sexta-feira, 29 de abril de 2011

Os Segredos das Sessões Espíritas do Século 19 (Parte 8)

por Cleiton Heredia


Em algumas sessões espíritas de cunho mais dramático, os médiuns e seus assistentes incrementavam os efeitos especiais para dar a entender que o espírito invocado havia se materializado.

Várias técnicas foram descobertas e reveladas pelos mágicos que investigaram este tipo de "fenômeno". Descobriu-se que os médiuns se valiam de trapaças como:

- Painéis deslizantes que permaneciam escondidos no escuro;
- Tecidos sendo manipulados por varas ou fios;
- Assistentes vestindo trajes, maquiagem e peruca;
- O próprio médium disfarçando-se no escuro (eles escondiam seus disfarces em fundos falsos nas cadeiras ou poltronas onde se assentavam).

Existem relatos patéticos de médiuns que foram pegos andando de joelhos fingindo ser o espírito materializado de alguma criança falecida.

Na série de postagens que escrevi das revelações do ex-médium Lamar Keene em seu livro "A Máfia Psíquica", na Parte 3, você poderá encontrar alguns interessantes detalhes sobre como ele fazia para materializar os espíritos em suas sessões. O vídeo abaixo ajuda a entender melhor suas explicações:



Os mágicos conhecem este tipo de técnica como "arte negra". Por favor, isto não tem nada haver com magia negra. A arte negra consiste em uma série de efeitos como aparições, desaparições, levitações e transformações feitos diante de um fundo completamente negro. Assista logo abaixo uma apresentação do ilusionista Omar Pasha que é um mestre nesta arte:



Acho que já deu para entender um pouquinho do potencial desta técnica em criar ilusões caso seja trazida para dentro de uma sessão espírita. Acho que você também já deve estar imaginando como tudo isto funciona, mas caso ainda não tenha sacado, assista ao vídeo logo abaixo que você irá entender:



Bem, eu poderia estender estas postagens indefinidamente tamanha é a diversificação dos embustes utilizados pelos médiuns no arvorecer do espiritismo moderno no século 19. Porém, acredito que aquilo que já foi apresentado nesta série já é o suficiente para você perceber que nada existe de sobrenatural nos supostos fenômenos espirituais que acompanhavam as sessões espíritas.

Concluo esclarecendo que não tenho nada contra os espíritas, desde que sejam honestos e assumam as limitações das suas crenças quanto às frustradas tentativas de transformá-las em verdades cientificamente comprovadas. Espiritismo é matéria de fé, e deve permanecer no campo exclusivo da fé, da mesma forma que o exercício de se acreditar em deus, deuses, anjos, demônios, fadas, gnomos e coisa que o valha.

Caso exista algum espírita que tenha se incomodado com a forma que as fraudes do espiritismo moderno foram aqui expostas, que vá reclamar em alguma sessão espírita com os fraudadores do seu movimento, pois estes sim são os verdadeiros culpados por manchá-lo. Os mágicos do passado apenas fizeram o seu papel de esclarecer ao público que o ilusionismo deve ser utilizado apenas com a finalidade de entreter e divertir, e nunca para enganar e se aproveitar da boa fé alheia.

Fim desta série

Na próxima postagem vou tratar de um assunto bem delicado relacionado a este, porém acredito que irá incomodar a muitos que acreditam no dom profético de certa senhora protestante que viveu justamente na época que o espiritismo moderno estava florescendo.

"A VERDADE NÃO TEME INVESTIGAÇÃO"

terça-feira, 26 de abril de 2011

Os Segredos das Sessões Espíritas do Século 19 (Parte 7)

por Cleiton Heredia


Com a finalidade de produzir sons que fossem interpretados como de origem sobrenatural, alguns médiuns usavam um acordeom (sanfona) devidamente amarrado para mostrar que era humanamente impossível se produzir qualquer som dele sem antes desamarrá-lo. As luzes se apagavam e as pessoas ouviam o acordeom tocar. Como? Muito simples! O médium tirava do bolso uma gaita, que possui um som muito parecido com o do acordeom, e tocava fazendo todos pensarem que era o acordeom sendo manipulado de forma sobrenatural por algum espírito.

Em outros casos de acordeons que tocavam "sozinhos" foi descoberto um engenhoso sistema de mangueiras colocadas estrategicamente (ocultas do público) para injetar ar no instrumento, possibilitando assim que sons fossem produzidos sem a necessidade que o fole fosse acionado. Como você pode ver, os médiuns fraudulentos não poupavam esforços para enganar suas vítimas.

O mentalista Joseph Dunninger desvendou um outro método para se produzir "música dos espíritos", só que agora através de um violino. Em uma sessão espírita da qual ele participou, foi colocado sobre a mesa um violino. Quando as luzes foram apagadas, todos puderam ouvir um tênue som vindo do violino sobre a mesa.

Após se certificar que o violino realmente não havia sido tocado por ninguém ali presente, Dunninger acabou descobrindo que o engano foi produzido através de uma linha com resina, que era colocada sobre as cordas do violino, tendo um peso em uma das extremidades, que descia pela lateral da mesa, e na outra extremidade um comparsa puxando (neste caso pelo buraco da fechadura da porta) para produzir o atrito com as cordas e consequentemente o som.

Joseph Dunninger produziu uma interessante Enciclopédia de Mágica onde reservou um bom espaço para revelar os truques utilizados pelos médiuns fraudulentos. Entre estes truques está o de esconder uma caixa de música dentro de um bandolim, usar um cone para projetar a voz em outro canto da sala, e produzir sons "estranhos" usando uma pequena lata cheia de pedras ou pregos que era presa na perna por debaixo da calça ou vestido. Logo abaixo você pode ver uma das páginas desta enciclopédia onde ele explica alguns destes truques (clique na foto para ampliá-la):


No vídeo a seguir você poderá assistir a um experimento do mágico e psicólogo Richard Wiseman feito com voluntários que acreditavam estar participando de uma genuína sessão espírita:



Na próxima postagem vamos revelar os truques utilizados pelos médiuns para materializar os espíritos.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Os Segredos das Sessões Espíritas do Século 19 (Parte 6)

por Cleiton Heredia


As sessões do século 19 usaram e abusaram da produção de sons e músicas como uma maneira de provar para o público a "realidade" do mundo espiritual. Para tanto, bastava ao médium criar algum sistema (truque) que convencesse sua platéia que aquele som ou música não estava sendo produzido por qualquer agente humano ali presente.

Era comum colocar sobre a mesa da sessão alguns instrumentos musicais como sinos, pandeiros, trompetes ou violões. O médium então era devidamente amarrado a sua cadeira e, após a invocação do espírito, as pessoas podiam ouvir os instrumentos ali presentes produzirem seus sons característicos.

Os métodos utilizados pelos médiuns fraudulentos para criarem esta ilusão eram bem variados. Praticamente cada médium desenvolvia a sua técnica específica. Por exemplo, para conseguir fazer soar um sino sobre a mesa, muitos se valiam da escuridão completa para tocá-los com a boca ou com os pés.

Na foto abaixo, Harry Houdini demonstra para uma comissão um destes métodos. Este sistema era normalmente utilizado para se fazer soar um sino colocado dentro de uma gaiola, vidro ou caixa. Enquanto o sino permanecia intocado sobre a mesa, o médium manipulava com os pés outro sino escondido debaixo da mesa. Para que o som ficasse semelhante ao de um sino tocando dentro de uma caixa, o sino ou o badalo poderiam ser revestidos com algum tecido que abafasse o som.


Nem sempre o médium era amarrado. Muitas vezes ele simplesmente pedia para as pessoas ao seu lado segurarem as suas mãos. Os médiuns poderiam se valer de comparsas ao seu lado que fingiam segurar suas mãos ou poderiam se valer de um método bem mais engenhoso. Veja na foto abaixo que a pessoa à esquerda da médium coloca a mão sobre a mão esquerda dela, enquanto a médium coloca a sua mão direita sobre a mão da pessoa à sua direita. Parece impossível a médium tirar a sua mão dali sem que uma das pessoas ao seu lado perceba, não é mesmo?


Mas perceba agora como a médium, oculta pela escuridão, usa a mesma mão para colocar sobre a mão da pessoa do lado direito e ser tocada pela pessoa do lado esquerdo. Cada uma delas pensa estar segurando uma das mãos da médium, quando na verdade ambas estão segurando a mesma mão, possibilitando desta forma que, com a outra mão livre, a médium fizesse seus truquezinhos baratos.


Acordeões e violinos também eram utilizados, mas falarei deles na próxima postagem.

domingo, 24 de abril de 2011

Os Segredos das Sessões Espíritas do Século 19 (Parte 5)

por Cleiton Heredia


No processo de comunicação com os mortos, além das lousas, os médiuns também usavam uma folha em branco que era colocada dentro de um envelope que, depois de devidamente lacrado, era colocado dentro de uma pequena caixa sobre a mesa. Contatos estabelecidos, abria-se a caixa e o envelope, e ali estava o papel com alguma mensagem supostamente escrita pelo espírito contatado.

Como isto era feito? Através de um simples truque de mágica, e nada mais! O sistema que possibilitava a troca dos envelopes bem na frente do espectador é usado pelos mágicos até os dias de hoje para se criar diversos tipos de efeitos diferentes. Veja no vídeo a seguir a caixinha mágica que os médiuns usavam para enganar seu público:



Com uso das técnicas certas é possível inclusive criar ilusões ainda mais impressionantes. Assista logo abaixo o mentalista Banachek simulando uma escrita sobrenatural em um programa de televisão:



Na sequência assista o meu grande amigo Paolo DeMitri, o mágico "amazing" da gravata verde limão, fazendo uma mágica que bem poderia exemplificar como agiriam os médiuns fraudulentos de hoje, caso aderissem à atual tecnologia. Ele irá receber uma ligação no seu celular do espírito de Harry Houdini que irá do além revelar uma carta escolhida aleatoriamente pelo espectador:



Na próxima postagem vamos falar um pouco sobre como os médiuns faziam para criar alguns efeitos sonoros e até tocar música nas sessões espíritas.

sábado, 23 de abril de 2011

Os Segredos das Sessões Espíritas do Século 19 (Parte 4)

por Cleiton Heredia


Caso as sessões espíritas ficassem apenas nas manifestações de fenômenos "sobrenaturais", tais como as movimentações de objetos, elas talvez não tivessem ido tão longe. Porém, a possibilidade de no meio de todas aquelas manifestações se obter alguma mensagem inteligível do mundo dos espíritos era um dos mais fortes atrativos.

Os médiuns sabiam disto e logo passaram a inventar meios de comunicar as mensagens do além. Alguns deles simplesmente as comunicavam verbalmente. Para tanto o médium poderiam simplesmente dizer estar ouvindo o espírito se comunicar com ele ou, o que causava mais impacto, poderiam dar a entender que estava "incorporando" o espírito. Nestes casos o teatro poderia incluir respiração ofegante, tremedeiras, olhos virados e até falar com um tom diferente de voz.

Para tornar a mensagem comunicada mais verossímil, o médium se valia de recursos como leitura fria, leitura quente, efeito forer, mesmerismo, etc. Como já escrevi uma série de postagens sobre estas técnicas, não irei abordá-las agora. Caso queira lê-las acesse a série "Como Atuam os Médiuns".

Para uma mente mais cética ficava sempre a dúvida do médium poder estar forjando tudo aquilo. Portanto, com o intuito de tornar estas comunicações cada vez mais impressionantes e, consequentemente, mais críveis, os médiuns começaram a criar maneiras das mensagens aparecerem de forma sobrenatural e inexplicável. Surgiam as escritas espíritas.

Uma forma muito comum de se forjar uma escrita espírita era usando pequenas lousas de giz (pequenos quadros negros). O médium colocava sobre a mesa algumas lousas limpas (sem nada escrito) e, depois de efetivado o suposto contato, mensagens escritas poderiam ser lidas em uma ou mais lousas.

Por uma questão ética entre os mágicos, não poderei revelar o segredo desta técnica, mas como você mesmo poderá ver no vídeo abaixo, tudo não passa de um recurso de ilusionismo que os mágicos usam até hoje, inclusive em festas infantis, sem necessitar invocar qualquer tipo de espírito:



Mas para que você não fique muito frustrado, vou lhe revelar outra técnica para criar mensagens espíritas em uma lousa. Acho que os mágicos não ficarão bravos comigo por causa disto:



Viu o comparsa lá trás trocando as lousas? Na escuridão onde as sessões eram realizadas, estes ajudantes passavam completamente despercebidos.

Harry Houdini revelou uma técnica ainda mais sorrateira onde o médium, igualmente com ajuda de um comparsa, poderia trocar uma lousa limpa por outra escrita, com as luzes acessas e bem debaixo das vistas da vítima. O médium segurava a lousa debaixo da mesa e pedia para a pessoa, que estava a sua frente, segurar do outro lado. Invocações eram feitas e em seguida pedia-se para a pessoa colocar a lousa sobre a mesa, verificando se o espírito consultado havia transmitido alguma mensagem. Veja logo abaixo o momento exato da troca:


Na próxima postagem revelarei mais segredinhos da escrita espírita.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Os Segredos das Sessões Espíritas do Século 19 (Parte 3)

por Cleiton Heredia


Vários métodos, desde os mais simples até os mais engenhosos, foram utilizados nas sessões espíritas do século 19 para enganar o público, fazendo-o acreditar que o médium realmente podia se comunicar com os espíritos dos mortos.

Vamos começar pelos objetos colocados sobre a mesa da sessão que, em um determinado momento, se mexiam "sozinhos" ou começavam a "levitar" dando a impressão de que estavam sendo manuseados por algum espírito ali presente.

Um dos métodos utilizados para se criar este efeito era o mais simples e óbvio possível. Na maioria das vezes o próprio médium os movimentava utilizando uma vara que poderia estar oculta em sua roupa ou debaixo da mesa. Veja na ilustração abaixo e entenda como o truque era executado (é claro que a iluminação precária não permitia que os presentes notassem a vara que normalmente era pintada toda em preto fosco):


Você percebeu que o médium trambiqueiro da ilustração acima está amarrado? Este era o procedimento comum adotado nas sessões espíritas na tentativa de impedir que o médium forjasse os movimentos dos objetos. É claro que isto não adiantava nada, pois o médium, sozinho ou com ajuda de algum comparsa, sabia muito bem como se desamarrar e amarrar-se novamente sem ninguém perceber. A seguir, assista ao vídeo de um mágico amigo meu e veja que esta é uma técnica muito conhecida e utilizada pelos ilusionistas até os dias de hoje:



Ás vezes a própria mesa onde todos estavam assentados ao redor é que levitava. Assim como na levitação dos objetos, existem também várias técnicas de ilusionismo para se conseguir fazer uma mesa levitar. No vídeo logo a seguir você terá a oportunidade de assistir ao grande mentalista Joseph Dunninger explicando uma destas técnicas:



Nos Estados Unidos surgiram vários casos de mesas girantes que atraíram muitos curiosos, que fatalmente acabaram caindo nas garras do espiritismo, e foram vítimas de todos os demais enganos mediúnicos que vinham na sequência.

Existe um vídeo do fantástico David Copperfield executando uma versão muito boa da levitação da mesa, porém não o encontrei disponível no Youtube. Caso esteja curioso em assistir a este vídeo, clique aqui.

Agora, caso você queira realmente se assombrar, assista a esta versão de David Copperfield da Cabine dos Espíritos que ele denominou de "Os Fantasmas da Casa Barclay":



Já imaginou você vendo tudo isto sem saber que se trata de um show de ilusionismo?

Na próxima postagem mais segredos serão revelados.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Os Segredos das Sessões Espíritas do Século 19 (Parte 2)

por Cleiton Heredia


O primeiro grande "segredinho" das sessões espíritas, caracterizadas por manifestações de estranhos fenômenos físicos entendidos como sobrenaturais, está em realizá-las em um ambiente completamente escuro ou com uma iluminação bem precária.

A explicação obtida dos médiuns de então é que a escuridão tornava mais fácil para os espíritos se manifestarem. Uma resposta deveras intrigante levando-se em conta que os espíritos requeridos a se manifestarem nestas sessões são os chamados "espíritos de luz". Um espírito de luz deveria gostar de claridade e não de trevas, não é mesmo?

É mais do que natural um cético desconfiar destas condições de pouca ou nenhuma luminosidade pelo fato de elas facilitarem a prática de inúmeras fraudes. Qualquer truque "meia-boca" se torna praticamente indetectável em um ambiente escuro.

O segundo "segredo" do qual os médiuns fraudulentos não abrem mão é o controle do ambiente onde a sessão será realizada. Dependendo do tipo de efeito "sobrenatural" que o médium pretendia criar para a sua assistência, o ambiente da reunião precisaria ser total ou parcialmente controlado por ele. Muitos deles dependiam de dispositivos ocultos debaixo das mesas e cadeiras, bem como de assistentes que os ajudavam na produção dos "efeitos especiais".

Os médiuns se defendiam argumentando que as energias do ambiente eram vitais para que os espíritos pudessem se manifestar. E é claro que o ambiente por eles preparado e controlado era o que possuía as "energias" mais propícias para tais manifestações.

Porém, o fato que ficou cientificamente comprovado por vários investigadores destes fenômenos é a seguinte regra: "Pouco ou nenhum controle, muita atividade sobrenatural; muito controle, pouca atividade sobrenatural; controle absoluto, nenhuma atividade sobrenatural". Até hoje esta regra continua válida.

A seguir veja algumas fotos de típicos locais para a realização das sessões espíritas no século 19:




Amanhã eu vou revelar algumas técnicas usadas pelos médiuns e seus assistentes enquanto ocultos na escuridão.