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terça-feira, 1 de março de 2011

Um Tributo ao Meu Pai

por Cleiton Heredia


Preparei o vídeo abaixo como uma homenagem póstuma ao meu pai, pois como comentou hoje um amigo:

"Nelson Heredia só deixará de existir definitivamente quando o último de seus queridos também sucumbir ao tempo, enquanto isso, ele persistirá brincando, aconselhando, cuidando de seus animaizinhos e tocando seu violão."



Obs.: As palavras ao final do vídeo é uma adaptação do poema "Ciclo da Vida" de Dom Morais.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Nelson Heredia - Este foi o meu pai

por Cleiton Heredia


Nelson Heredia

Nasceu em 09 de outubro de 1934 na cidade de Tabatinga, interior de São Paulo.

Filho de Laureano e Lídia Heredia, era o filho mais velho de uma família com mais quatro irmãos, Naor, Nilce, Nelma e Nilton. Viveu parte de sua infância no interior do Paraná onde trabalhou na roça colhendo café. Ainda jovem veio para a capital de São Paulo em busca de seus sonhos e aprendeu o ofício de relojoeiro.

Casou-se em 24 de junho de 1961 com Maria Alice Fuckner, que passou a se chamar Maria Alice Heredia, com quem ficou casado por 42 anos e com quem teve três filhos, eu, que sou o primogênito, e meus irmãos, Marcelo e o caçula que recebeu o seu nome, mas que acostumamos chamar de Nelsinho para diferenciar do pai.

Sempre em busca de novos horizontes procurou logo compensar a falta de oportunidade de estudos na infância, fazendo vários cursos profissionalizantes, tais como o de torneiro mecânico, técnico em eletrônica e mecânica de automóveis.

No ano de 1964 abriu a sua própria empresa especializada em Painéis Automotivos e, em poucos anos, a transformou em uma das maiores no seu ramo. Seu segredo? Nenhum segredo, apenas trabalho duro unidos a uma constante preocupação com detalhes como organização e limpeza. Seus grandes lemas eram: "A vida é dura para quem é mole" e "Cada coisa em seu devido lugar".

Assim como a maioria dos empresários deste país, sofreu com o baque dos planos econômicos que o levou praticamente de volta a "estaca zero". Porém, não se dando por vencido, e sempre com muito trabalho e criatividade, conseguiu se reerguer montando uma pequena indústria de Sensores Eletrônicos.

Apesar de todo sucesso que alcançou, nunca deixou de ser um homem simples que gostava de pescar com os amigos na barranca do rio, de tocar e cantar moda de viola, rir com as comédias do Mazaropi, dormir na rede em um tranquilo ranchinho, saborear uma comidinha caseira feita no fogão a lenha com panela de ferro, e cuidar dos animais.

Sim, o cuidado com os animais era uma de suas grandes paixões. Não importa se era um cachorro magrelo, um gato esgalepento ou uma pomba atropelada. Se eles estavam sujos ele mandava lavar, se estavam doentes ele comprava remédios e os levava ao veterinário, se eram feios ele comprava uma linda coleira na tentativa de embelezá-los.

Ainda falando sobre os animais em sua vida, destaco um episódio em particular. Certa vez pescando na beira de um rio com um amigo, notou que mais ao fundo um garoto se debatia desesperadamente sobre as águas. Ao perceber que ele estava se afogando, nadou até lá e salvou o garoto daquilo que seria uma morte certa. O pai daquele garoto ficou tão agradecido que o presenteou com um filhote de papagaio. A este bichinho é que eu devo o meu apelido familiar de "Pepo" (uma tentativa dele falar "Cleito"). Ainda me lembro do meu pai falando "dá o pé loro" e o colocando sobre a mesa de manhã para dar-lhe um pouco de pão molhado no café (ele adorava), chegando em casa do trabalho e colocando semente de girassol na sua boca para que o "loro" pegasse com seu bico, lavando o poleiro, cortando frutas para alimentá-lo, no inverno colocando uma lâmpada dentro da gaiola para que ele não sentisse muito frio e, quando o bichinho adoecia, dando remédio direto no seu biquinho enquanto eu tentava mantê-lo imóvel envolto em uma toalha. Este animalzinho nos acompanhou por mais de 10 anos.

Este foi o meu pai. O pai que cochilava em cima da bancada onde concertava relógios em razão de não ter dormido para me levar ao médico de ônibus em plena madrugada por causa de uma grave doença que tive quando ainda era um bebê; o pai que assinou os meus boletins escolares e fazia questão de colocar alguns dizeres como "Parabéns filhão"; o pai que me ensinou lutar judô no chão da sala, a andar de bicicleta e a nadar; o pai que gostava de me fazer surpresa trazendo à noite uma revista em quadrinhos ou algumas figurinhas para o meu álbum; o pai que gostava de fazer aos domingos pic-nic na sala enquanto assistíamos ao Fantástico; o pai que me levava ao estádio para ver o São Paulo jogar, mesmo sendo ele um Palmeirense; o pai que me contava muitas piadas, mas também o pai que me ensinou importantes lições de vida. Este foi o meu pai.

No dia 27 de fevereiro de 2011 o "NERSÃO", como era carinhosamente chamado por seus amigos e familiares, descansou! Infelizmente foi um descanso necessário em razão de todo o sofrimento com o qual foi obrigado a conviver nos últimos três anos, por causa de crescentes complicações de saúde. Ele descansou, e isto estava evidenciado em seu semblante que estava sereno, tranquilo e em paz.

A cerimônia de sepultamento foi simples assim como simples foi a sua essência. Ali estavam presentes alguns daqueles que tiveram o privilégio de o conhecer, de terem convivido com ele e de terem as suas vidas acrescentadas com um pedaço daquilo que ele mesmo foi.

Ele se foi fisicamente, porém espiritualmente permanece vivo em nossa memória através de seu exemplo de homem batalhador, seu bom humor nos momentos de descontração e também através do som das serestas que tanto gostava de tocar no violão, mas que ainda ecoam em nossas mentes (este vídeo abaixo tem a música que eu mais gostava de ouvir ele tocar no violão).


Tchau pai.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Abraçar um Leão



Quando eu era criança acalentava em meu coração um sonho. E de certa forma, até não muito tempo atrás, o mantive vivo em minha memória como algo que realmente poderia acabar se concretizando no porvir.

"Abraçar um leão!"

Sim, este era o meu sonho infantil. Ainda me lembro daquele quadro de feltro verde onde a professora da escolinha bíblica colava aquelas gravuras coloridas encenando a Nova Terra com um lindo palácio de ouro reluzente ao fundo e, em primeiro plano, um lindo jardim com muitas flores e animais. Lá estava Jesus, mas minha mente infantil sempre se encantava ao ver uma criancinha abraçando um enorme leão. Como eu queria ser aquela criança!

Cresci, mas minhas crenças religiosas continuavam alimentando este sonho como uma realidade plausível para o futuro. É claro que eu não seria mais uma criança, mas não importa, pois ainda iria querer abraçar e brincar com um leão como se fosse criança.

Bem, como atualmente o imperativo da razão já não me permite mais sonhar como outrora, limito-me aos belos sentimentos que a história relatada no vídeo abaixo me proporcionam:



Não sei se um dia abraçarei um leão como fizeram estes dois homens. É mais provável que isto nunca ocorra comigo, porém consolo-me com o pensamento de que posso "nesta vida" desfrutar da emoção de viver ao lado de verdadeiros amigos partilhando uma amizade sincera e desinteressada.

São amizades deste tipo que faz a vida valer a pena!

Esta postagem é uma homenagem a todos que me dão o privilégio de partilhar sua amizade.

Nosso leão

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Uma História de Amor

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(Antes de assistir a este vídeo desligue o áudio do Blog)



(Ligue agora o áudio do Blog para ler a poesia)

Amor

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração para de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.

Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.


Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 23 de março de 2009

Deus é amor ou o amor é deus?


Em certo programa evangélico na rádio ouvi alguns testemunhos de pessoas que tinham em determinado momento de suas vidas se envolvido com drogas, prostituição, jogatinas e outros problemas diversos, e, como era de se esperar, acabaram no fundo do poço tendo que colher os frutos de suas escolhas equivocadas, tais como crise conjugal, doenças, filhos desajustados, desemprego, crise nas finanças pessoais, depressão e outros desajustes psicológicos, etc.

Todos eles eram enfáticos em dizer como a fé em um Deus pessoal de amor, compaixão e misericórdia mudou completamente suas vidas. O drogado acreditou que Deus o amava sendo poderoso para lhe libertar e acabou abandonando o vício. Aquele lar desajustado ficou muito melhor depois que passaram a acreditar que existia um Deus com um propósito específico para cada vida ali envolvida. Até mesmo os problemas de saúde (a maioria oriundos de desajustes psicológicos) encontraram a cura quando as pessoas que as sofriam passaram a encarar a vida de uma perspectiva mais otimista, pois passaram a crer que Deus se preocupava com os mínimos detalhes de sua vida.

Tirando todo o sensacionalismo e mercantilismo por trás da esmagadora maioria dos segmentos religiosos (aliás, não conheço nem um sequer que esteja isento disto), é inegável o fato que a crença em Deus tem seus benefícios pessoais e sociais. Para negar isto será necessário fechar os olhos para as evidências de fatos concretos bem palpáveis e mensuráveis.

Não quero aqui entrar no mérito religioso especificando qual conceito de divindade é mais vantajoso, mas apenas quero fazer uma breve análise tratando simplesmente da fé ampla em um ser criador amoroso, justo, onipotente, onisciente e onipresente. Mesmo porque existem certos conceitos de divindade que são considerados prejudiciais ao ser humano por mantê-lo preso a superstições que não fazem o menor sentido à luz dos atuais conhecimentos científicos. Esqueça isto por enquanto! Vamos apenas falar de forma generalizada da fé em um Deus capaz de transformar uma vida para melhor.

Este tipo de reflexão leva-me a pensar na proposta de alguns ateus mais radicais e militantes que afirmam aos quatro cantos que o mundo seria um lugar bem melhor para se viver caso a crença em Deus fosse definitivamente extinta. Será? Como? De que forma aquele viciado encontraria a libertação dentro de uma proposta de um mundo ateu? Onde aquele desajustado social encontraria forças para mudar de vida simplesmente acreditando que Deus não existe e de que ele está neste planeta sem qualquer tipo de propósito específico. Na ciência?

Teria a ciência o poder de transformar vidas? Tenho para mim que se o conhecimento científico fosse o suficiente para libertar o homem de suas mazelas, o ser humano estaria cada vez mais ajustado e o mundo cada vez melhor. É claro que esta é uma afirmação bem simplista, pois apesar do grande avanço científico, os desequilíbrios sociais neste mundo devem ser considerados, bem como o fato de ser humano ser o tipo de “bicho” que é.

Para o sincero pesquisador da verdade, aquele que procura entender se a existência de Deus é uma realidade ou não, este tipo de argumentação não será muito convincente. O fato de um conceito fazer bem para algumas pessoas não prova que ele seja verdadeiro. Acreditar em Papai Noel me fazia mais feliz quando eu era uma criança, porém isto não significa que este personagem existiu de fato na minha infância.

Conforme avanço neste tipo de raciocínio começo a conjecturar se que aquele viciado ou desajustado, que mudou sua vida devido ao “amor de Deus”, também não seria transformado com base na realidade do amor sem Deus. Entenda “amor sem Deus” como o amor desinteressado de um semelhante por outro, capaz de trazer significado para a vida por mais efêmera que seja.

O crente em Deus acredita que Deus é a fonte deste amor que transforma. Já o ateu entende que o amor pode transformar pelo simples fato de ser o que é e independentemente de onde se atribua sua fonte. Pronto! Está aí um conceito comum no qual crentes em Deus e ateus podem dar as mãos, a saber, de que o amor que gera interesse abnegado e altruísta de uns para com os outros é o grande segredo de uma humanidade melhor.

Que diferença faz se para o crente “Deus é amor” enquanto para o ateu “o amor é deus”? “Blasfêmia!”, dirá o crente que acredita não existir o amor sem Deus. “Idiotice!”, dirá o ateu que entende não existir qualquer tipo de deus.

Tudo bem! Então continuem brigando entre si para impor suas idéias uns aos outros ao invés de simplesmente entenderem que não importa se personificamos ou não o amor, pois no fundo o que realmente importa é o fato inegável de que o amor existe e pode continuar trazendo transformação e significado para a nossa existência.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Parabéns Filipe!!!


Você acaba de vencer uma batalha, dentre muitas com as quais haverá de se deparar.

Neste momento, conquistaste uma vitória!


Ao longo de sua vida, você fez escolhas e foi convidado a seguir em frente para atingir um ideal.

Hoje é o fim de uma trajetória e início de outra.


Você estudou e aprendeu muitas coisas diferentes que lhe ajudarão a compreender melhor o mundo em que vivemos, bem como encontrar o seu lugar especial nele.


A partir de escolhas, você está construindo o seu saber e amadurecendo.


Sem dúvida você passou por vários momentos, obstáculos, situações difíceis, mas também felizes e enaltecedoras, e hoje você não é mais o mesmo.

Está ainda melhor!


É nessa nova fase que se definirá o seu futuro, e até aonde chegará na vida.


Que seu conhecimento não seja um obstáculo à humildade, pois o desejo de ter sempre razão é o maior obstáculo às novas idéias.

É melhor termos idéias suficientes, mesmo que algumas delas estejam erradas, do que termos sempre razão e não termos quaisquer idéias.


Não é importante sermos sérios para todas as coisas, mas sermos sérios para as coisas importantes, pois, quando um ser humano desperta para um grande desejo, todo universo conspira a seu favor.

Obrigado por ser nosso filho, pois temos muito orgulho disto.

De seus pais que te amam.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Quem não tiver algum tipo de fé que atire a primeira pedra!


John Forbes Nash Jr. foi um matemático norte-americano que trabalhou na Teoria dos jogos, na Geometria diferencial e na Equação de derivadas parciais, servindo como Matemático Sênior de Investigação na Universidade de Princeton. Compartilhou o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel de 1994 com Reinhard Selten e John Harsanyi.

Nash também é conhecido por ter tido sua vida retratada no filme Uma Mente Brilhante, nomeado por oito Oscar, baseado no livro-biográfico homônimo, que apresentou seu gênio para a matemática e sua luta contra a esquizofrenia (fonte: Wikipédia).

Neste filme existe um interessante diálogo entre John Nash e sua futura esposa Alicia, que mostra como homens extremamente racionais, como ele, precisam em algum momento admitir a necessidade de se valer da simples crença sem qualquer comprovação científica, também chamada de "fé":


Alicia: Bem, quão grande é o Universo?
John Nash: Infinito.
Alicia: Como você sabe?
John Nash: Eu sei porque todas as informações indicam a mesma coisa.
Alicia: Mas isso não foi provado ainda.
John Nash: Não.
Alicia: Você nunca o viu.
John Nash: Não.
Alicia: Como você o sabe com certeza?
John Nash: Eu não o sei. Apenas acredito nisso.
Alicia: É o mesmo com o amor, acho. Eu apenas acredito nisso...

Diante da imensidão do Universo e da limitação do conhecimento humano, entendo ser uma grande arrogância falarmos de racionalismo puro que descarte a necessidade em algum momento da fé.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Limites

(Texto de Mônica Monastério)


Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos, os erros de nossos progenitores. E com o esforço de abolirmos os abusos do passado somos pais mais dedicados e compreensivos.

Mas, por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história. O grave é que estamos lidando com crianças mais "espertas" do que nós, ousadas, e mais "poderosas" que nunca!

Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ser, passamos de um extremo ao outro.

Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos.

Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos.

Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos.

E, o que é pior, os últimos que respeitamos nossos pais (às vezes sem escolhas) e os primeiros que aceitamos que nossos filhos nos faltem com o respeito.

À medida que o permissível substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudaram de forma radical para o bem e para o mal.

Com efeito, antes se considerava um bom pai, aquele cujos filhos se comportavam bem, obedeciam a suas ordens, e os tratavam com o devido respeito. E bons filhos, as crianças que eram formais, e veneravam seus pais.


Mas, na medida em que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram se desvanecendo, hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco os respeitem. E são os filhos, quem agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem suas idéias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver. E que, além disso, que patrocinem no que necessitarem para tal fim.

Quer dizer; os papéis se inverteram.

Agora são os pais que têm que agradar a seus filhos para "ganhá-los" e não o inverso como no passado. Isto explica o esforço que fazem tantos pais e mães para serem os melhores amigos e "darem tudo" a seus filhos.

Dizem que os extremos se atraem. Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo aos nos verem tão débeis e perdidos como eles.

Os filhos precisam perceber que durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter, e de guiá-los quando não sabem para onde vão.

É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e tédio no qual está afundando uma sociedade que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino.

Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca. Apenas uma atitude firme, respeitosa, lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente liderando-os, e não atrás carregando-os e rendidos às suas vontades.

Os limites abrigam o indivíduo com amor ilimitado e profundo respeito.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos Namorados


Muitos entendem o amor como um simples resultado de reações físicas e químicas que se processam no cérebro. Pode até ser, mas particularmente sou propenso a crer que talvez exista algo transcendental, intangível, incompreensível e até espiritual no amor. Algo que não pode ser precisamente representado por fórmulas matemáticas ou fatores estritamente racionais e lógicos.

Atualmente muito se fala em inteligência artificial e até existem programas para super computadores que simulam uma rede neural e são capazes de aprender e pensar a semelhança dos seres humanos. Porém, será que em algum dia no futuro alguém irá conseguir desenvolver um programa de computador capaz amar?

Até entendo a expressão inteligência artificial e compreendo sua utilidade, mas sinceramente não consigo ver sentido ou propósito num "amor artificial". Se for artificial já não é amor, pois o amor para ser amor precisa ser absolutamente autêntico, verdadeiro e real em sua essência.

Qual é a essência do amor?

Talvez cada um de nós tenha uma resposta para esta pergunta, porém para mim a essência do amor é o sacrifício.

O vídeo abaixo conseguiu traduzir aquilo que entendo por amor verdadeiro, transcendente, incompreensível e espiritual.

Dedico-o à linda garota com quem namoro há 28 anos e por quem tenho este tipo de amor.