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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Deus prefere ateus amáveis a cristãos desagradáveis

por Cleiton Heredia


Calma meu amigo cristão! Esta não é mais uma daquelas frases elaboradas por ateus com intuito de provocar a sua santa indignação. Ela foi elaborada pelo Pastor cristão Tom Tate da Igreja Metodista Unida de Rose City Park em Portland, Oregon nos Estados Unidos.

Seu objetivo ao estampar esta frase no letreiro principal da sua igreja foi apelar para a necessidade dos cristãos serem mais simpáticos e amorosos com as pessoas ao seu redor. Porém, acho que nem ele poderia imaginar a repercussão que isso causaria nas mídias sociais do país, levantando críticas e elogios de todos os tipos.

Por exemplo, um jovem cristão Mórmon escreveu um e-mail para a igreja dizendo: "Muito obrigado. Isso me fez repensar a forma como eu trato as pessoas". Por outro lado, um ateu também se manifestou dizendo: "Se houvesse mais igrejas como a sua, provavelmente reconsideraríamos muitas coisas".

O Pastor Tate, cuja igreja conta atualmente com 385 membros, também afirmou que esta é uma estratégia de "hospitalidade radical" para com aqueles que se sentem alienados pelos sistemas de fé.

Com certeza se perto de minha casa houvesse alguma igreja cristã com pessoas com este tipo de mentalidade aberta, eu seguramente lhes faria uma visita para conhecê-los melhor.

terça-feira, 20 de março de 2012

Um intrigante debate entre um cristão e um ateu

por Cleiton Heredia


Em 21 de fevereiro de 2000, o então Cardeal Joseph Ratzinger, atual Papa Bento XVI, e o filósofo ateu Paolo Flores d'Arcais se encontraram no Teatro Quirino em Roma para um debate público que reuniu mais de duas mil pessoas e durou cerca de duas horas e meia.

Este debate está transcrito na íntegra em um livro chamado "Deus Existe?", cujo título está mais para uma astuta estratégia de marketing do que realmente expressar o âmago dos temas ali tratados, e que trata na verdade de um confronto de opiniões sobre temas polêmicos tais como: fé e razão, moralidade e assuntos de ordem social.


Estou ainda lendo o livro, mas já terminei a parte onde o debate foi integralmente transcrito, e confesso que gostei muito do que li.

Por um lado, as argumentações de Joseph Ratzinger me ajudaram a ver este homem, que hoje é o representante máximo da Igreja Católica Apostólica Romana, com outros olhos. Sim, digo "com outros olhos" porque a igreja onde fui doutrinado desde a minha meninice (Igreja Adventista do Sétimo Dia) me condicionou a olhar para o Romanismo e para o Papado como um bicho de sete cabeças (os adventistas consideram a Igreja católica como uma igreja apostatada e projeta sobre o poder religioso papal a figura apocalíptica da grande prostituta e da besta). Porém, ao ler as palavras proferidas pelo atual Papa neste debate, pude ver apenas um homem de fé, como qualquer outro líder cristão protestante, defendendo suas crenças de forma ponderada, inteligente e respeitadora.

Por outro lado, também gostei muito da forma como o filósofo ateu Paolo Flores d'Arcais defendeu os seus pontos de vista, sendo igualmente ponderado, inteligente e respeitador.

Como era de se esperar em um debate como este, ninguém saiu vencedor ou perdedor, mas apenas deram um exemplo digno de como pessoas com pontos de vistas diferentes sobre a vida podem se encontrar e conversar de forma civilizada, defendendo o seu direito de acreditar segundo os ditames de sua consciência, sem que para isto precisem se agredir ou se matar mutuamente.

Que a humanidade aprenda e cresça com exemplos como este.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Um Cristão Ateu


Introdução por Cleiton Heredia

O proselitismo religioso é algo muito praticado pelos cristãos, pois eles acreditam que são portadores de uma mensagem única cuja compreensão e resposta pessoal pode decidir o destino de toda a raça humana.

O brilhante texto a seguir, de autoria do criador e editor do site DEUSILUSÃO, é um dos muitos exemplos que temos de cristãos que nunca ousaram sair da caixinha de porcelana onde estão presos, mas que se postam arrogantemente como libertadores de um mundo em trevas, sendo que estas tais trevas são todas as filosofias religiosas que divergem daquela que eles defendem.

Se você é um cristão que acha que eu irei para o inferno ou que vou virar churrasquinho no dia do juízo final, por favor leia este texto com atenção e me responda uma pergunta muito simples:

- Que garantias irrefutáveis você tem para me apresentar de que possui a verdade e de que todos os demais que não pensam como você estão no erro?


UM CRISTÃO ATEU
por Valmidênio Barros

Eu tenho um primo evangélico que está sendo “treinado” para se tornar pastor da igreja dele. Um belo dia, ele veio aqui em casa e me fez uma pergunta bem estranha:

— E aí, Barros, já encontrou Deus?
— Eu não! Era pra eu tá procurando?

Isso levou a uma conversa já bem comum pra mim: o crente fanático querendo me vender a droga que ele usa. Daí que eu aproveitei que o interlocutor era meu primo — e muito provavelmente não iria me descer a porrada depois que eu não aceitasse a droga oferecida — e testei uma nova abordagem da discussão.

Eu disse a meu primo que iria conversar com ele sobre Deus, desde que ele concordasse em imaginar que eu também estaria sendo abordado, naquele exato momento, por um crente em Lord Brähma. Ele topou. E aí estão os melhores momentos:

— Mas por que você não acredita em Deus, Barros?
— Uai! O cara tá me fazendo lá a mesma pergunta: “Por que eu não acredito no Lord Brähma?”. E tu? Por que não acredita no Lord Brähma?
— Eu creio no único Deus verdadeiro.
— Não perguntei no que você crê. Perguntei por que você não acredita no deus do meu amigo lá do outro lado do Atlântico.
— Porque Deus é único!
— Ó, o cara disse que discorda de você.
— Não faz a menor diferença que ele discorde.
— Pois é: ele disse também que não interessa que você discorde dele. E que foi Lord Brähma o criador do universo.
— Ele pode pensar o que quiser. Deus é o criador do universo e a Bíblia é a sua revelação para a humanidade.
— Mas ele falou a mesma coisa, acredita? Que você pode pensar o que quiser, e que nada vai mudar a verdade. Que, no caso dele, é outra. E que, também, a revelação do deus dele para o povo dele é bem anterior à do seu deus para os hebreus… Que esse “para a humanidade” tá forçando a barra. Qual de vocês está certo, afinal?
— Está certo aquele que está do lado da verdade.
— Qual é a verdade? Deus criou o universo? Ou Lord Brähma criou o universo?
— A verdade está na Bíblia.
— E por que a verdade não está no Mahabharata, por exemplo?
— O que é isso?
— Mas você não sabe? Então que garantia você tem de que a verdade não está nesse texto sagrado e não no seu?
— A garantia que eu tenho é a de que Deus apenas deixou a Bíblia para ser sua forma de comunicação com o homem.
— E se num livro sagrado hindu estiver escrito que outros deuses falsos serão venerados e isso levará uma grande parte da raça humana para o Inferno de Lord Brähma? Você não estaria lascado?
— Barros, não dá pra discutir com quem rejeita a Bíblia como a palavra de Deus.
— E o crente lá da Índia tá dizendo que não dá pra discutir com quem rejeita o Mahabharata e os outros textos sagrados deles como a revelação de Brähma. Não é interessante?
— Só existe um Deus.
— Você, então, não acredita em Lord Brähma…
— Claro que não.
— E por quê?
— Porque não existe outro deus além do Deus vivo!
— Você não toparia estudar alguns textos hindus, frequentar alguns templos onde se pratique o hinduísmo, conhecer a filosofia deles, enfim, você não toparia procurar por alguma revelação de Brähma pra você?
— Não.
— Por quê?
— Não vejo razão para isso.
— Então não me peça pra procurar o seu Deus também. Porque você não vê razão para procurar Brähma, o hindu não vê razão para procurar mais outro deus além dos milhares que eles já têm, e eu não vejo razão para procurar deus nenhum.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A Falácia do Escocês

por Cleiton Heredia


Fico analisando a postura de alguns "amigos" diante da minha decisão no passado de abandonar a Igreja Adventista do Sétimo Dia, e acho interessante ver como a mente religiosa deles funciona.

Aqueles que acompanham este blog sabem que nasci em um lar cristão adventista, fiz faculdade de teologia e durante mais de 20 anos servi a igreja adventista ocupando diversas funções eclesiásticas, tais como: pastor auxiliar, líder jovem, evangelista, palestrante, diácono e ancião.

Considero mais que justificável que minha mudança de conceitos tenha causado surpresa e assombro naqueles que me conheceram como um dedicado e atuante membro da igreja, porém isto não justifica ser julgado como um falseador da fé cuja vida foi pautada pela mentira e pelo engano.

Mas infelizmente foi isto que aconteceu!

Refletindo sobre isto pude perceber que estes que assim me julgaram estavam apenas usando uma artimanha lógica chamada "a Falácia do Escocês", que resumidamente consiste no seguinte:

Suponha que eu afirme que nenhum escocês põe açúcar no seu mingau. Você questiona isso apontando que seu amigo escocês chamado Angus gosta de colocar açúcar no seu mingau. Eu então digo "Ah, sim, mas nenhum Escocês 'de verdade' põe açúcar no seu mingau."

Percebeu a falácia? Para forçar um argumento eu invento uma definição falaciosa. A definição correta de escocês é uma pessoa nascida em um país chamado Escócia e nada mais do que isto. Porém, com intuito de tornar a minha afirmação verdadeira e refutar o argumento de que existem pessoas nascidas na escócia que colocam açúcar no mingau, eu simplesmente redefino a palavra escocês dizendo que somente os "verdadeiros" escoceses é que não colocam açúcar no mingau.

Quando alguns "amigos" ficaram sabendo de minhas mudanças, começaram a dizer:

- "Um verdadeiro cristão convertido nunca abandonaria a fé como ele fez!"

Portanto:

- "Se ele abandonou sua fé, nunca foi um verdadeiro cristão convertido".

A conclusão inerente a este tipo de raciocínio só poderia ser:

- "Ele foi um falso cristão durante todo este tempo. Nunca se converteu de fato. Foi um hipócrita mentiroso e esteve o tempo todo nos enganando!"

Mas por que será que algumas pessoas pensam desta forma?

Bem, em primeiro lugar porque é muito mais simples do que procurar saber e entender quais foram os argumentos que me fizeram mudar de ideia. Depois, porque é uma forma de proteger as suas próprias crenças, pois como eles as consideram a essência da verdade, somente um louco ou um maquiavélico enganador poderia abandoná-las ou negá-las.

Confesso que fico um pouco chateado com tudo isto, mas no fundo o que me conforta é saber que estou em paz com a minha própria consciência. Quando fui um adventista do sétimo dia, o fui de todo o meu coração e com todas as minhas forças, procurando pregar o que vivia e viver o que pregava. E isto ainda não mudou e nem vai mudar!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Diálogo com um Cristão

por Cleiton Heredia


Estava hoje logo cedo checando alguns comentários de amigos em site de relacionamento quando me deparei com a seguinte frase escrita por um amigo pastor que conheci recentemente:

"Se você pudesse ter o paraíso, sem doenças e com todos os amigos que já teve na terra, e todas as comidas das quais gosta, e todas as atividades de lazer que aprecia, e todas as belezas naturais que contemplou, todos os prazeres físicos que já experimentou, e nenhum conflito humano ou desastre natural, se satisfaria com tudo isso, caso Cristo não estivesse nesse paraíso?"

Gostei da reflexão e registrei o seguinte comentário:

"Boa pergunta! Mas tenho outra pergunta bem parecida: "Se morrer por Cristo significasse morte eterna, quantos cristãos estariam dispostos a morrer eternamente, sem qualquer tipo de recompensa, por amor a Cristo?" Sacrifício e morte com garantia de vida eterna na sequência não me parece algo tão difícil de ser aceito pela egocêntrica lógica humana."

Na sequência um interessante diálogo se deu início com uma pessoa que irei denominar aqui como simplesmente "AMIGO CRISTÃO" (texto em vermelho):

AMIGO CRISTÃO: "Morrer por Cristo é viver eternamente!!!"

CH: "Ok Amigo Cristão, mas e se não fosse? Você morreria?"

AMIGO CRISTÃO: "Sim, pois vivo muito melhor com essa certeza!!!"

CH: "Posso estar errado, mas acho que ninguém pode responder com toda sinceridade a esta pergunta pelo simples fato de todos os cristãos terem plena certeza da vida eterna em Cristo. Dizer: 'Eu morreria eternamente por Cristo' sabendo que já tem garantida a vida eterna nunca será a mesma coisa que responder o mesmo sabendo que depois disto nenhuma esperança de recompensa existirá."

Alguns minutos depois, acrescentei:

"Eu entendo que aqueles que se apressam em dizer: 'Eu morreria por Cristo mesmo que fosse uma morte eterna!', deveriam se lembrar da história de Pedro: 'Senhor, mesmo que todos te neguem, eu não te negarei'. E mais: Lembram quando Jesus perguntou para Pedro se ele O amava mais do que os outros? A resposta imediata foi: 'Sim, Senhor,tu sabes que te amo!' Só na 3ª vez que foi confrontado por Jesus com a mesma pergunta que a ficha caiu para Pedro e ele então ficou triste. Eu acho que esta tristeza foi gerada por ele finalmente entender quão egoísta era o seu tipo de amor por Cristo."

AMIGO CRISTÃO: "Onde Pedro está?"

CH: "Amigo Cristão, os cristãos acreditam que Pedro está salvo e com a vida eterna garantida. Para uns ele virou santo e está no céu junto a Jesus e para outros ele está dormindo na sepultura aguardando a ressurreição para a vida terna. Isto para mim só reforça o argumento do egocentrismo do ser humano. Agora, já imaginou se o amor dele por Cristo, ao ponto de morrer em uma cruz de cabeça para baixo, não tivesse lhe garantido qualquer tipo de recompensa? Acho que muitos cristãos repensariam no tipo de amor que sentem por Cristo."

AMIGO CRISTÃO: "Não fomos criados para morrer e sim pra viver. Podemos imaginar, mas somente quando estivermos no céu é que entenderemos totalmente o que significou o sacrifício que Cristo fez por nós. Meu desejo é estar naquele glorioso dia. Viver ou morrer... para ver Cristo."

CH: "‎'Não fomos criados para morrer e sim para viver'. Amigo Cristão, eu entendo que este pensamento é uma boa justificativa (desculpa?) para todo o egocentrismo humano escondido por trás da aceitação de Cristo. Sem falar que é um argumento que pode colocar em suspeição ainda mais aquele que declara: 'Eu morreria eternamente por Cristo!'"

AMIGO CRISTÃO: "Cleiton, muito obrigado pela oportunidade de expressar minha certeza na existência em Jesus. Neste momento não seria capaz de morrer por você, mas quem sabe um dia!!!"

CH: "Muito bem Amigo Cristão! Prefiro assim, sabia? É muito bom quando as pessoas reconhecem francamente suas limitações humanas. Isto nos aproxima. Um abraço e obrigado pela oportunidade deste diálogo."

Que cada leitor tire as suas próprias conclusões.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Decreto Dominical - Será que é agora?

por Cleiton Heredia


Para os leitores deste blog que não estão familiarizados com os ensinamentos e doutrinas da Igreja Adventista do Sétimo Dia, irei dar uma rápida explicação sobre o que é este "Decreto Dominical":

Os Adventistas do Sétimo Dia, baseados nos Dez Mandamentos relacionados no livro de Êxodo capítulo 20, mais precisamente no 4º mandamento, entendem que o sétimo dia da semana (o sábado) foi separado por Deus como um dia santo ou sagrado. Eles defendem a ideia de que o sábado foi observado como santo pelos primeiros cristãos convertidos do judaísmo e do paganismo no 1º e 2º séculos, porém com as várias mudanças que foram introduzidas no cristianismo ao longo da história, muitas heresias ou ensinamentos não bíblicos passaram a fazer parte dos dogmas cristãos, entre eles, a mudança do sábado para o domingo legislada pelo supostamente convertido, Imperador Constantino, no ano 321 d.C.. Eles interpretam as profecias do livro do profeta Daniel capítulo 7 e 8 como predições destas mudanças, e interpretam as profecias neo-testamentárias do livro de Apocalipse, mais precisamente no capítulo 13, como um registro profético de mais mudanças que ocorrerão antes da Volta de Jesus, onde haverá uma obrigatoriedade global imposta pelos governos mundiais para a observância do domingo como um dia separado para o descanso. Ainda com base nas suas interpretações das profecias de Apocalipse eles entendem que esta imposição tem um caráter conspiratório que envolverá uma tríplice união de poderes, tendo o próprio Diabo como seu mentor e líder, mancomunado com os Estados Unidos da América do Norte, representando o protestantismo apostatado, e o Vaticano, representando a Igreja Católica Apostólica Romana. Os adventistas usam muito os textos da sua profetisa Ellen G.White, que prenuncia este decreto dominical desde 1858, inclusive afirmando que ocorrerá uma mudança na constituição norte-americana para que a liberdade religiosa naquele país não seja mais absoluta e assim possam ser criados meios de obrigar seus cidadãos a aceitarem este decreto. Eles afirmam que todos que aceitarem o domingo imposto por este decreto estará recebendo a marca da besta e terá perdido a sua salvação para sempre.

Desculpem se ficou muito extenso, mas este é o melhor resumo que pude fazer.

Bem, mas porque estou tocando neste assunto?

A razão é que desde ontem está circulando na mídia interna dos adventistas a notícia de que nesta segunda-feira (dia 20/06) a European Sunday Alliance (Aliança Europeia para o domingo - ESA) promoveu em Bruxelas, Bélgica, uma conferência sobre a proteção do domingo como jornada não laborável, sob o título "O valor agregado da sincronização do tempo livre".

A ESA é uma rede de alianças nacionais formadas por sindicatos, organizações da sociedade civil e comunidades religiosas, entre as quais também se encontram a Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE) e a Conferência das Igrejas Europeias (KEK). Entre os temas tratados estão a segurança dos trabalhadores, o equilíbrio entre trabalho e vida profissional com a vida familiar, e a importância do fim de semana para a vida comunitária. Os organizadores assinalam que "o encontro procura informar os responsáveis políticos europeus sobre a importância de um tempo de qualidade sincronizado não só no aspecto cultural dentro do patrimônio europeu, mas também como um importante fator de construção da Europa social: uma UE consciente das exigências de seus cidadãos".

Será que a interpretação profética dos adventistas está correta e estamos realmente bem próximos da imposição de um decreto dominical que selará o destino eterno da raça humana?

Veja o que diz um proeminente defensor dos adventistas, Michelson Borges:

"O decreto dominical (praticamente o último sinal da iminência da volta de Jesus) será promulgado pelos Estados Unidos, mas essas iniciativas na Europa podem ser consideradas um ' 'ensaio' desse ato final. Quando a lei for aprovada pelos norte-americanos, os europeus (e certamente a maioria das pessoas nos demais continentes) a acatarão facilmente. E o ECOmenismo está aí para fornecer uma razão lógica para aqueles que não querem nada com religião (portanto, receberão a marca da besta na mão – estude Apocalipse 13). Estes dias são solenes; devemos aproveitar a calmaria que antecede a tempestade; como diz o pastor Erton Köhler: 'Jesus tem pressa de voltar.'"

Talvez a primeira pergunta que vem à cabeça de alguém que está tendo um primeiro contato com esta teoria de conspiração seja: Mas e como ficam os 1,5 bilhões de mulçumanos (25% da população mundial) que observam a sexta-feira como um dia santo e não estão nem aí para esta briga entre os cristãos?

Fui adventista por mais de 40 anos e nunca encontrei uma resposta satisfatória para esta pergunta. O máximo que consegui de explicação foi: Isto é um mistério que será revelado por Deus oportunamente.

Então tá! Vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Pacto com o Diabo?

por Cleiton Heredia


Você já ouviu falar em Katy Perry? Alguns menos sintonizados com o mundo da música pop talvez não consigam relacionar o nome com alguns recentes sucessos que não paravam de tocar nas rádios, tais como Firework, California Gurls, Hot'n Cold e Teenage Dream. Em 2008 ela estourou nas paradas de sucesso com a música "I Kissed a Girl" tornando-se mundialmente famosa e polêmica.

Antes de entrarmos no assunto, eu quero convidá-lo para assistir ao clip de um dos grandes sucessos de Katy Perry chamado "California Gurls" (preste bastante atenção na letra e nas imagens do clip):



Que tal? Gostou? Pode ser que sim, pode ser que não, mas isto na verdade não vem ao caso neste momento. Independente do estilo musical que mais lhe agrada, você percebeu alguma coisa estranha na letra ou nas imagens deste clip?

Bem, agora eu quero convidá-lo para assistir a este outro vídeo feito por um cristão, aonde ele pretende fazer uma "análise" da vida desta cantora em relação a esta música, cujo clip acabamos de ver:

Clique aqui para assistir ao vídeo

E então? Você concorda com esta análise?

Tenho certeza que, para quem está inserido dentro do contexto religioso cristão tradicional, tais observações e analogias feitas da vida e da obra desta cantora podem até fazer muito sentido. Digo isto porque eu mesmo já estive mergulhado neste contexto e sei muito bem o quão forte e apelativa é uma análise deste tipo.

Eu não quero bater de frente com os cristãos que acreditam piamente que Katy Perry fez algum tipo de pacto com o Diabo em troca de fama, sucesso e dinheiro (cada um é livre para acreditar naquilo que quiser), mas quero apenas mostrar um outro lado que muitas vezes é ignorado quando se enxerga o mundo somente sob uma determinada ótica.

Vamos primeiramente analisar a declaração de Katy Perry, que parece ter servido de base para tudo que vem a seguir. Ela diz na entrevista: "Eu queria ser tipo a Amy Grant da indústria da música, mas não deu certo então vendi minha alma ao Diabo".

Assim como Amy Grant, Katy Perry também nasceu em um lar cristão e começou a sua carreira cantando música gospel pelas igrejas. Porém, diferente de Amy Grant que conseguiu alcançar o sucesso tornando-se um dos maiores nome da música cristã no mundo, Katy Perry não conseguiu fazer sua carreira decolar sendo "comportadinha". Ela precisou "chutar o pau da barraca" mudando completamente seu estilo musical e visual para então conseguir começar a se destacar.

Isto dito, eu acredito que se torne desnecessário interpretar as suas palavras no sentido estritamente literal, como se Katy Perry tivesse ido a um culto satanista e lá tivesse participado de algum ritual ocultista vendendo a sua alma para Lúcifer. Porque não entender sua declaração como uma figura de linguagem para explicar sua mudança de uma cantora gospel para uma cantora pop que precisou recorrer a algumas estratégias mais apelativas e polêmicas?

Sei que tal atitude para o crente já é motivo de sobra para ele classificar as pessoas que recorrem a este tipo de estratégia, como pessoas que passaram para o lado daquele que eles consideram como "príncipe deste mundo". Até entendo esta ligação subjetiva que eles fazem, mas considero tremendamente apelativo e ofensivo eles afirmarem com todas as letras que tal pessoa é uma adoradora do Diabo e que vendeu literalmente a alma para ele.

O restante da análise do clip que vincula Snoop Dogg como um representante do próprio Diabo e faz todas aquelas analogias para lá de especulativas, torna-se completamente desnecessário comentar, uma vez que se entende que não existe a intenção de qualquer tipo de pacto literal de Katy Perry com o Diabo. Ursinhos de gelatina interpretados como pequenos demônios e estrelas interpretadas como pentagramas é apenas uma forma apelativa de se ganhar a atenção de alguns cristãos que fazem questão de ver a marca do Diabo para onde quer que olham.

O símbolo da serpente é especialmente significativo para os cristãos, uma vez que na Bíblia deles o Diabo é chamado de "a antiga serpente". Mas precisamos também entender que símbolos como o da serpente ou da "maça mordida" foram apropriados pelo mundo ocidental como uma forma de expressar o sexo e a luxúria, que por sua vez caem muito bem na música que fala das garotas "sexys e fogosas" da Califórnia. A serpente que é escalada no clip pode ser entendida apenas como um conceito que expressa o estilo de vida mais liberal das garotas californianas, e não necessariamente como uma representação literal do Diabo ou de alguém que sobe na vida à custa do demônio.

O resto da análise feita no vídeo é uma mistura de vários elementos fora de seu contexto como uma forma de reforçar a idéia pré-concebida de que Katy Perry só alcançou o sucesso e a fama porque vendeu a sua alma para o Diabo. Aliás, para alguns cristãos, o talento individual e os méritos pessoais não são nem ao menos cogitados como uma alternativa de explicação para o artista estar entre os melhores do mundo. Para eles, todos que chegam no topo do sucesso só estão lá porque permitiram que o Diabo os agenciasse em suas carreiras.

Se o Diabo realmente existe, ele deve muito à igreja cristã, pois o que seria dele se não fosse toda a propaganda e promoção que muitos cristãos lhe fazem?

quarta-feira, 9 de março de 2011

Combata os argumentos e não a pessoa que argumenta

por Cleiton Heredia


Hoje eu estava relendo as postagens de meu amigo Ricardo, editor do Blog "A Arte de Ter Razão", e me deparei como a forte reação que sua postagem, intitulada "Sepulcro Vazio - Jesus Cristo não morreu por você", está recebendo.

Acompanho com interesse os comentários ali publicados para ver se surge alguém com alguma explicação lógica e racional para a sua simples, porém brilhante argumentação. Mas infelizmente nada! Apenas críticas à sua postura de escrever aquilo que pensa (diga-se de passagem, de forma muito coerente) no seu próprio blog. E o pior, alguns o fazem escondendo-se covardemente no anonimato.

Eu pergunto: Que sentido faz ler uma argumentação, discordar dela, criticar o seu autor pela iniciativa de tê-la escrito, mas não consubstanciar com argumentos à altura da argumentação feita, explicando por que discorda e critica?

Isto só me leva a pensar que eles não possuem uma resposta satisfatória para dar, e é exatamente por falta de argumentos é que atacam o autor, acusando-o de ateu fanático e homem sem fé.

Por favor, pseudo-defensores do cristianismo, PAREM COM ISSO!

Chega de ataques pessoais! Sejam inteligentes! Não combatam a pessoa, mas sim os argumentos desta pessoa.

Recomendo a leitura da postagem acima e continuarei acompanhando para ver se surgirá alguém que apresente um contra-argumento que seja tão lógico e racional quanto o que está ali apresentado.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Reflexões sobre "Esperança ou Desespero?"

por Cleiton Heredia


Meu amigo Enéias Borges, editor do blog "Convictos ou Alienados", postou hoje uma reflexão muito interessante com o título de "Esperança ou Desespero?".

De certa forma, os pensamentos dele ali apresentados, coincidem com as minhas divagações nestes últimos dias. Tenho pensado muito nesta questão da suprema busca pela verdade custe o que custar versus o conforto com algum tipo de esperança onde a busca pela verdade fica em segundo plano.

A princípio me sinto muito inclinado a concordar com a sua conclusão:

"Melhor viver e morrer com a esperança da salvação. Mesmo sendo tudo falso ainda assim terá imenso valor. Falso ou verdadeiro um ponto se torna inegável: melhor viver e morrer com esperança de salvação do que viver sem a esperança e com o desespero da morte eterna."

Sem dúvida, viver com uma esperança latente é bem melhor do que viver com uma dúvida amargurante ou mesmo com uma certeza desesperadora.

Mas eu me pergunto: Qual esperança deveria eu abraçar?

Seria a esperança da Bíblia cristã, da Torá judaica, do Alcorão islâmico ou da filosofia espiritualista que permeia vários segmentos religiosos diferentes?

Mesmo que eu decida pela esperança cristã, por uma simples questão de contexto cultural, meu problema continua. Devo abraçar a esperança conforme pregada pelo catolicismo ou pelo protestantismo? Sei que as duas estão centradas na esperança salvação e consequente vida eterna, porém há de se convir que na prática, os caminhos que levam a ela são diferentes nestes dois movimentos.

Bem, caso eu decida pelo protestantismo, mesmo assim ainda terei um amplo leque de opções à minha frente. Que tipo específico de contexto devo escolher para viver esta esperança? O contexto religioso dos Batistas, dos Mórmons, das Testemunhas de Jeová, dos Adventistas do Sétimo Dia, dos Presbiterianos, dos Neo-Petencostais ou de qualquer outra nova religião que surge a cada dia?

Como eu nasci em uma família tradicionalmente Adventista do Sétimo Dia, suponhamos que eu escolha por viver a esperança cristã dentro do contexto dos adventistas. Se você acha que aí encerro minhas possibilidades, você está enganado. Devo ainda decidir se quero me unir aos Adventistas do Sétimo Dia tradicionais, da Reforma ou da Promessa. E depois ainda tenho que decidir se fico com os que são trinitarianos ou com os não trinitarianos. Com certeza as opções são muitas, pois tem adventista que aceita Ellen White como profetiza e tem aquele que só aceita com uma mera conselheira, tem adventista que levanta a bandeira do vegetarianismo como requisito para uma vida santa e tem adventista que não sai da churrascaria, tem adventista que advoga o perfeccionismo (pós-lapsarianos) e tem adventista que o combate como fanatismo (pré-lapsarianos), ou seja, tem adventista de tudo que é jeito.

Você pode estar pensando: "Mas calma lá! Estamos falando de esperança, de salvação em Cristo e de vida eterna, e para isto não faz diferença o segmento cristão que escolho filiar-me, pois todos eles concordam na questão da esperança." Concordo parcialmente, pois muito embora a esperança seja a mesma, a teologia sistemática que a embasa e, consequentemente, o contexto prático que a alimenta, pode ser radicalmente diferente.

Bem, mas partindo do pressuposto que eu quero a partir de hoje viver com a esperança, devo então escolher que tipo de esperança abraçar, bem como o contexto religioso onde devo mantê-la e alimentá-la.

Como fazer isto da melhor forma? Qual critério devo usar para fazer a melhor escolha? Afinal de contas ninguém quer abraçar uma esperança tola sem qualquer tipo de fundamento racional, certo? Se um grupo de malucos vier até mim e falar que a minha esperança de vida eterna deve estar baseada na adoração do sol, com certeza eu irei mandar estes caras ir pentear macacos (para ser educado), pois como pode uma simples estrela de quinta grandeza me fornecer qualquer tipo de esperança que seja eterna e principalmente racional?

Concluo então que devo começar a empreender uma busca pela verdade devidamente norteada pela razão.

Espera aí!!! Eu disse BUSCA PELA VERDADE NORTEADA PELA RAZÃO???

Como posso fazer isto se foi exatamente esta busca que me afastou de qualquer tipo de esperança religiosa???

Não! Esquece a busca pela verdade! Se eu quero esperança devo abraçá-la única e exclusivamente pela fé.

Epa! Mas pela fé eu posso abraçar qualquer coisa, até mesmo a esperança de que a salvação vem da adoração do sol ou a crença de que só o "Inri Cristo" salva (aquele brasileiro que fala "Meu Púaaai"). Não há necessidade de que a minha fé esteja baseada na razão, pois eu não preciso de fé para aceitar verdades puramente racionais. Eu não preciso de fé para aceitar o fato de que existe a lei da gravidade, mas certamente eu preciso de fé, e muita fé, para aceitar que existe um ser todo poderoso que sempre existiu, que é o criador do universo, que sabe que eu existo, que me ama e quer me levar para o céu.

Aqui estou eu de volta a estaca zero. Quero uma esperança eterna, mas qual? Se decido escolher com base na busca da verdade norteada pela razão, volto para um ponto que me afasta deste tipo de esperança.

O negócio é fazer "minha mãe mandou bater neste aqui" e pegar a primeira esperança que aparecer sem pensar muito.

Juro que eu já tentei, mas não consigo!

sábado, 29 de janeiro de 2011

O Pecado para o qual não existe Perdão - Parte 2

por Cleiton Heredia


Você deve estar se perguntando: Mas porque ele está abordando este assunto?

Bem, agora você irá começar a entender. Preste atenção nesta conversa entre duas "consagradas" irmãs de uma igreja que um dia já frequentei, a D.Maroca e a D.Candinha (nomes fictícios, é óbvio):

D.Maroca - Irmã!!! Você ficou sabendo do Cleiton que foi ancião aqui desta igreja?

D.Candinha - Cleiton Heredia? Fiquei sim. Que absurdo! Dizem que ele apostatou de vez!

D.Maroca - Pior que isso, minha irmã. O homem virou ATEU!

D.Candinha - Misericórdia, irmã! Como pode? Ele pregava aqui na nossa igreja, dirigia a classe dos jovens, parecia ser uma pessoa tão consagrada.

D.Maroca - Tudo casca, minha irmã. Ele enganou a todos nós. Ele nunca acreditou naquilo e a prova esta aí para todos verem.

D.Candinha - É verdade! A Bíblia fala que nos últimos dias muitos abandonariam a fé dando ouvidos a espíritos enganadores.

D.Maroca - E tem mais, dizem que ele agora está mexendo com magia, poder da mente e coisas relacionadas com o espiritismo.

D.Candinha - Credo, minha irmã! Isto é coisa do Diabo! Mas ele não estudou para ser pastor?

D.Maroca - Sim, ele fez teologia. E é isto que não dá para entender. Como pode alguém que já conheceu a verdade, de repente abandonar tudo e não acreditar nem mais que Deus existe? Alguns falam que ele ficou meio louco porque estudou demais.

D.Candinha - Bem que o apóstolo Paulo dizia que as muitas letras fazem delirar.

D.Maroca - É minha irmã, eu é que não quero estar na pele dele no dia do juízo final. Deus vai pedir conta de toda a luz que ele recebeu, mas recusou.

D.Candinha - É mesmo! Jesus disse que aquele a quem muito foi dado, muito será exigido. Coitado.

D.Maroca - Coitado nada, minha irmã. Ele sabe muito bem o que está fazendo. Ele tem até um blog onde fica debochando de Deus e escrevendo as coisas mais absurdas.

D.Candinha - Jesus amado!!! Isto é pecar contra o Espírito Santo!

D.Maroca - Exatamente! Para alguém que já teve tanta luz como ele, que já conheceu tão bem a verdade, ele foi longe demais. Ele pecou contra o Espírito de Deus e eu acho que ele não tem mais volta. Está perdido para sempre.

D.Candinha - Que triste, né minha irmã? Ver alguém rejeitar a graça de Jesus e escolher a morte eterna. Que loucura!

D.Maroca - É terrível, minha irmã! E é nestes casos que a Bíblia fala que nem adianta mais orar pela pessoa, pois ela pecou para a morte. ... Ai, minha irmã, fiquei falando e nem vi a hora passar. Deixa eu ir que eu preciso me arrumar para ir no culto de vigília lá da igreja. Sabe, Jesus está voltando e eu quero estar preparada.

D.Candinha - Amém, irmã. Vai sim e que Deus te abençoe. Esta conversa só serviu para fortalecer a minha fé e querer se apegar a Jesus ainda mais.

Esta conversa foi elaborada com base em vários comentários da vida real que alguns fizeram (ou fazem) e que, de alguma forma, chegaram aos meus ouvidos. Eu poderia até dar nomes reais à D.Maroca e à D.Candinha, que poderiam também ser Sr.Maroco e Sr.Candinho, mas isto não tem a menor importância para aquilo que quero expor nesta série de postagens.

Amanhã eu concluo...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O Pecado para o qual não existe Perdão - Parte 1

por Cleiton Heredia


Alguns cristãos não gostam muito de pensar na possibilidade de existir algum tipo de pecado que não pode ser perdoado, com medo de já tê-lo praticado e assim estar irremediavelmente perdido por toda a eternidade.

A Bíblia cristã, em dois evangelhos, traz as palavras de Jesus mencionando o pecado imperdoável. São eles:

1) Mateus 12:31 e 32 - "Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado, mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir."

2) Marcos 3:29 - "Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo."

Mas o que seria blasfemar contra o Espírito Santo?

Pelo contexto de Mateus e Marcos, onde estes dois textos estão inseridos, a blasfêmia dos fariseus foi atribuir ao Diabo as obras realizadas por Jesus mediante do poder de Deus. Foi por causa deste tipo de atitude dos fariseus que Jesus mencionou o pecado para qual não existe perdão.

Mas talvez você ainda esteja se perguntando: Mas como eu posso hoje blasfemar contra o Espírito Santo?

Para sermos bem criteriosos, nem mesmo entre os pais da igreja cristã existe um consenso sobre este assunto: Para Irineu o pecado imperdoável era a rejeição do evangelho; para Atanásio era a negação da divindade de Cristo, a qual foi evidenciada ao homem pela concepção do Espírito Santo; para Orígenes era toda a quebra da lei após o batismo; para Agostinho era a dureza do coração humano rejeitando a obra de Cristo.

Os cristãos tradicionais parecem concordar de forma mais ou menos unânime que a blasfêmia contra o Espírito Santo consiste em rejeitar sucessiva e sistematicamente a obra dele (Espírito Santo), que é a de levar os pecadores ao arrependimento, ao ponto de se tornar completamente insensível aos apelos de Deus, fechando assim toda e qualquer possibilidade de ser conduzido ao arrependimento. Desta forma, a pessoa adquire uma visão moral tão distorcida que já não resta qualquer esperança de recuperação.

Guarde isto: "uma visão moral tão distorcida que já não resta qualquer esperança de recuperação".

Amanhã eu continuo...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ciência, Fé e Religião - Parte 2

por Cleiton Heredia


Vamos a segunda pergunta da entrevista feita pelo jornalista Oduvaldo Donnini com o neurocientista Sam Harris:

G1: O que o Sr. nos diz sobre a tolerância religiosa?

Sam Harris: Bilhões de pessoa acreditam que o criador do universo escreveu (ou ditou) um dos nossos livros (Bíblia ou Alcorão), embora há muitos livros que alegam ter autoria divina, e fazem afirmações incompatíveis entre si a cerca de como nós devemos viver. Doutrinas religiosas rivais fragmentaram o nosso mundo em comunidades morais separadas, e essas divisões se tornaram uma causa incessante de conflitos humanos. Diante de tal quadro impera a intolerância. Ora, o homem racional, inteligente e distante de todo tipo de religião e fé, é, por excelência, tolerante.

Meus comentários:

Antes que um religioso se ofenda achando que Sam Harris quis sugerir que não existam religiosos racionais e inteligentes, eu já adianto que não é nada disso.

O foco nesta resposta é a tolerância religiosa. Precisamos reconhecer que a partir do momento que um religioso acredita com toda convicção que o seu segmento religioso é o verdadeiro, que as suas doutrinas religiosas são a expressão da verdade, e que o seu deus é o único deus verdadeiro, isto significa que ele entende que todas as demais religiões, doutrinas e deuses são falsos, espúrios e mentirosos. Daí vem a intolerância.

Coloque frente a frente um devoto cristão fundamentalista e um devoto mulçumano fundamentalista e peça para eles tentarem convencer um ao outro de que a religião, doutrina e o deus do outro é falso. É claro que ninguém vai querer ceder, e pode ter certeza de que ambos estarão dispostos a matar ou morrer por aquilo que acreditam caso entendam que esta seja a vontade de sua divindade.

Agora, coloque frente a frente um ateu com um devoto cristão fundamentalista. Este diálogo tem tudo para não dar em nada, pois conforme diz aquele ditado popular: "quando um não quer, dois não brigam". Um ateu esclarecido, que é movido pela razão, sabe que o religioso é movido pela fé, e contra a fé não existem argumentos. Para o ateu é fim de papo! Ele poderá continuar a conversa falando de futebol ou política, mas não tocará mais em religião.

Isto acontece porque é muito mais fácil para um ateu movido pela razão saber respeitar a fé do seu semelhante, do que um religioso movido pela fé aceitar sem preconceito o direito do outro em não ver o mundo da mesma forma que ele.

Continua...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Deus, Alice e a Matrix

Introdução por Cleiton Heredia


Recebi de um amigo leitor uma indicação de um texto muito bom, que ele comentou encaixar-se perfeitamente com o texto "Leproso! Leproso! Leproso!"

O texto é um pouco longo, mas acredito que aqueles que tiverem uns 15 a 20 minutos para investirem na leitura não se arrependerão. Ou talvez se arrependam.

Como assim?

Bem, é aquela história da pílula vermelha e azul do filme "Matrix". O texto que se segue abaixo pode ser bem parecido com o efeito de uma daquelas duas pílulas. Portanto, faça sua escolha antes de lê-lo:

Azul, continuar na doce ilusão, ou vermelho, conhecer a amarga realidade.

Caso decida pela pílula azul, por favor, não leia!

Caso sua escolha seja a pílula vermelha, boa leitura, mas depois não vai dizer que eu não avisei.


DEUS, ALICE E A MATRIX
Autor: Barros
Fonte: DEUSILUSÃO

“E desde então”, prosseguiu o Chapeleiro num tom pesaroso, “ele [o tempo] não faz mais nada que eu peço! Agora é sempre 6 da tarde!”
Um pensamento brilhante ocorreu à Alice. “Essa é a razão de todas essas coisas de chá estarem postas aqui fora?”, ela perguntou.
“Sim, é por isso”, disse o Chapeleiro com um suspiro. “É sempre hora do chá, o que não nos deixa tempo para lavar a louça entre as refeições.”
“Então vocês sempre ficam mudando de lugar, eu suponho”, disse Alice.
“Exatamente”, disse o Chapeleiro, “à medida que as coisas vão sendo usadas.”
“Mas o que acontece quando vocês dão uma volta completa na mesa?” Alice resolveu perguntar.
“Acho que devemos mudar de assunto”, a Lebre Maluca interrompeu, bocejando.
- ALICE’S ADVENTURES IN WONDERLAND & THROUGH THE LOOKING-GLASS. Carroll, Lewis. A Gignet Classic: New York, 2000. pág. 72. Tradução: Barros.

As aventuras de Alice foram apenas um sonho. Ela, entretanto, nunca desconfiou que estava sonhando, assim como nós mesmos também não temos a consciência de que estamos dentro de um sonho, mesmo se sonhamos que estamos indo ao cinema completamente sem roupa. Quando estamos sonhando, a realidade passa a ser a realidade do sonho.

Eu escolhi o diálogo acima para chamar a atenção para o fato de que, mesmo sonhando, Alice percebeu que alguma coisa não fazia sentido: ora, se eles nunca lavavam a louça em que tomavam chá, e para ter louça limpa eles tinham que mudar de assento, o que acontecia quando usavam todos os lugares? Pareceu óbvio a Alice que, ao darem uma volta completa na mesa, eles acabariam chegando aonde haviam começado e encontrariam lá a louça suja que haviam deixado. E foi isso que ela perguntou. Mas ninguém respondeu; porque a resposta seria: “Não esquenta a cabeça: sonhos não têm esse tipo de lógica” — ou lógica nenhuma; e a surpresa do fim do livro seria, assim, indevidamente antecipada. Por isso a interrupção da Lebre Maluca.

Minha professora de catecismo fez isso comigo várias vezes. Ante as muitas perguntas que eu fazia durante as aulas, ela dava uma de Lebre Maluca e desconversava.

- “Irmã, por que todo mundo abomina o ato de Judas se, de acordo com o plano divino, Jesus teria que ser traído por ele para ser crucificado e nos salvar?”
- “Irmã, a senhora disse que o sofrimento que há no mundo faz parte do plano de Deus, mas, sendo Todo-Poderoso, Deus não poderia ter feito um plano sem que houvesse nenhum sofrimento?”
- “Irmã, se Jesus e Deus são um só, então, por que Jesus ficou em dúvida na cruz sobre se Deus o tinha abandonado? Se Jesus era, também, Deus, ele não teria que saber que ele mesmo não teria abandonado a si próprio?”
- “Irmã, a senhora disse que as pessoas só irão para o Céu, para o Inferno ou Purgatório depois do Juízo Final. Para onde vão as almas nesse meio tempo?”
- “Irmã, por que Deus teve que descansar no sétimo dia?”

E por aí afora. A questão é que ela nunca respondia. Ela falava e falava sobre um monte de coisas, sobre como Deus era bom, sobre como ele tinha tudo planejado, sobre como precisávamos ter fé, lia esse e aquele versículo da Bíblia e eu acabava ficando sem as minhas respostas. Como fez a Lebre Maluca, ela desconversava e tentava me manter no mesmo sonho que ela.

Porque se todos sonham o mesmo sonho ao mesmo tempo, por mais maluco ou maravilhoso que seja, ele passa a ser “a” realidade.


Mesmo quando eu me considerava católico, andava longe de ser um cristão convicto. Até onde eu lembro, eu nunca realmente acreditei naquilo tudo. Não completamente. Como fez Alice na mesa do chá, eu vivia fazendo perguntas inconvenientes, e as Lebres Malucas que me pediam para mudar de assunto eram tantas que eu comecei a desconfiar que alguma coisa estava errada. Ou comigo, ou com todo o resto.

Não me atrevia a fazer esse tipo de questionamento a minha família, afinal, foram eles todos que invadiram meu pequeno e desprotegido cérebro e colocaram a coisa toda lá dentro; mas achei que a freira encarregada de me preparar para a primeira comunhão seria a pessoa ideal a quem dirigir tais perguntas. Não era. Eu concluí meu catecismo com uma sensação, até então inexplicável, que só poderia ser descrita como desconforto intelectual. Era como se eu não tivesse conseguido entender o que, aparentemente, todos os outros meus colegas de classe haviam entendido, ou — como penso hoje — tivesse entendido algo que nenhum deles conseguiu entender.

De uma forma ou de outra, acho que eu fui o único da minha turma que entrou pela primeira vez na “fila da hóstia” sem nenhum entusiasmo. Que eu lembre, eu só estava curioso para saber se ela era salgada ou doce. E enquanto eu voltava para o meu lugar, ainda com a hóstia irritantemente colada no céu da minha boca, a parte do meu cérebro que estava sendo treinada para a religião deixou escapar isso: “É um tipo de massa de pão!” E o resto dele respondeu em coro: “O que você esperava? Um naco de carne do corpo de uma pessoa? Eca!”.

Eu realmente passei muito tempo sem entender o que estava acontecendo. Eu não tinha fé e não entendia por que me preocupava com isso; eu não acreditava em Deus e não sabia por que fingia que acreditava; eu não era em nada religioso e me culpava por não ser… Afinal, por que ser tão diferente? Por que não ser igual a todo mundo?

Eu, que não sou erudito, nem tenho uma inteligência muito confiável, não consegui encontrar sozinho uma resposta. Somente muitos anos depois do meu catecismo, quando assisti pela primeira vez no cinema às aventuras de uma outra Alice — a versão do século XXI — eu pude tecer, em retrospecto, uma analogia, e entender o que se passou comigo durante aquela época da minha vida. Eu ficaria muito orgulhoso de citar aqui o nome de um filósofo ou grande escritor que tivesse me feito assimilar o que significava a religião, mas foi com o filme “The Matrix” que eu finalmente entendi.

No domingo seguinte, eu fui assistir a uma missa. Sentei bem no último banco de uma igreja lotada. Não rezei, não cantei, não comunguei. Eu estava lá apenas para uma cerimônia muito particular: seria a primeira vez que eu iria “ver” a Matrix. E eu vi: a religião precisa mesmo ser compartilhada; precisa ser vivida em grupo. Uma pessoa isolada chegaria sozinha à conclusão de que suas orações são inúteis; seus rituais, tolos; as letras dos seus hinos, absurdas; e seus dogmas, algo muito próximo do tipo de mágica com que se distrai as crianças. Você precisa de reforço para acreditar. Você precisa estar conectado a um mundo de gente que também acredita; e eles serão tantos e estarão tão fortemente convencidos de suas crenças que você, quase que inevitavelmente, vai achar que eles todos não podem estar errados e só você, certo. Você não vai querer ser diferente; você vai querer fazer parte do rebanho. Talvez venha disso o carinhoso epíteto de “ovelhas”.

Durante cerca de uma hora, eu assisti a uma missa católica, a qual eu estava tão acostumado, mas só que de um outro ponto de vista. Foi como se, depois de tanto tempo perdido numa floresta densa, a gravidade tivesse deixado de existir e eu pudesse flutuar para muito acima da copa das árvores, apreciando o mundo de um novo ângulo, de uma nova dimensão. (Não foi só você que brincou de Super-Homem, Neo…)

Eu entendi, com alívio, que não havia nada de errado comigo, nem nunca houvera. Eu apenas não fazia mais parte daquele mundo. Eu estava desconectado da Matrix.

E foi bem ali, naquele banco de igreja, que eu vi confirmada a minha analogia com o filme; foi quando e onde eu compreendi o porquê de todo aquele desconforto, inquietação e dúvida; foi quando e onde, pela primeira vez, eu percebi a razão de achar aquele mundo tão estranho e inadequado para mim. Foi lá que encerrei minhas aventuras pelo País das Maravilhas. Mas não fiquei triste. Ninguém deveria ficar triste por ter despertado de um sonho. Mesmo se fosse um sonho bom; o que não era o caso.

Levantei antes do fim da missa. Estava já bem perto da porta e, enquanto saía, voltei os olhos involuntariamente na direção da estátua de um homem seminu atrás do altar. Por um breve instante, percebi que aquela parte do meu cérebro que desde muito tempo atrás habitara aquele mundo teve vontade de acenar um adeus de despedida. Mas eu a contive a tempo e acrescentei — desnecessariamente sarcástico, confesso — que o homem estava com as duas mãos pregadas: não iria acenar de volta.


“O vazio que os ateus sentem nas suas vidas é exatamente da forma e do tamanho de Deus.”

Sou capaz de apostar que todo ateu já ouviu isso de alguém. Ou isso, ou algo que o valha.

Eu só posso falar por mim: sou ateu e minha vida não é vazia. O que eu sinto é uma certa inquietude — e isso não tem nada a ver com vazio — cuja causa é a nossa condição única, como espécie, de questionar, de fazer perguntas. Como não temos respostas para a grande maioria das perguntas que fazemos, e como a nossa capacidade de fazer perguntas é infinitamente maior do que a nossa pequena habilidade recém-adquirida de respondê-las, talvez tenhamos um certo ar contemplativo, introspectivo, distante. E já que os religiosos não estão muito familiarizados com a atitude de racionalizar, pois eles têm respostas prontas para tudo, bem como tudo no mundo deles se explica com mágica, eles interpretam esse comportamento como sintoma de algum distúrbio mental, ou como sinal de tendência ao suicídio. Eles chamam de “vazio”, mas é só um eufemismo.

As pessoas, normalmente, não suportam o peso dessa inquietação intelectual e têm Deus como resposta única para tudo, sem levarem em conta que a origem e o propósito de Deus levantam muito mais questões do que respondem. Mas Deus é Deus. O Alfa e o Ômega, o Início e o Fim, etc., etc., etc., e isso basta para elas. Mas para mim, como para muitos outros, isso não basta. Ou, melhor dizendo: isso não serve como resposta.

Geralmente, quando alguém descobre que sou ateu, a primeira pergunta que me faz é esta: “Ora, ateu!? E quem você acha que criou tudo isso?”, e a pessoa espalma a mão para o céu. Apenas para testar se vale a pena iniciar um debate, eu costumo responder com outra pergunta:

— E por que você acha que “tudo isso” precisaria ter sido “criado”?
— Ora! Como “tudo isso” poderia ter vindo do nada?
— E quem criou, então, foi Deus?
— Claro.
— E quem criou Deus?
— Deus sempre existiu.
— E você não poderia supor que “tudo isso”sempre existiu?


A atitude da pessoa nesse ponto me permite avaliar se dá para continuar a conversa ou se é hora de bater em retirada. Pessoas religiosas podem se tornar bastante violentas de uma hora para outra. E isso é por demais compreensível: Deus está incrustado no cérebro deles. A ideia de se desfazer de Deus lhes desperta, no inconsciente, o medo que sempre se associa à expectativa da dor, pois perder parte do corpo, geralmente, envolve dor. Não criticaria ninguém por se estrebuchar enquanto estão tentando arrancar uma parte qualquer do seu próprio corpo.

Eles farão tudo para continuar acreditando. Não importa o que aconteça. Se um homem tinha uma entrevista de emprego e saiu de casa atrasado, mas o ônibus chegou no ponto bem na hora em que ele também chegava, ele irá atribuir a Deus essa graça. Como se Deus tivesse cronometrado tudo, atrasado certas coisas, adiantado outras só para o ônibus passar exatamente naquela hora em que ele mais precisava. Mas se ele, ao voltar para casa, descobrir que sua filhinha de 4 anos foi estuprada por dois homens e morta asfixiada com folhas e terra na sua garganta, como aconteceu há algum tempo na região metropolitana da cidade onde moro, ele irá, certamente, como todas as pessoas de fé que tentarão consolá-lo, atribuir aquilo ao Diabo. Eu, por mim, não me atreveria a perguntar para um pai nessa situação se ele não preferiria ter um Deus que se importasse mais com a sua filhinha de 4 anos do que com os horários dos ônibus.

As outras opções disponíveis são ainda mais estúpidas: Deus escreve certo por linhas tortas/isso faz parte do plano de Deus/são os desígnios de Deus/Deus está testando a minha fé/e por aí vai…

Eu mesmo não poderia inventar um Deus mais ridículo, mais criminoso, mais malévolo, nem mais mesquinho do que esse.


O apelo mais forte da religião é, sem dúvida, sua promessa de vida após a morte. Essa promessa é tão poderosa não só porque é tentadora, por si, mas porque reverbera em nosso ser até o nível dos genes, pois é esse o seu objetivo primordial: continuar existindo, mesmo depois que o corpo no qual eles temporariamente habitaram devolva, separadamente, todos os seus átomos para a Terra.

Acreditar que existe um lugar para onde ir depois da morte e continuar a existir lá pode ser extremamente reconfortante. Não sei de nenhuma religião que não prometa um tipo de paraíso para além do túmulo. (Esqueçamos o Inferno, por ora, pois as pessoas que acreditam em vida após a morte também fazem questão de esquecer a possibilidade de terem uma vida-pós-morte lá.) E as pessoas fazem de tudo para acreditar nisso.

Eu costumava ver um programa americano na TV paga em que um médium num palco (porque aquilo era mesmo um “show”) alegava fazer contato com os parentes mortos das pessoas na plateia. Era algo mais ou menos assim:

— Sinto que um espírito está tentando estabelecer contato… e seu nome começa com a letra M. Alguém na plateia perdeu um ente querido cujo nome começa com a letra M?
— Sim, eu! Meu irmão Michael.
— Pois ele está aqui, querida. Ele diz que está bem, muito feliz, que está cuidando de você e olhando para você de onde ele está…


As pessoas na plateia não se importaram de perguntar como o médium “ouviu” o defunto dizer todas aquelas frases para a irmã, se, no início, só tinha conseguido ouvir que o dito cujo tinha o nome começado com a letra M. Talvez elas pensem que, depois que aparece alguém com os olhos cheios d’água, o download fica mais eficiente.

Com Zíbia Gasparetto a coisa muda. Ela escreve livros psicografados e adquiriu fama e fortuna com eles. Numa entrevista recente, ela disse que é muito fácil o seu trabalho: ela é apenas uma “secretária” que digita os textos ditados pelo seu mentor, o espírito Lucius, ou diretamente dos defunto-autores, tipo Brás Cubas. (Gente que, em vida, nunca se importou em escrever sequer um diário. Talvez o Céu seja um lugar muito tedioso e onde se proíbe o uso de laptops, daí os pobres dos defuntos precisam terceirizar o seu hobby.) Ela, então, senta-se em frente do computador, põe uma música suave e começa a escrever. Na época da entrevista, estava escrevendo três livros ao mesmo tempo, e dedicava dois dias por semana a cada um deles. Para continuar uma história de onde a havia deixado, bastava ler a última frase digitada, que o defunto-autor correspondente se aproximava e continuava dali. Com Zíbia, suponho que seja mais ou menos assim:

— Ei, desculpe, mas você escreveu ideia sem acento. Queira corrigir por favor, sim?
— Não, meu caro Lucius, é assim mesmo agora. Mudou a ortografia do português. Vocês aí em cima não estão sabendo?
— Foi mesmo? Não, não chegou nada aqui ainda. Na verdade, eu morri já há muito tempo e só há pouco que consegui me adaptar à reforma ortográfica de 1971… Já fizeram outra, foi? Nossa! assim fica difícil um espírito ganhar a vida como escritor…
— Lucius, querido, você já está morto. Quem precisa ganhar a vida sou eu. Deixemos de conversa mole. Continue com a história e deixe os acentos por minha conta.


Eu poderia concluir três coisas muito interessantes:

1ª se Zíbia Gasparetto assumisse o lugar do médium americano ficaria infinitamente mais rica, pois me parece que ela usa um tipo de conexão banda larga para se comunicar com o além;

2ª se o médium americano tentasse escrever romances psicografados iria ficar infinitamente mais pobre, porque, acho eu, ele precisaria de alguém que conhecesse o defunto-autor o tempo todo ao seu lado chorando para manter a conexão discada sem cair;

3ª as pessoas têm uma vontade tão grande de acreditar que a morte não é o fim que aceitam como verdade qualquer coisa que alguém alegue que veio “do outro lado”; seja apenas a letra inicial de um nome, ou milhões delas no formato de um romance encadernado em capa dura.


Eu resolvi dar a essa série de textos o título de “Deus, Alice e a Matrix” porque, para mim, essa trindade permite explicar “divinamente” bem meu ponto de vista sobre a religião. Mas para você entender por que, preciso, primeiro, explicar algo.

A palavra ‘nonsense’, nos originais em inglês, é sentida como uma assombração nos dois livros sobre as aventuras de Alice. ‘Nonsense’ pode ser traduzido como “bobagem”, “tolice”, “absurdo”, etc., mas seu significado mais profundamente etimológico não tem correspondente em português; então, é preciso parafrasear: ‘nonsense’ é “algo que não faz sentido”. Se eu disser que eu sou o cara mais bonito de todo o país, você pode dizer que isso é uma tolice, uma bobagem, ou uma mentira; mas não é ‘nonsense’. Já se eu disser que para alguém ser considerado bonito tem que ter acesso à Internet, é.

Os livros de Alice são puro ‘nonsense’. Mas isso só pode ser percebido completa e satisfatoriamente em inglês, porque o autor se valeu, obviamente, do seu próprio idioma para escrever a história. Da mesma cena do chá, eu traduzi um diálogo que exemplifica isso: O Arganaz está contando uma estória de três irmãs que moravam no fundo de um poço, e menciona que elas estavam aprendendo a desenhar.

— "O que elas desenhavam?", Alice perguntou.
— "Melaço", disse o Arganaz.
[APÓS UMA INTERRUPÇÃO PARA QUE MUDASSEM DE ASSENTO PARA OBTEREM LOUÇA LIMPA, ALICE VOLTA A PERGUNTAR:]
— "Mas eu não entendo: de onde elas puxavam o melaço?"
— "Você pode puxar água de uma cacimba", disse o Chapeleiro; "assim, eu deveria supor que você pudesse puxar melaço de um poço de melaço, hein, sua tonta?"


E a conversa desandou a partir daqui e tudo porque, devido à interrupção, Alice esquecera que as meninas da estória estavam aprendendo a “desenhar” (‘draw’, em inglês) e não a “puxar” (que é ‘draw’, também). Só que os interlocutores dela não se importaram com a confusão que ela havia feito com os dois significados dessa palavra e a estória acabou tomando um novo rumo, sem nenhuma ligação com o início, só para poder se ajustar ao significado de ‘draw’ que Alice estava, então, considerando.

Não tive ainda, até hoje, a curiosidade de ver como os tradutores resolveram — se é que resolveram — esse e todos os outros problemas envolvendo os trocadilhos em inglês, que enfeitam a história e são a base do ‘nonsense’, mas suponho que as traduções sejam apenas um arremedo mal feito.

Mas, enfim, Alice estava visitando um mundo completamente novo com leis e lógica próprias, mas que faziam sentido para os seus habitantes. O ‘nonsense’ só passou a existir por causa de Alice. Sem ela, o País das Maravilhas seria um lugar normal.

Já a Matrix do filme era um programa de computador que conectava todos os habitantes do mundo a um sonho comum que era o que, para nós, seria a vida real. A Matrix teria funcionado perfeitamente bem, mesmo se algumas pessoas despertassem e fossem desconectadas. O problema só começou — e é esse o mote do filme — quando os que acordaram do sonho aprenderam a se reconectar à Matrix para tentar despertar outros. Eles se tornaram um tipo de Alice, só que com um trunfo na manga: eles sabiam que estavam dentro de um sonho e, em sabendo disso, usavam e abusavam do ‘nonsense’ que só os sonhos permitem.


Aonde eu quero chegar? Aqui: Os religiosos estão vivendo dentro de uma Matrix Intelectual. Eles foram conectados a ela desde a primeira infância pelos seus pais, pela sua família, pela sua sociedade. O Sistema os mantém num sono profundo e os alimenta com os seus ritos, seus catecismos, seus livros sagrados, suas orações, suas missas, seus dogmas e tudo o mais que puder ser usado para mantê-los dormindo. Eles não têm como perceber que estão dentro de um sonho, pois o mundo em que eles vivem faz sentido, como o País das Maravilhas sem Alice faria. Eles não são capazes de perceber o ‘nonsense’ porque o ‘nonsense’ simplesmente não existe na realidade deles. Se todo mundo compartilha a mesma realidade repleta de mágica, então a mágica passa a ser considerada uma coisa normal, possível, ou mesmo esperada.

Então, já que é assim, como eu me atrevo a dizer que eles estão conectados, sonhando dentro de uma Matrix, e não eu juntamente com todos os ateus? Como saber quem está no mundo real e quem está na Matrix? Quem está sonhando e quem está acordado?

Bom… procure pelos personagens do País das Maravilhas na “sua” realidade. Se eles estiverem lá, você estará sonhando. Se você encontrar Lebres Malucas pedindo para você mudar de assunto sempre que você faz determinadas perguntas; ou se as suas perguntas são respondidas de um jeito que não faz o menor sentido, que não explica nada; ou se as estórias que você ouve as pessoas do seu mundo contar mudam de rumo e ninguém liga, tipo: Deus disse para o chefe de um povo que determinado homem tinha que ser apedrejado até à morte porque foi pego apanhando lenha no dia de sábado, e, depois, Jesus (supostamente o mesmo Deus) disse que não era bem assim…; ou se você se sente desconfortável quando alguém diz que vê o mundo de uma forma diferente da sua, a ponto de fazer você sentir necessidade de se afastar dessa pessoa e, adicionalmente, procurar refúgio e conforto nos seus próprios meios de ver o mundo junto com todos os outros que o veem como você, de forma a reforçar a sua própria crença nessa “realidade”… sinto dizer, mas você estará conectado.

Nós, ateus, somos Alices invadindo uma Matrix muito, muito hostil. Saiba que, se você estiver pensando em despertar alguém, pode se ver em sérios apuros porque, como no filme, cada um deles faz parte do Sistema e irá lutar para defendê-lo. Enquanto não estiverem desconectados, todos eles serão seus inimigos. Muitos são Agentes — guardiões da Matrix — , definitivamente conectados a ela e especialmente treinados para combater invasores como você e eu. Não tente enfrentá-los: você não poderá vencê-los. [negrito acrescentado pelo editor deste bolg]

Mas, se mesmo sabendo disso tudo, você realmente quiser trazer alguém para fora, não entre lá sozinho. Monte uma equipe de resgate, trace um plano, treine antes. E se você vir um Agente, faça o que todos nós fazemos.

Corra.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Leproso! Leproso! Leproso!

por Cleiton Heredia


Antigamente, mais precisamente nos tempos do antigo Israel bíblico, quando uma pessoa encontrava-se acometida de hanseníase, popularmente conhecida como lepra, era obrigada por lei a afastar-se de todo tipo de convívio social. Ele deveria deixar o seu lar e o seu trabalho, afastando-se por completo de sua família e dos seus amigos. A partir do momento que a doença fosse detectada seus únicos companheiros poderiam ser somente os outros leprosos igualmente marginalizados.

Como se não bastasse toda a dor causada pelo afastamento daqueles que ele mais amava, ainda era obrigado a se submeter à um humilhante costume exigido naquela época. Cada vez que um leproso visse uma pessoa normal se aproximando dele, deveria gritar para que todos pudessem ouvir:

- "Leproso! Leproso! Leproso!"

Desta forma as pessoas seriam avisadas para desviarem seu caminho e não se aproximarem daqueles que eram vistos como miseráveis pecadores amaldiçoados por Deus.

Os anos se passaram e aqui nos encontramos já vivendo o século XXI. A humanidade evoluiu cientificamente e com isso o bacilo Mycobacterium leprae foi identificado transformando a lepra em apenas mais uma doença passível de ser tratada e curada. Somente acho lamentável que a mentalidade de muitos seres humanos não tenha evoluído na mesma proporção que a ciência avançou.

Vivemos em um mundo onde 97% das pessoas são de alguma forma religiosas, ou seja, acreditam em algum tipo de força superior transcendente e sobrenatural denominada deus ou deuses. Os 3% que não pensam da mesma forma e se atreveram em algum momento de suas vidas a se declararem ateus ou ateus agnósticos, são vistos por esta esmagadora maioria de religiosos como verdadeiros leprosos morais.

Os familiares religiosos os rejeitam, os amigos religiosos se afastam e até no trabalho correm o risco de serem demitidos pelos seus patrões igualmente religiosos. Quando estes marginalizados do mundo da fé procedem de algum tipo de comunidade religiosa, passam a ser alvo de uma espécie de asco e ódio "santificados" por parte daqueles que antes lhes chamavam de irmãos.

O antagonismo que recebem é tão gritante que nem precisam mais alardearem pelos quatros cantos: "Leproso! Leproso! Leproso!". O mundo religioso é quem se incumbe de dar o sinal de alerta mediante sistemática difamação e insinuante calúnia: "Cuidado, aquele ali é um ateu!"; "Apostatou da fé!"; "Abandonou a Deus!"

Quanto a lepra, ainda entendo que havia uma razão lógica para, naquele tempo, afastarem os contaminados. A doença era contagiosa e não tinha cura. Mas e quanto ao ateísmo? Ele é contagioso? De forma alguma! Só se torna ateu quem quer. Ele não tem cura? Eu acredito que não, porém os "sãos" nada tem a temer, pois além de já estarem vacinados com a fé, não existe qualquer risco de contaminação involuntária.

Então, por que um ateu precisa ser tratado como um leproso? Eu sinceramente não entendo. Eles continuam sendo as mesmas pessoas. Suas convicções mudaram, mas não o seu caráter. É claro que existem bons e maus ateus, assim como existem bons e maus religiosos. Se um religioso é honesto e cumpridor das leis, a tendência é que, caso um dia venha se tornar um ateu, continue sendo honesto e cumpridor das leis.

Este negócio de pensar que a concepção da inexistência de Deus torna tudo válido, só passa pela cabeça pequena de pessoas que não entendem nada de cidadania e respeito ao próximo. Somente um péssimo religioso faz o que é certo com vistas na recompensa e com medo do castigo. Um bom religioso faz o que é certo simplesmente porque é a coisa certa a ser feita. Um bom ateu também!

O que mais me entristece nesta história é saber que estes "cristãos", que agem de forma discriminatória e desrespeitosa para com os ateus (leprosos?), tiveram em seu Mestre máximo um exemplo bem diferente.

Jesus não excluiu os leprosos de seu convívio, nem muito menos os considerou párias da sociedade.

Jesus os amou!

Observação: Esta postagem foi inspirada em uma rápida conversa que tive ontem ao telefone com um primo, por parte de pai, que eu admiro e gosto muito. Apesar de não mais compartilharmos das mesmas convicções, ele soube demonstrar na prática aquilo que alguns conhecem apenas por preceito. Não irei nomeá-lo aqui em respeito a sua privacidade, porém, caso ele um dia leia esta postagem e queira identificar-se, poderá fazê-lo no espaço reservado aos comentários dos leitores.

sábado, 8 de janeiro de 2011

O mundo seria um lugar bem melhor sem religião

por Cleiton Heredia


Recentemente deparei-me com uma interessante postagem escrita por uma jovem de 20 anos cujo título era "Não gosto de religião".

Título intrigante se considerarmos o fato dele ter sido escrito por alguém que nasceu e cresceu em um lar cristão, estudou em um colégio cristão tradicional e frequentou uma igreja cristã de padrões conservadores desde a mais tenra idade.

Ela escreveu:

"Acredito que foi aos dezesseis anos que parei de frequentar a igreja e, desde então, não tenho sentido falta. Isso mesmo: não sinto falta, e ainda ouso dizer que não voltarei a sentir. Pra ser bem sincera, sempre me senti presa naquele meio, nunca levei muito a sério a lavagem cerebral a que era submetida semanalmente. Sim, para mim, aquilo era uma espécie de lavagem cerebral, pura alienação." (Grifos acrescentados)

Palavras fortes. Porém, o que mais me chamou a atenção foi esta declaração:

"Acho que o mundo seria um lugar bem melhor sem religião. Veja bem, não disse fé; disse religião. Não deveria existir denominação religiosa. Acho um absurdo a quantidade de notícias sobre violência relacionada à intolerância religiosa. Outro fator que me chama a atenção é que, geralmente as religiões pregam sobre a igualdade entre os homens, e o que vemos nestes contextos é exclusão, seja por classe social, por etnia e, principalmente, por opção sexual. Na teoria, as religiões deveriam unir o mundo; na prática, acabam dividindo-o ainda mais. Pode soar até meio anarquista (?), mas realmente, acho que o mundo seria bem melhor sem religião." (Grifos acrescentados)

Já faz algum tempo que eu estava tentando escrever um texto para servir de contexto para o vídeo que vocês assistirão logo a seguir. Ao ler esta postagem da Michelle Borges, digo que não precisarei mais escrevê-lo. Ela conseguiu resumir muito bem a essência daquilo que eu gostaria de ter dito: "O mundo seria um lugar bem melhor sem religião".



Michele Borges é estudante de jornalismo, editora do Blog da Michas e filha de um grande amigo que formou-se juntamente comigo no Teológico.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ateus conhecem mais sobre religião do que os próprios religiosos

por Cleiton Heredia


Que vergonha! A constatação acima foi feita após o levantamento realizado com 3.412 cidadãos norte-americanos através de uma pesquisa realizada pelo Instituto Pew Research Center.

Uma espécie de questionário com 32 perguntas foi criado para testar o conhecimento dos americanos em três tópicos: Bíblia, tradições religiosas mundiais e relações entre Igreja e Estado.

O resultado geral do teste foi:

1º) Ateus e Agnósticos.................... 20,9 pontos
2º) Judeus................................ 20,5 pontos
3º) Mórmons............................... 20,3 pontos
4º) Protestantes Evangélicos Brancos...... 17,6 pontos
5º) Católicos Brancos..................... 16,0 pontos
6º) Protestantes Tradicionais Brancos..... 15,8 pontos
7º) Nenhum segmento específico............ 15,2 pontos
8º) Protestantes Negros................... 13,4 pontos
9º) Católicos Hispânicos.................. 11,6 pontos

A média geral dos americanos ficou em 16 pontos de um total de 32. Diga-se de passagem que 60% dos americanos consideram a religião algo importante para a sua vida e 40% vai à igreja pelo menos uma vez por semana. Porém, caso não fosse a grande ajuda dos ateus e agnósticos esta média de 50% de acerto seria bem menor. Que ironia!

Parece um absurdo, mas quase 50% dos católicos que não sabem que o pão e o vinho da missa não são apenas elementos simbólicos, mas, de acordo com o Catolicismo, se transformam literalmente na carne e sangue de Cristo. Outro absurdo é mais da metade dos protestantes não conseguirem identificar Martinho Lutero como o líder da reforma que deu origem ao segmento deles.

Quando o assunto é Bíblia e cristianismo, os Mórmons lideram com 7,9 pontos de um total de 12, seguidos pelos Protestantes Evangélicos Brancos com 7,3 pontos e os Ateus e Agnósticos com 6,7 pontos. Os católicos conseguiram apenas 5,4 pontos, superando apenas ao grupo daqueles que não possuem nenhuma afiliação específica.

Bem, não é novidade alguma saber que os protestantes conhecem mais a Bíblia que os católicos, porém para muitos a surpresa é ver que os ateus e agnósticos estão em terceiro lugar em um conhecimento tão específico.

Mas se você pensar um pouco, a pontuação geral da pesquisa, com os ateus e agnósticos em primeiro lugar, constatou apenas o óbvio. Ser ateu ou agnóstico não é, como muitos preconceituosamente pensam, ser um ignorante anti-religioso. Muito pelo contrário!

Devido ao instintivo medo da morte que acompanha a todo ser humano normal, o mais comum é que as pessoas procurem e se identifiquem com algum tipo de visão do mundo que lhe forneça algum tipo de esperança em relação ao seu maior temor, a morte. É por este motivo que os religiosos são a esmagadora maioria neste planeta.

Por outro lado, ser um ateu e não acreditar em qualquer tipo de esperança sobrenatural, ou mesmo ser um agnóstico e ter dúvidas quanto a todo tipo de esperança sobrenatural proposta pelos segmentos religiosos, é algo que envolve um processo de investigação sincera em busca da verdade, seja ela qual for e esteja onde estiver.

Como, em relação ao problema da morte, não existe nenhuma vantagem psicológica em ser um ateu ou agnóstico, somente adota este tipo de postura alguém que decide não abdicar da estrita racionalidade frente aos fatos.

Em outras palavras, para ser um religioso basta crer, mas para ser um ateu ou agnóstico é necessário sair em busca do conhecimento, não tendo medo de onde esta busca poderá te levar.

Caso queira ler mais sobre esta pesquisa, clique aqui (em inglês).

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Deus existe!

por Cleiton Heredia

Se eu fosse me basear única e exclusivamente nas emoções que me afloram ao ouvir esta belíssima composição musical, eu diria que Deus existe, a religião verdadeira é a cristã e um dos seus principais mensageiros ungidos para anunciá-lo através da música chama-se Wolfgang Amadeus Mozart.


Quando a música termina e a emoção se esvai, a razão pondera sobre tal sentimento e conclui que tal arrebato de emoções só foi possível por causa da minha cultura predominantemente religiosa e meu gosto musical pessoal.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A Ilusão da Esperança Espírita

por Cleiton Heredia


No interessante debate que está sendo realizado neste blog relacionado à última parte da série de postagens intitulada "A Máfia Psíquica", eu aprendi algo curioso em relação à doutrina/reli- gião espírita.

Em um ponto do debate, o cético Carlos Barth fez o seguinte questionamento ao espírita Vitor Moura Visoni (com o pseudônimo de "Enfant Terrible"):

- Se meu pai foi a reencarnação de Napoleão, ao me comunicar(*) com ele, falaria com meu pai ou com Napoleão?

(*) É óbvio que Carlos Barth está se referindo ao tipo de comunicação que os espíritas acreditam que pode ser estabelecido entre os vivos e os mortos.


O Sr.Vitor responde:

- Com seu pai. Até agora, tudo indica que a vasta maioria dos espíritos não se lembra de suas vidas passadas.

Achei a pergunta genial (nunca havia pensado nisto deste ângulo), mas confesso que a resposta me surpreendeu.

Se eu entendi corretamente, no caso hipotético do espírito de Napoleão já ter reencarnado, então não existirá mais a possibilidade de contatá-lo em uma sessão espírita, pois este espírito já não existe mais como Napoleão, e sim como o pai do Carlos Barth.

Curioso, não acham?


Isto quer dizer que se um parente seu que você ama muito (por exemplo: sua avó, sua mãe ou um filho) morrer e depois reencarnar em outro ser qualquer, você pode perder as esperanças de revê-lo no além ou no mundo dos espíritos quando você próprio morrer e for para lá como um espírito.

Isto porque seu ente querido já não existirá mais no mundo espiritual da forma como você gostaria de encontrá-lo (ou seja, como sua avó, sua mãe ou seu filho), pois este espírito já assumiu outra personalidade e será outra pessoa ou outro espírito sem a menor noção de quem você é.


Portanto, se você acredita na filosofia/religião espírita e perdeu alguma pessoa muito querida, mas tem a esperança de revê-la no mundo espiritual, pode ir tirando seu cavalinho da chuva, pois talvez isto nunca aconteça. Na verdade, tal situação não será muito diferente da morte/separação eterna, pois se ele reencarnou, você nunca mais o reencontrará da forma como gostaria.

Fico imaginando a cena:


Filho morre e vai para o plano espiritual com o forte desejo de rever a sua querida mãezinha que faleceu quando ele ainda era uma criança. Chegando lá começa a perguntar para um e para outro a respeito de sua mãe, até que um espírito mais evoluído (talvez Jesus) lhe dá a notícia:

- Sua mãe não existe mais da forma como você a conheceu. Ela reencarnou em um homem que já morreu de câncer. O espírito dele está ali. Se quiser ir bater um papo com ele fique a vontade, mas ele não terá a menor noção de que um dia foi a sua mãe.

Pelo visto o espiritismo não fornece uma esperança tão sólida como muitos acreditam.


Desta perspectiva sou muito mais a esperança dos cristãos que crêem na imortalidade da alma ou na ressurreição do corpo por ocasião da volta de Jesus. Pelo menos eles possuem a inabalável esperança de que a separação ocasionada pela morte não será eterna, pois, segundo suas crenças, irão verdadeiramente rever um dia seus próprios entes queridos.

Separei abaixo uma música cantada na bela voz da intérprete e compositora cristã, Alessandra Samadello, que fala da esperança que os cristãos possuem em relação à morte:


Concluindo, já que estamos falando de duas crenças (cristianismo e espiritismo) cujo principal fundamento é a fé, seria bom não trocar o certo pelo duvidoso.