terça-feira, 29 de março de 2011

A Mágica não é "coisa" do Diabo

por Cleiton Heredia


Arthur C. Clarke (1917-2008) foi um escritor e inventor britânico, autor de obras de divulgação científica e de ficção científica como, por exemplo, The Sentinel que deu origem a um dos mais clássicos filmes do gênero sci-fi: "2001: Uma Odisséia no Espaço".

Ele formulou três interessantes leis que tratam da relação entre o homem e a tecnologia:

1ª) Quando um cientista distinto e experiente diz que algo é possível, quase de certeza que tem razão. Quando ele diz que algo é impossível, ele está muito provavelmente errado.

2ª) O único caminho para desvendar os limites do possível é aventurar-se além dele, através do impossível.

3ª) Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia.

Chamo a sua atenção para a 3ª lei de Clarke. Esta lei foi elaborada em uma versão alternativa pelo físico e escritor de ficção científica Gregory Benford da seguinte forma:

"Qualquer tecnologia distinguível da magia é insuficientemente avançada."

Tanto Clarke como Benford estavam dizendo a mesma coisa: Não existe mágica no sentido de algo que extrapole as leis naturais.

Segundo o entendimento de Clarke, que foi muito feliz na proposição desta 3ª lei, um feito é considerado como algo mágico ou sobrenatural somente pelas pessoas que desconhecem ou não possuem acesso à tecnologia que possibilitou aquele feito. Muitas invenções científicas do passado foram inicialmente consideradas como feitos mágicos inexplicáveis. Como exemplos clássicos disto podemos citar a invenção da fotografia, do rádio e da televisão.

A versão de Benford não é menos elucidativa no sentido de desmistificar a magia como algo sobrenatural, pois diz que se em algum momento um feito for considerado como mágico ou sobrenatural, na verdade é apenas o conhecimento tecnológico das pessoas que assim o entendem que não está suficientemente avançado.

Portanto, meus amigos evangélicos, eu lhes peço que parem de classificar a milenar arte mágica como "coisa" do diabo. Em especial refiro-me ao segmento da mágica chamado de "mentalismo", que é visto com grande preconceito por aqueles que ainda acreditam que suas técnicas envolvem algum tipo de poder místico ou espiritual. Entendam que vocês apenas desconhecem os princípios lógicos e a tecnologia por trás destes efeitos. Só isto!

É claro que sempre existirão alguns "espertalhões" que tentarão tirar vantagem da ignorância das pessoas. No passado, por exemplo, os sacerdotes egípcios eram vistos como elos com as supostas divindades justamente por realizarem feitos considerados mágicos ou sobrenaturais por aqueles que nada sabiam das técnicas puramente racionais e naturais utilizadas por eles.

Atualmente ainda existem algumas pessoas que se arrogam detentores de poderes místicos e sobrenaturais, porém os mesmos nunca conseguiram passar pelo crivo da ciência. Basta colocá-los em um ambiente controlado e sob os olhares atentos de pessoas que conhecem tantos os princípios como a tecnologia utilizada no ilusionismo, para que seus supostos dons ou poderes simplesmente desapareçam ou sejam desmascarados como meras fraudes.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Mito sobre a Capacidade Cerebral

por Cleiton Heredia


Você já ouviu aquele argumento de que nós seres humanos usamos apenas 5% da capacidade do nosso cérebro? Alguns argumentam em termos de 1% e outros chegam a 10%. Dizem que Albert Einstein teria dito que "nós só utilizamos 10% do nosso potencial mental".

Bem, cientificamente falando, isto não passa de um mito que se transformou em um dito popular repetido sem qualquer tipo de embasamento.

Alguns acreditam que o mito dos 10% pode ter surgido por volta de 1920 a 1930, mas o Dr. James W. Kalat, autor do livro Biological Psychology, comenta que os neurocientistas na década de 30 tinham um conhecimento muito limitado sobre as funções dos neurônios e que foi justamente esta falta de informação que originou o mito dos 10%.

O fato é que este mito serviu muito bem aos interesses de determinadas pessoas que queriam "justificar" suas supostas e alegadas capacidades psíquicas ou paranormais, tais como a telepatia, a clarividência, a telecinese ou a precognição.

Uri Gueller se tornou mundialmente famoso alegando possuir poderes paranormais ou psíquicos com os quais conseguia entortar talheres de cozinha e parar os ponteiros de um relógio. Ele apresentava-se em programas de televisão explicando que tal capacidade advinha das potencialidades inerentes ao cérebro, disponíveis a qualquer um que se empenhasse em desenvolver-las.

Apesar de todos os seus feitos não passarem de meros truques de ilusionismo, que qualquer mágico mediano pode hoje realizar tranquilamente, o mito da sub-utilização do cérebro ajudou a promovê-lo como uma pessoa superdotada ou com superpoderes oriundos da utilização do cérebro de uma maneira mais plena.

Mas, de acordo com a neurologista Suzana Herculano-Houzel, não há qualquer razão científica para se supor que apenas 10% do nosso cérebro, ou 10% dos neurônios, ou 10% da capacidade cerebral seja utilizada. Ela afirma em seu site: "Todas as evidências sugerem, na verdade, o contrário: utilizamos nosso cérebro por inteiro" (http://www.cerebronosso.bio.br/).

O que os especialistas reconhecem é que não usamos todo o cérebro ao mesmo tempo, mas que o utilizamos em sua totalidade para diversas e distintas funções.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Uma Assustadora Teoria de Conspiração - Projeto HAARP

por Cleiton Heredia


Comecei a pesquisar um assunto deveras intrigante com o pensamento de que, ao avançar em minhas pesquisas, eu rapidamente encontraria motivos bem racionais para classificá-lo como mais uma absurda Teoria de Conspiração.

Porém, não está sendo bem assim. Tudo que tenho lido e visto tem me deixado cada vez mais preocupado.

Para não cansá-lo com uma leitura muito extensiva e técnica, eu lhe convido a ler aquilo que está na wikipédia sobre o HAARP (High Frequency Active Auroral Research Program - Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência), e depois, caso queira, acessar também o site do Projeto HAARP.

Agora assista a este vídeo do History Channel para entender o conceito científico que está levando muitas pessoas a se oporem ao Projeto HAARP. O vídeo não falará especificamente do HAARP, mas sim de uma invenção do grande cientista Tesla, capaz de gerar frequências potencialmente destruidoras. Como o HAARP é um dispositivo com a capacidade de gerar ondas de alta frequência, como se fosse um microondas gigante, então a comparação do gerador de frequência, supostamente inventado por Tesla, e o Projeto HAARP pode ser propícia.



Agora, eu recomendo o próximo vídeo, feito bem no estilo de Teoria da Conspiração, pois ele é bem apelativo, mas pode também ser bem esclarecedor:



Se você tiver tempo, existem vários outros documentários na rede que falam sobre o Projeto HAARP. A maioria dos que assisti é feito no formato de denúncia e alerta para algo que pode ser potencialmente perigoso para a humanidade, principalmente se cair em mãos de nações mal intencionadas.

Vou colocar apenas mais um vídeo, pois o considerei muito atual devido ao recente terremoto e tsunami que massacrou o Japão:



Seria esta uma Teoria de Conspiração plausível?

Na verdade, todas as teorias de Conspiração possuem o seu grau de plausibilidade, porém não resistem a uma investigação feita com de forma séria e responsável.

Confesso que não encontrei até agora elementos suficientes para dizer que tudo isto não passa de mais uma teoria maluca. Apesar de esta história possuir todas as características de ser mais uma especulativa Teoria de Conspiração, não encontrei ainda a suposta verdade que a refutaria.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Como o Ateu lida com o Sofrimento?

por Cleiton Heredia


Acredito que a maioria já deve ter ouvido aquela jocosa frase de que dentro de um avião em pane ou nas trincheiras de uma guerra não existem ateus.

Parece-me um tanto quanto óbvio que o criador deste tipo de pensamento foi um religioso. Para ele o conceito de uma divindade que lhe oferece respostas, proteção e esperança é algo tão profundamente enraizado em sua mente que ele não consegue imaginar como alguém conseguiria sobreviver sem isto.

Porém, tenho para mim, por experiência própria, que quer seja para um religioso, quer seja para um ateu, o sofrimento sempre é algo muito difícil de se lidar. Tanto a crença em uma divindade como a ausência dela traz consigo alguns elementos que podem, ora ajudar, ora complicar a situação daquele que sofre.

Imaginemos, por exemplo, uma situação comum de alguém que sofre em função de alguma tragédia pessoal. Caso seja um religioso terá o conforto e esperança que a sua crença lhe proporciona, mas, por outro lado, poderá também ser afligido por alguns dilemas muito complicados, como o gerado pela situação real que passo a descrever:

Um crente acordou atrasado para o trabalho e saiu correndo de casa na tentativa de não chegar atrasado. Ao chegar ao ponto de ônibus, ele vê que se aproxima naquele exato momento justamente o "seu" ônibus. Ele dá graças ao seu deus por isto que ele considera uma benção divina, pois foi justamente aquele ônibus que permitiu que ele chegasse a tempo no serviço. Mais tarde ele recebe um telefonema comunicando que sua casa foi invadida por bandidos que mataram a sua esposa e estupraram a sua filhinha de apenas 4 anos de idade. Fico imaginando o profundo dilema que pode passar pela cabeça deste pobre homem ao ele verificar que o mesmo deus que controlou o trânsito naquela manhã de forma a permitir que o seu ônibus chegasse no exato momento que ele precisava, não pode (ou não quis?) controlar outras situações muito mais importantes que permitiram que aqueles bandidos pudessem chegar até a sua residência e cometessem tal monstruosidade. Porque o deus que manipulou o trânsito naquela manhã, não o fez também para impedir que aqueles bandidos chegassem até sua casa? Ou ainda mais simples, porque deus simplesmente não permitiu que eles fossem atropelados no caminho até sua residência? Com certeza, um deus todo poderoso teria inúmeras maneiras de evitar aquela tragédia.

É claro que tais dilemas metafísicos não torturariam um ateu, pois em seu conceito de mundo não existem seres sobrenaturais com soluções mágicas ou miraculosas. O religioso pode até querer se convencer de que a dor de uma pessoa religiosa que tenha passado pela situação acima descrita, seja menor do que a dor de um ateu que passe pela mesma situação. Mas será que a dor é realmente menor? Sinceramente, eu não apostaria nem sequer um centavo na possibilidade desta dor ser menor em um caso do que em outro. Para mim a dor é igual e tão grande quanto.

Eu até entendo que o religioso pode apegar-se à sua divindade para conseguir superar o sofrimento que lhe aflige, mas em termos práticos e palpáveis, precisamos entender que grande parte deste conforto vem através do apoio de familiares e amigos que se solidarizam com o sofredor. E isto não é um privilégio dos religiosos.

Se continuarmos nossa análise pela ótica da praticidade veremos que religiosos não são muito diferentes dos ateus quando lidam, por exemplo, com uma doença. Ambos recorrem aos hospitais, aos médicos e à tecnologia medicinal. Não conheço um único religioso que, ao adoecer, apenas ore ao seu deus pedindo que o cure. Todos oram, mas todos também recorrem ao ser humano na busca por soluções para o seu sofrimento. A diferença está em que o religioso entende que o ser humano será o instrumento na mão de sua divindade para curá-lo, e o ateu apenas entende que ali está uma pessoa que se preparou para ajudá-lo. O religioso exerce sua fé e o ateu exerce o seu pensamento positivo.

Nenhum dos dois tem a garantia da cura. Caso o religioso não seja curado, ele olhará com resignação para a sua divindade, procurando entender e aceitar, mediante a fé, que não foi da vontade do seu deus. Caso o ateu não seja curado, ele também olhará com resignação para todos os recursos utilizados, procurando entender e aceitar, mediante a razão, que apenas não foi possível.

Quem lida melhor com o sofrimento, religiosos ou ateus? Acredito que são os religiosos, mas isto não significa que os ateus não sabem lidar com o sofrimento. Cada um a sua maneira, todos, de uma forma ou outra, acabam aprendendo. Deste aprendizado depende a nossa sobrevivência.

terça-feira, 15 de março de 2011

Qual é a melhor explicação para o sofrimento?

por Cleiton Heredia


Conforme prometido, hoje pretendo abordar o mesmo assunto da postagem anterior, porém sob uma ótica um pouco diferente e que reflete minhas atuais convicções.

O raciocínio que eu usei no artigo que escrevi em 2004 pode muito bem satisfazer uma mente religiosa ansiosa por algumas explicações que conciliem a realidade, vivida e presenciada neste mundo, com o conceito de um Deus pessoal justo e amoroso que dirige o destino de todo o universo, bem como de cada ser vivo em particular (a Bíblia cristã ensina que nenhum pássaro ou fio de cabelo humano cai sem que Deus saiba e consinta). Porém, são explicações que satisfazem apenas uma mente doutrinada segundo os ensinamentos da Bíblia cristã.

Minha argumentação não serviria para pessoas que enxergam o universo por uma ótica diferente dos conceitos bíblico-cristãos. Por exemplo, no Japão, as recentes tragédias são vistas e entendidas pela grande maioria de japoneses segundo a filosofia dos dois principais segmentos religiosos daquele país: o xintoísmo e o budismo. Enquanto o pecado de Adão e as peripécias do Diabo explicam muita coisa para os cristãos, estes não fazem o menor sentido para quem não acredita que existiu Adão ou que exista uma criatura chamada Diabo.

Tendo em vista que cada religião ou filosofia tem a sua própria explicação para uma mesma pergunta: "Porque coisas ruins acontecem para pessoas boas?" É natural que a mente racional do ser humano, ao se deparar com tantas respostas diferentes e contraditórias entre si, faça outra pergunta na sequência: "Qual destas respostas reflete a verdade?"

Mas esta segunda pergunta é normalmente feita apenas por pessoas que se encontram em segurança desfrutando de saúde e um relativo conforto material. Quem está vivendo no meio do turbilhão do sofrimento geralmente não está muito interessado em avaliar o critério "verdade". Sua prioridade é simplesmente obter uma resposta que lhe proporcione explicação para o passado, conforto para o presente e esperança para o futuro.

As religiões, independentemente quais sejam, têm como objetivo proporcionar justamente isto para o ser humano:

- Uma explicação para o passado;
- Um conforto para o presente;
- E uma esperança para o futuro.

Você, meu amigo cristão, tenho certeza que se encontra plenamente satisfeito com as respostas que o seu segmento religioso lhe proporciona. Mas será que você entende que o japonês, que possui crenças diferentes da sua e que consequentemente entende o mundo de forma diferente, também pode estar plenamente satisfeito?

Jesus Cristo te trás explicação para o passado, conforto para o presente e esperança para o futuro? Que ótimo! Continue com sua fé firme nele. Mas, por favor, apenas entenda que uma pessoa com uma fé diferente da sua também pode perfeitamente acabar encontrando os mesmos benefícios psicológicos.

Quanto se trata do sofrimento individual é essencial que se respeite as respostas que cada um escolheu para si.

Que mundo trágico seria este se o sofredor não pudesse ao menos ter a liberdade de escolher a sua própria verdade?

segunda-feira, 14 de março de 2011

Deus Mata as Pessoas para Transformá-las em Seus Outdoors de Advertência?

por Cleiton Heredia


O título da postagem de hoje é o mesmo que utilizei em um artigo que escrevi logo após o trágico Tsunami do Oceano Índico, ocorrido em 26 de dezembro de 2004 e que ceifou a vida de mais de 285 mil pessoas.

Este artigo chegou a ser publicado em alguns sites religiosos, pois naquela ocasião este blog ainda não existia.

As reflexões nele contidas originaram-se de um artigo que li, na ocasião, de um renomado teólogo protestante chamado Samuele R. Bacchiocchi, que foi o primeiro não-católico a formar-se na Pontifical Gregorian University em Roma, tendo recebido uma medalha de ouro do Papa Paulo VI por conquistar a distinção acadêmica summa cum laude.

O artigo do Dr.Bacchiocchi trazia uma conclusão que muito me intrigava:

"Para os cristãos que crêem em Deus como Criador e Mantenedor deste mundo, há apenas a difícil conclusão de que a responsabilidade pelo desastre do Tsunami repousa diretamente em Deus." (negrito acrescentado)

Sua conclusão foi embasada em três pontos distintos:

a) uma forma enfática de Deus fazer um chamado ao arrependimento;
b) uma maneira impactante de Deus anunciar o juízo final;
c) uma convincente maneira de Deus reforçar a promessa da certeza do fim.

Em acréscimo ao impacto deste artigo, uma semana depois, eu ouvi um sermão no UNASP-SP aonde o pastor que o proferiu disse com todas as letras: "Os tsunamis são os grandes outdoors que Deus está utilizando para mostrar ao mundo que Jesus está voltando!"

Lembro-me que me senti muito desconfortável com tudo aquilo e então a minha mente religiosa, daquela época, trabalhou no sentido de tentar equacionar todas aquelas terríveis tragédias com o meu entendimento de um Deus perfeitamente justo e amoroso.

Minha argumentação foi a seguinte:

"Certa vez assisti um impressionante informe publicitário contra o consumo de álcool que foi veiculado em todas as redes de TV no Brasil. O comercial apresentava uma sucessão de carros destroçados em violentos acidentes com pessoas feridas e até mortas. Eram cenas muito fortes aquelas, e sem dúvida alcançaram seu objetivo que era alertar as pessoas para o uso indiscriminado de bebida alcoólica e suas inevitáveis conseqüências no trânsito. Mas é claro que não passou pela cabeça de ninguém que aqueles horrorosos acidentes com suas muitas vítimas foram provocados com o propósito específico de se produzir aquele comercial. Claro que não! Os produtores do comercial simplesmente se valeram de uma realidade que já existia, mas que de forma alguma foram eles os originadores. O comercial deixava bem claro: o culpado por tudo é o álcool!"

Com esta analogia eu tentei explicar que as tragédias humanas podem acabar se transformando nos Outdoors de advertência de Deus para a humanidade, porém Ele de forma alguma as ocasionava com este propósito. Assim como a culpa dos acidentes mostrados naquele informe publicitário era das pessoas imprudentes que insistiam em dirigir alcoolizadas, assim também a culpa das tragédias que assolavam a humanidade é do "pecado", ou melhor dizendo, dos efeitos degenerativos da maldição do pecado que repousa sobre este planeta há mais de seis mil anos.

Caso tenha a curiosidade de ler na íntegra o artigo que escrevi, clique aqui.

Agora, cá estamos nós vivendo o ano de 2011 e sendo obrigados mais uma vez a olhar com angústia e consternação mais uma terrível tragédia natural com suas milhares de vítimas fatais. Mais de seis anos se passaram do Tsunami do Oceano Índico e algumas coisas mudaram em minhas convicções, de forma que as reflexões que eu atualmente faço são outras.

Falarei delas na próxima postagem.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Fé para não crer em Deus?

por Cleiton Heredia


Entre os blogs que acompanho diariamente está o do meu amigo virtual Carlos H. Barth: Leite com Manga faz Mal?

Nesta última terça-feira (09/03/11), ele publicou uma interessante postagem que me levou (mais uma vez) à reflexão: Ateísmo: Crença na Descrença?

Recomendo a leitura deste texto, bem como de outros que existem por lá, pois são todos muito bem escritos e de uma profundidade filosófica ímpar.

Mas voltando ao texto acima mencionado, segue o que lá deixei em forma de comentário:

Eu ouço muito isto: "É preciso mais fé para crer que Deus não existe do que para crer que Ele existe".

Os defensores deste tipo de pensamento baseiam-se na idéia de que sem Deus muitas coisas básicas ficariam sem explicação. Por exemplo: Como explicar a origem do universo e a origem da vida se não for valendo-se do conceito de um criador divino?

Como os cientistas "ainda" não possuem todas as respostas (se é que um dia as terão), o crente* entende que os ateus precisam de muita fé para aceitar a existência de um universo aparentemente inexplicável em muitos pontos, caso a hipótese de Deus seja desconsiderada.

O que o crente não entende é que o ateu não precisa de fé para poder conviver com a ausência de algumas respostas. Ele simplesmente aprende a se conformar com a sua limitação de conhecimento e também aprende a esperar pelas respostas que, quem sabe, um dia virão.

Aliás, o ateu prefere conviver sem algumas respostas a ter que aceitar qualquer suposta solução que trará consigo outras perguntas muito mais difíceis de serem respondidas (para não dizer, impossíveis).

* A palavra "crente" é usada nos meus textos, não no sentido pejorativo, como alguns querem entender, mas apenas como uma forma sucinta de identificar uma pessoa que acredita em qualquer tipo de divindade sobrenatural (teístas, deístas, panteístas, etc.)