990

Não existe um consenso entre aqueles que estudam este assunto quanto ao período de início e fim de cada geração, porém as datas acima servem mais ou menos de parâmetro (as variações são pequenas).

Cada uma destas gerações tem algumas características próprias em função das condições sociais, culturais e tecnológicas do mundo quando nasceram. Porém, há de se observar que tais características são bem mais distintas naqueles que nasceram próximo ao início de uma determinada geração. Aqueles que nasceram mais próximos ao final de uma geração possuirão uma mescla das características da sua geração com a geração seguinte.

Vamos começar pela Geração Silenciosa.


São os nossos vovôs e vovós de hoje (os mais novinhos irão completar 65 anos agora em 2010).

Esta geração foi caracterizada por trabalhar arduamente, serem pacientes, conformistas, econômicos e respeitosos. Eram muito responsáveis e sempre capazes de colocar o dever acima do prazer. Eles entendiam que uma de suas principais fontes de realização pessoal advinha do seu trabalho.

Normalmente casaram muito cedo e educaram seus filhos com “linha dura e rédeas curtas”. Criança naquela época era criança e ponto. Não tinham direito a quase nada e "ai" delas caso resolvessem opinar em conversa de adulto (a opinião delas não somente era insignificante e normalmente desprezada, mas corriam o risco de levar um “sopapo”). Na hora da refeição a parte melhor do frango era sempre do pai e elas ficavam felizes e muito gratas por poderem dividir uma asinha.

Atualmente vivem o tempo todo dizendo que as coisas no passado eram bem melhores e que o mundo ficou completamente louco.

Continua...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Férias de Verão sem Deus


Meu amigo Enéias publicou uma matéria em seu blog que eu achei muito curiosa e interessante. Chama-se: "Colônia de Férias para Ateus".

Inicialmente pensei tratar-se de alguma sátira ou analogia provocativa, porém me surpreendi ao saber que a tal colônia existe e é levada a sério pelos seus organizadores.

Imediatamente digitei o nome "Camp Quest" em um site de busca e lá apareceu como o primeiro da lista o nome do site oficial: "Camp Quest: It's beyond belief" (Camp Quest: É inacreditável).


Na página de apresentação eles orgulhosamen- te anunciam:

"Camp Quest é o primeiro campo de férias residencial na história dos Estados Unidos para os filhos dos ateus, livres pensadores, humanistas, Brights (não consegui traduzir esta palavra), ou qualquer outro termo que pode ser aplicado para aqueles que possuem uma visão de mundo naturalista, e não sobrenatural."

A idéia do projeto nasceu de Edwin Kagin e de sua esposa Helen em 1996 com o objetivo de "proporcionar às crianças de pais que pensam de forma independente um acampamento de verão residencial dedicada a melhorar a condição humana através da investigação racional, crítica e criativa de pensar, método científico, o auto-respeito, ética, competência, democracia, liberdade de expressão e da separação entre religião e governo garantidos pela Constituição dos Estados Unidos".


Atualmente eles contam com 7 campos na América do Norte (Ohio, Smoky Mountains, Minnesota, Ontário, Michigan, Califórnia, Flórida) e 1 na Inglaterra (Londres).

O site da unidade inglesa afirma: "Os acampantes aprendem sobre ciência, método científico, pensamento crítico, religiões mundiais e separação igreja-estado. As histórias bíblicas e metáforas são discutidas no contexto da formação cultural. Aos acampantes também é ensinado que seu comportamento ético não depende de crenças e doutrinas religiosas, e que as crenças religiosas e as doutrinas são, por vezes, um obstáculo para o comportamento ético e moral, e que as pessoas sem religião também são boas e totalmente capazes de viver uma vida feliz e significativa".

Colocação fantástica, não é mesmo?


Outra coisa que o Enéias mencionou em seu blog, e que eu achei interessantíssimo, foi o depoimento daquele pai de três meninos que nos serve como evidência de que tais acampamentos não são procurados por pais que querem isolar seus filhos de qualquer contato com a religião, muito pelo contrário:

"A coisa mais importante para mim aqui é dar para eles uma variedade de experiências e estimular que eles entendam o máximo possível de religiões e de ciências, e dar a eles as ferramentas para que decidam por conta própria o rumo que querem seguir." - Leeroy Murray.

Ele até chegou a afirmar que não descartaria a possibilidade de mandá-los também para um acampamento religioso. Tenho para mim que uma das maiores necessidades deste mundo é de pais que pensem como este homem.


Achei brilhante a idéia de atividade científica chamada "A busca dos dois Unicórnios invisíveis". Segundo Samantha Stein, diretora do acampamento, o objetivo desta atividade é fazer com que as crianças pensem sobre coisas como ônus da prova:

"Quem precisa provar que os unicórnios estão lá... é a pessoa que diz que eles estão ou é a pessoa que diz 'Não, eu acho que você não está certo'?"

É triste ver que muitos religiosos não entendem e nem sabem respeitar este tipo de empreendimento. Eles são tão tacanhos, mesquinhos e bitolados em suas convicções que ao invés de defenderem tal iniciativa como uma grande aliada na busca pela verdade, só sabem condenar e criticar.


Para mim isto é mais uma forte evidência da total insegurança que sentem diante de pessoas que incentivam a busca pela verdade promovendo o livre pensar de forma honesta, sensata e racional, ao invés de simplesmente sair acreditando em qualquer coisa que ouvem, só porque um dia alguém escolheu crer e ensinar assim. Se temem a investigação é porque sabem que podem não estar com a verdade, pois a verdade nunca deveria temer a investigação.

Pena que não temos nenhuma filial deste tipo de acampamento aqui no Brasil, pois caso tivéssemos, não somente enviaria meus filhos para lá, como também me ofereceria para trabalhar como voluntário. E digo mais, se alguém tiver cacife para empreender neste sentido, pode contar comigo que eu entrarei como sócio e/ou colaborador.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Lei Moral Interior: Deus ou um mero reflexo condicionado?


O que é moral? Por que algumas pessoas são honestas e demonstram ter um caráter íntegro a toda prova, enquanto outras são desonestas e possuem um caráter completamente deturpado?

Os religiosos explicam o desvirtuamento daquilo que é bom e correto com o argumento da natureza pecadora (tendências herdadas e cultivadas para o mal), e defendem a integridade moral como consequência de uma vida transformada pelo poder de Deus. Já os psicólogos entendem esta diferença de conduta moral entre pessoas normais como principalmente uma consequência do condicionamento do meio em que vivem.


Deus? Condicionamento? Os dois? Faço estas perguntas por que um dos argumentos para a existência de Deus é o fato de todo ser humano possuir uma lei moral dentro de si (C.S.Lewis explora muito bem esta argumentação em seu livro "Cristianismo Puro e Simples").

Quem colocou esta lei moral dentro do ser humano? Pode a evolução explicar isto? Se somos somente matéria, e átomos e moléculas nada entendem de certo ou errado, por que todos nós somos seres morais com uma íntima percepção do bem e do mal?

Bem, não é meu objetivo nesta postagem oferecer respostas, mas apenas incentivar a reflexão. Por este motivo vou mostrar-lhe um vídeo de uma experiência feita pelo ilusionista Derren Brown*, onde ele demonstra como é possível condicionar pessoas normais a cometerem um crime através da aplicação de algumas técnicas psicológicas.


Em face daquilo que você acabou de assistir quero perguntar-lhe:

Uma pessoa poderia ser moralmente responsável por cometer um crime após ter sido manipulada e condicionada mentalmente a isto?

*Derren Brown é um famoso ilusionista inglês formado em psicologia que tem realizado diversos espetáculos de mentalismo, entre eles a série televisiva "Mind Control", onde demonstrou os seus dons de leitura e controle mental. Neste programa Brown alega não recorrer a nenhum tipo de truques ou poderes paranormais, mas somente a conhecimentos e habilidades psicológicas.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Limites

(Texto de Mônica Monastério)


Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos, os erros de nossos progenitores. E com o esforço de abolirmos os abusos do passado somos pais mais dedicados e compreensivos.

Mas, por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história. O grave é que estamos lidando com crianças mais "espertas" do que nós, ousadas, e mais "poderosas" que nunca!

Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ser, passamos de um extremo ao outro.

Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos.

Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos.

Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos.

E, o que é pior, os últimos que respeitamos nossos pais (às vezes sem escolhas) e os primeiros que aceitamos que nossos filhos nos faltem com o respeito.

À medida que o permissível substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudaram de forma radical para o bem e para o mal.

Com efeito, antes se considerava um bom pai, aquele cujos filhos se comportavam bem, obedeciam a suas ordens, e os tratavam com o devido respeito. E bons filhos, as crianças que eram formais, e veneravam seus pais.


Mas, na medida em que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram se desvanecendo, hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco os respeitem. E são os filhos, quem agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem suas idéias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver. E que, além disso, que patrocinem no que necessitarem para tal fim.

Quer dizer; os papéis se inverteram.

Agora são os pais que têm que agradar a seus filhos para "ganhá-los" e não o inverso como no passado. Isto explica o esforço que fazem tantos pais e mães para serem os melhores amigos e "darem tudo" a seus filhos.

Dizem que os extremos se atraem. Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo aos nos verem tão débeis e perdidos como eles.

Os filhos precisam perceber que durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter, e de guiá-los quando não sabem para onde vão.

É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e tédio no qual está afundando uma sociedade que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino.

Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca. Apenas uma atitude firme, respeitosa, lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente liderando-os, e não atrás carregando-os e rendidos às suas vontades.

Os limites abrigam o indivíduo com amor ilimitado e profundo respeito.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Conversa de estudante


Duas jovens de não mais que 25 anos conversam no ônibus enquanto se dirigiam para a faculdade:

- Você estudou este ponto? (Pergunta a jovem a sua amiga apontando para uma página no livro).

- Não! Acho que o professor não irá pedir isso. Se eu conheço bem este professor, ele irá perguntar sobre isto. (Responde a amiga mostrando os apontamentos em seu caderno).

- Tranquilo! Dando uma lida acho que dá para tirar uma boa nota. (Comenta a jovem finalizando o assunto e imediatamente mudando a conversa para a balada do fim de semana).

Após ouvir os comentários acima passei a refletir em como é lamentável, em um ambiente de formação profissional, encontrar jovens cuja ênfase educacional está na quantificação da avaliação e não na qualidade do conhecimento acompanhado de reflexão pessoal.

Não sei qual curso superior aquelas jovens estavam fazendo, mas posso imaginar o tipo de profissionais que serão caso não mudem sua maneira de pensar. Mas como mudar se desde que começaram a estudar no ensino fundamental e médio seus professores foram, na esmagadora maioria, conteudistas, não promovedores do pensar, e o que é pior, dando a entender que boas notas são sinônimo de aprendizagem?

Nossos jovens deveriam ser preparados desde a tenra idade a exercitarem o pensamento de forma que ao ficarem maiores não permitam jamais que um professor determine o tipo de profissinais que serão no futuro.