por Cleiton Heredia
Para alguns adventistas do sétimo dia, discordar ou falar contra os escritos de Ellen White, considerada por eles como uma escritora inspirada por Deus, é algo tão ofensivo quanto falar mal do Papa para um católico praticante.
Antes que pensem que eu estou sendo desrespeitoso para com ela, eu quero deixar bem claro que não foi a minha intenção nesta série de postagens criticar toda a obra literária de Ellen White, onde eu sei que existe muita coisa válida de cunho histórico e moral, mas apenas destacar um aspecto isolado de seus testemunhos contra o moderno espiritismo.
Minha principal crítica neste sentido tem como base o seguinte pensamento: Se hoje temos abundantes evidências de que os supostos fenômenos sobrenaturais daquela época (século 19) não passavam de truques e fraudes engenhosamente construídas por mentes humanas com intuito de seduzir e aliciar adeptos para o movimento espírita, então por que Ellen White não foi instruída por Deus a revelar estas falcatruas?
Imaginem que forte testemunho a favor de sua alegada inspiração divina se ela revelasse segredos que só os melhores ilusionistas e cientistas daquela época conheciam? Imaginem se ela tivesse escrito:
"Deus me mostrou que todas as manifestações presenciadas nas sessões espíritas são truques e que nada existe de sobrenatural nelas. As mesas flutuam com dispositivos construídos para criar este tipo de efeito e os médiuns não passam de mágicos embusteiros. No futuro, quando a ciência tiver avançado o suficiente, isto ficará devidamente comprovado. Os fenômenos que muitos vêem na penumbra das salas pouco iluminadas não podem ser reproduzidos em um ambiente devidamente controlado. Coloquem os supostos médiuns em condições de laboratório e verão que nenhum fenômeno poderá ser produzido."
Mas ela não poderia ter dado um testemunho deste tipo, pois o cristianismo não pode sobreviver sem a crença no sobrenatural. A igreja cristã precisa da crença em um ser sobrenatural cuja essência é o mal (o Diabo), para então poder continuar acreditando em outro ser sobrenatural cuja essência é o bem (Deus). Eliminem a crença na existência real do Diabo e logo teremos que eliminar também a crença na existência real de Deus.
Foi por este motivo que quando eu quis partir em busca de provas para a existência de Deus, tentei provar que o Diabo e o sobrenatural existiam. Caso eu obtivesse sucesso em minha busca, com certeza não teria razões para duvidar da existência de Deus.
Infelizmente, até o momento, não encontrei qualquer evidência, por menor que seja, que me leve a acreditar na existência do sobrenatural. Porém, continuo minha busca sempre aberto para novas evidências.
Na próxima postagem irei contar uma história de algo relacionado a esta busca que me ocorreu recentemente e que está relacionado com este texto de Ellen White:
"Num futuro próximo muitos serão defrontados por espíritos de demônios personificando parentes amados ou amigos, e declarando as mais perigosas heresias." - História da Redenção, pág. 398.
Aguarde!
sábado, 14 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
Ellen White e o Espiritismo Moderno (Parte 6)
por Cleiton Heredia
Lendo alguns textos que Ellen White escreveu sobre o espiritismo, fiquei chocado com este, tamanha a dose de preconceito contra uma classe de pessoas que advogam uma fé diferente à dela:
"Não devemos assistir às suas reuniões e muito menos nossos pastores devem entrar em controvérsia com eles. Pertencem àquela classe específica, a qual não devemos convidar para nossa casa nem saudá-los. Temos de comparar os seus ensinos com a vontade revelada de Deus. Não nos devemos empenhar em examinar o Espiritismo. Deus já descobriu isso por nós e nos diz definitivamente que é uma classe que se levantará nos últimos dias, negando a Cristo, que os comprou com o Seu sangue. O caráter dos espíritas é descrito tão plenamente que não precisamos ser enganados por eles. Se obedecemos à prescrição divina, não deveremos ter simpatia pelos espíritas apesar de suas palavras suaves e favoráveis." - No deserto da tentação, pág. 110.
Será que eu li corretamente?
"Pertencem àquela classe específica, a qual não devemos convidar para nossa casa nem saudá-los."
Se Ellen White foi realmente inspirada por Deus nas orientações e conselhos que escreveu, então Deus deve ter os espíritas na mesma categoria ("classe") que a dos demônios, pois ela orienta aos cristãos de seu segmento religioso dizendo que não devem nem cumprimentar um espírita. Que conselho mais estranho!
E o mais grave é que ela chega a julgar o "caráter" de uma pessoa pelo tipo de crença religiosa que ela abraçou: "O caráter dos espíritas é descrito tão plenamente que não precisamos ser enganados por eles."
Não sei como a liderança adventista acabou permitindo que um texto deste teor fosse publicado. Isto depõe contra eles como um grupo cristão que prega uma mensagem de amor, solidariedade e salvação. Uma coisa é não concordar com os ensinamentos espíritas, outra coisa bem diferente é marginalizar seus adeptos como indivíduos indignos de um simples cumprimento.
Existem alguns textos de Ellen White que seus depositários simplesmente deram um "jeitinho" para eliminar dos atuais livros em circulação. Textos que comprometiam a doutrina da trindade, que tinham teor racista ou que continham erros proféticos simplesmente sumiram ou sofreram sutis alterações nas edições mais recentes. Este texto de extremo preconceito contra os espíritas deveria ter sido um deles.
Continua...
Lendo alguns textos que Ellen White escreveu sobre o espiritismo, fiquei chocado com este, tamanha a dose de preconceito contra uma classe de pessoas que advogam uma fé diferente à dela:
"Não devemos assistir às suas reuniões e muito menos nossos pastores devem entrar em controvérsia com eles. Pertencem àquela classe específica, a qual não devemos convidar para nossa casa nem saudá-los. Temos de comparar os seus ensinos com a vontade revelada de Deus. Não nos devemos empenhar em examinar o Espiritismo. Deus já descobriu isso por nós e nos diz definitivamente que é uma classe que se levantará nos últimos dias, negando a Cristo, que os comprou com o Seu sangue. O caráter dos espíritas é descrito tão plenamente que não precisamos ser enganados por eles. Se obedecemos à prescrição divina, não deveremos ter simpatia pelos espíritas apesar de suas palavras suaves e favoráveis." - No deserto da tentação, pág. 110.
Será que eu li corretamente?
"Pertencem àquela classe específica, a qual não devemos convidar para nossa casa nem saudá-los."
Se Ellen White foi realmente inspirada por Deus nas orientações e conselhos que escreveu, então Deus deve ter os espíritas na mesma categoria ("classe") que a dos demônios, pois ela orienta aos cristãos de seu segmento religioso dizendo que não devem nem cumprimentar um espírita. Que conselho mais estranho!
E o mais grave é que ela chega a julgar o "caráter" de uma pessoa pelo tipo de crença religiosa que ela abraçou: "O caráter dos espíritas é descrito tão plenamente que não precisamos ser enganados por eles."
Não sei como a liderança adventista acabou permitindo que um texto deste teor fosse publicado. Isto depõe contra eles como um grupo cristão que prega uma mensagem de amor, solidariedade e salvação. Uma coisa é não concordar com os ensinamentos espíritas, outra coisa bem diferente é marginalizar seus adeptos como indivíduos indignos de um simples cumprimento.
Existem alguns textos de Ellen White que seus depositários simplesmente deram um "jeitinho" para eliminar dos atuais livros em circulação. Textos que comprometiam a doutrina da trindade, que tinham teor racista ou que continham erros proféticos simplesmente sumiram ou sofreram sutis alterações nas edições mais recentes. Este texto de extremo preconceito contra os espíritas deveria ter sido um deles.
Continua...
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sexta-feira, 6 de maio de 2011
Ellen White e o Espiritismo Moderno (Parte 5)
por Cleiton Heredia
Ellen White arrumou para si e seus defensores um problema bem complicado quando afirmou com todas as letras que os fenômenos espíritas do século 19 eram manifestações genuinamente sobrenaturais:
"Muitos se esforçam para explicar as manifestações espíritas, atribuindo-as inteiramente a fraudes e prestidigitação por parte do médium. Mas, conquanto seja verdade que os resultados da trapaça tenham muitas vezes sido apresentados como manifestações genuínas, tem havido também assinaladas manifestações de poder sobrenatural. As pancadas misteriosas com que o espiritismo moderno se iniciou não foram resultado de trapaça e artifício humano, mas obra direta dos anjos maus que, assim, introduziam um engano dos mais eficazes para a destruição das almas. Muitos serão enredados pela crença de que o espiritismo seja meramente impostura humana; quando postos em face de manifestações que não podem senão considerar como sobrenaturais, serão enganados e levados a aceitá-las como o grande poder de Deus." - O Grande Conflito, pág. 553.
Não há qualquer tipo de comprovação de que isso seja verdade. Muito pelo contrário, todas as evidências pesquisadas até o presente momento nos levam a crer que as "pancadas misteriosas", bem como todas as demais manifestações que se seguiram, foram resultado de trapaça e impostura humana. Não existiu ou existe uma única manifestação, que após devidamente testada em um ambiente controlado por especialistas no assunto, ficou sem uma explicação lógica, científica ou natural.
Aqui está mais um texto com uma declaração insustentável:
"Muitos há contudo, que consideram o espiritismo como um simples engano. As manifestações pelas quais ele apóia suas pretensões a um caráter sobrenatural, são atribuídas à fraude por parte do médium. Mas, conquanto seja verdade que os resultados da velhacaria tenham sido muitas vezes apresentados como manifestações genuínas, tem havido também provas notáveis de poder sobrenatural. E muitos que rejeitam o espiritismo como resultado da esperteza ou astúcia humana, quando defrontados com manifestações que não possam explicar sob este ponto de vista, serão levados a reconhecer suas pretensões." - Patriarcas e Profetas, pág. 685.
"Provas notáveis"? Onde? Elas simplesmente inexistem por completo. No passado até poderia se cogitar um caso ou outro que, devido à sutileza dos métodos utilizados, ficasse momentaneamente sem uma explicação racional. Porém, com o avanço dos métodos de pesquisa, nenhum deles conseguiu resistir ao crivo da investigação científica.
Apresente-me um único caso de fenômeno espírita reconhecido pela ciência como legitimamente sobrenatural, que eu posso começar a considerar que Ellen White acertou nesta questão.
Continua...
Ellen White arrumou para si e seus defensores um problema bem complicado quando afirmou com todas as letras que os fenômenos espíritas do século 19 eram manifestações genuinamente sobrenaturais:
"Muitos se esforçam para explicar as manifestações espíritas, atribuindo-as inteiramente a fraudes e prestidigitação por parte do médium. Mas, conquanto seja verdade que os resultados da trapaça tenham muitas vezes sido apresentados como manifestações genuínas, tem havido também assinaladas manifestações de poder sobrenatural. As pancadas misteriosas com que o espiritismo moderno se iniciou não foram resultado de trapaça e artifício humano, mas obra direta dos anjos maus que, assim, introduziam um engano dos mais eficazes para a destruição das almas. Muitos serão enredados pela crença de que o espiritismo seja meramente impostura humana; quando postos em face de manifestações que não podem senão considerar como sobrenaturais, serão enganados e levados a aceitá-las como o grande poder de Deus." - O Grande Conflito, pág. 553.
Não há qualquer tipo de comprovação de que isso seja verdade. Muito pelo contrário, todas as evidências pesquisadas até o presente momento nos levam a crer que as "pancadas misteriosas", bem como todas as demais manifestações que se seguiram, foram resultado de trapaça e impostura humana. Não existiu ou existe uma única manifestação, que após devidamente testada em um ambiente controlado por especialistas no assunto, ficou sem uma explicação lógica, científica ou natural.
Aqui está mais um texto com uma declaração insustentável:
"Muitos há contudo, que consideram o espiritismo como um simples engano. As manifestações pelas quais ele apóia suas pretensões a um caráter sobrenatural, são atribuídas à fraude por parte do médium. Mas, conquanto seja verdade que os resultados da velhacaria tenham sido muitas vezes apresentados como manifestações genuínas, tem havido também provas notáveis de poder sobrenatural. E muitos que rejeitam o espiritismo como resultado da esperteza ou astúcia humana, quando defrontados com manifestações que não possam explicar sob este ponto de vista, serão levados a reconhecer suas pretensões." - Patriarcas e Profetas, pág. 685.
"Provas notáveis"? Onde? Elas simplesmente inexistem por completo. No passado até poderia se cogitar um caso ou outro que, devido à sutileza dos métodos utilizados, ficasse momentaneamente sem uma explicação racional. Porém, com o avanço dos métodos de pesquisa, nenhum deles conseguiu resistir ao crivo da investigação científica.
Apresente-me um único caso de fenômeno espírita reconhecido pela ciência como legitimamente sobrenatural, que eu posso começar a considerar que Ellen White acertou nesta questão.
Continua...
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quinta-feira, 5 de maio de 2011
Ellen White e o Espiritismo Moderno (Parte 4)
por Cleiton Heredia
A partir deste momento irei trazer alguns textos de Ellen White com a intenção de confrontá-los com a análise feita na série de postagens "Os Segredos das Sessões Espíritas do Século 19". Caso você já a tenha lido, eu acredito que a leitura que se segue poderá ser muito mais proveitosa.
Em 23 de junho de 1890, Ellen White escreveu em um artigo para o periódico Signs of the Times:
"O espiritismo está prestes a cativar o mundo. Muitos há que julgam ser o espiritismo mantido por truques e imposturas, mas isto está longe da verdade. Um poder sobre-humano está operando de várias maneiras, e poucos têm a idéia do que será a manifestação do espiritismo no futuro."
Com respeito aos supostos fenômenos sobrenaturais relacionados com o espiritismo no século 19, todos aqueles que foram devidamente investigados, acabaram sendo expostos como fraudes criadas pelos médiuns e seus comparsas. Não existe registro histórico de nem sequer um único fenômeno que tenha sido atestado como cientificamente verdadeiro.
Sendo assim, não existem motivos racionais para acreditar que um "poder sobre-humano" (sobrenatural) estivesse ali operando. O julgamento de que os fenômenos espíritas eram mantidos por meros "truques e imposturas" está fundamentado em uma longa e exaustiva investigação promovida por cientistas e ilusionistas (investigadores psíquicos) nas principais supostas manifestações em todo território norte-americano no século 19.
A coisa fica ainda mais complicada quando Ellen White, em tom profético, afirma categoricamente que "poucos têm a idéia do que será a manifestação do espiritismo no futuro".
Que manifestações?
À medida que a ciência avança, o espiritismo fica cada vez mais tímido em termos de "manifestações sobrenaturais". Nenhuma sessão espírita que se preze se arriscará a exibir fenômenos sobrenaturais da mesma forma que eram abundantemente exibidos no passado. Onde estão os objetos que se movem sozinhos, as levitações de mesas e cadeiras, as músicas e vozes do além ou os espíritos se materializando? Eles simplesmente sumiram, pois caso insistissem em continuar aparecendo, seguramente seriam prontamente desmascarados como fraudes e truques.
O desafio de um milhão de dólares de James Randi está aí a mais de 40 anos como prova de que ninguém conseguiu até o momento provar cientificamente que exista o sobrenatural.
A conclusão a que chegamos é um tanto quanto constrangedora, pois para se crer na veracidade dos testemunhos de Ellen White (com relação aos fenômenos do espiritismo moderno) será necessário fechar os olhos para as evidências de que os fenômenos sobrenaturais só existem e sobrevivem a custa de fraude HUMANA.
Continua na próxima postagem.
A partir deste momento irei trazer alguns textos de Ellen White com a intenção de confrontá-los com a análise feita na série de postagens "Os Segredos das Sessões Espíritas do Século 19". Caso você já a tenha lido, eu acredito que a leitura que se segue poderá ser muito mais proveitosa.
Em 23 de junho de 1890, Ellen White escreveu em um artigo para o periódico Signs of the Times:
"O espiritismo está prestes a cativar o mundo. Muitos há que julgam ser o espiritismo mantido por truques e imposturas, mas isto está longe da verdade. Um poder sobre-humano está operando de várias maneiras, e poucos têm a idéia do que será a manifestação do espiritismo no futuro."
Com respeito aos supostos fenômenos sobrenaturais relacionados com o espiritismo no século 19, todos aqueles que foram devidamente investigados, acabaram sendo expostos como fraudes criadas pelos médiuns e seus comparsas. Não existe registro histórico de nem sequer um único fenômeno que tenha sido atestado como cientificamente verdadeiro.
Sendo assim, não existem motivos racionais para acreditar que um "poder sobre-humano" (sobrenatural) estivesse ali operando. O julgamento de que os fenômenos espíritas eram mantidos por meros "truques e imposturas" está fundamentado em uma longa e exaustiva investigação promovida por cientistas e ilusionistas (investigadores psíquicos) nas principais supostas manifestações em todo território norte-americano no século 19.
A coisa fica ainda mais complicada quando Ellen White, em tom profético, afirma categoricamente que "poucos têm a idéia do que será a manifestação do espiritismo no futuro".
Que manifestações?
À medida que a ciência avança, o espiritismo fica cada vez mais tímido em termos de "manifestações sobrenaturais". Nenhuma sessão espírita que se preze se arriscará a exibir fenômenos sobrenaturais da mesma forma que eram abundantemente exibidos no passado. Onde estão os objetos que se movem sozinhos, as levitações de mesas e cadeiras, as músicas e vozes do além ou os espíritos se materializando? Eles simplesmente sumiram, pois caso insistissem em continuar aparecendo, seguramente seriam prontamente desmascarados como fraudes e truques.
O desafio de um milhão de dólares de James Randi está aí a mais de 40 anos como prova de que ninguém conseguiu até o momento provar cientificamente que exista o sobrenatural.
A conclusão a que chegamos é um tanto quanto constrangedora, pois para se crer na veracidade dos testemunhos de Ellen White (com relação aos fenômenos do espiritismo moderno) será necessário fechar os olhos para as evidências de que os fenômenos sobrenaturais só existem e sobrevivem a custa de fraude HUMANA.
Continua na próxima postagem.
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quarta-feira, 4 de maio de 2011
Ellen White e o Espiritismo Moderno (Parte 3)
por Cleiton Heredia
Na postagem anterior vimos que existe uma divergência entre a confissão das irmãs Fox de que as "batidas misteriosas" eram fruto de uma fraude inventada por elas mesmas, e a declaração de Ellen White que afirmou ter sido orientada em visão de que estas batidas eram sobrenaturais (provocadas diretamente pelo Diabo).
Como não poderia ser diferente, o grande defensor da Igreja Adventista e de Ellen White, o teólogo Dr.Alberto R.Timm, tenta explicar este "aparente" erro em um artigo publicado na Revista Ancião de abril/junho de 2003. Destaquei logo abaixo um texto que considero interessante nesta defesa, mas caso você queira ler o artigo completo, clique aqui.
"Ainda que houvessem dúvidas a respeito dos testemunhos contraditórios das irmãs Fox, jamais poderíamos desconhecer a importância que os próprios espíritas atribuem às experiências sobrenaturais por elas vivenciadas. Em 1948 a Associação Nacional Espírita dos Estados Unidos publicou o Centennial Book of Modern Spiritualism in America , reconhecendo a experiência na casa da família Fox, em 1848, como assinalando o surgimento do espiritismo moderno. Em junho de 1992, visitei pessoalmente o local da casa da família Fox, em Hydesville, Nova York, onde existe uma pedra angular com a seguinte inscrição: 'Local do nascimento e santuário do espiritismo moderno. Erigido mediante as mais generosas contribuições de espíritas e seus amigos ao redor do mundo, em honra a cada médium espírita desde os dias das irmãs Fox, em 1848, até aos nossos médiuns espíritas do presente e do futuro. Esta pedra angular foi comprada e colocada pelo Ministério da Ciência Espiritual e Divina e pelos amigos, no dia 4 de julho de 1855'."
O Dr.Timm menciona os testemunhos das irmãs Fox como "contraditórios" por que elas primeiro declararam que tudo não passou de uma farsa (1855), mas depois resolveram voltar atrás e falaram que as 'batidas misteriosas' eram genuinamente de origem sobrenatural.
Porém, segundo o teólogo Prof. Donald K. Keller, trinta anos depois de tudo ter começado, as irmãs Fox tornaram-se alcoólatras e no final de suas vidas declararam novamente que tudo não passou de uma farsa fabricada.
O fato é que existe hoje uma grande desconfiança sobre a veracidade dos supostos fenômenos observados no lar das irmãs Fox. É mais do que óbvio que os espíritas tenham um grande interesse de que eles sejam reconhecidos como genuínos, pois caso contrário terão que admitir que o seu movimento (o espiritismo moderno) nasceu de uma peça pregada por duas irmãs "malandrinhas".
Só acho muito estranho o Dr.Timm querer defender como correta a declaração de Ellen White, só por que os espíritas querem acreditar que foi um fenômeno autêntico. Será que alguém tem alguma dúvida dos interesses dos espíritas em sustentar a legitimidade destas batidas? Todo movimento espírita moderno teve origem ali. Seria muito constrangedor para eles ter que admitir que o seu movimento originou-se com uma farsa inventada por duas jovens que não tinham muito que fazer.
Na próxima postagem vamos analisar mais alguns textos de Ellen White com relação ao espiritismo moderno.
Na postagem anterior vimos que existe uma divergência entre a confissão das irmãs Fox de que as "batidas misteriosas" eram fruto de uma fraude inventada por elas mesmas, e a declaração de Ellen White que afirmou ter sido orientada em visão de que estas batidas eram sobrenaturais (provocadas diretamente pelo Diabo).
Como não poderia ser diferente, o grande defensor da Igreja Adventista e de Ellen White, o teólogo Dr.Alberto R.Timm, tenta explicar este "aparente" erro em um artigo publicado na Revista Ancião de abril/junho de 2003. Destaquei logo abaixo um texto que considero interessante nesta defesa, mas caso você queira ler o artigo completo, clique aqui.
"Ainda que houvessem dúvidas a respeito dos testemunhos contraditórios das irmãs Fox, jamais poderíamos desconhecer a importância que os próprios espíritas atribuem às experiências sobrenaturais por elas vivenciadas. Em 1948 a Associação Nacional Espírita dos Estados Unidos publicou o Centennial Book of Modern Spiritualism in America , reconhecendo a experiência na casa da família Fox, em 1848, como assinalando o surgimento do espiritismo moderno. Em junho de 1992, visitei pessoalmente o local da casa da família Fox, em Hydesville, Nova York, onde existe uma pedra angular com a seguinte inscrição: 'Local do nascimento e santuário do espiritismo moderno. Erigido mediante as mais generosas contribuições de espíritas e seus amigos ao redor do mundo, em honra a cada médium espírita desde os dias das irmãs Fox, em 1848, até aos nossos médiuns espíritas do presente e do futuro. Esta pedra angular foi comprada e colocada pelo Ministério da Ciência Espiritual e Divina e pelos amigos, no dia 4 de julho de 1855'."
O Dr.Timm menciona os testemunhos das irmãs Fox como "contraditórios" por que elas primeiro declararam que tudo não passou de uma farsa (1855), mas depois resolveram voltar atrás e falaram que as 'batidas misteriosas' eram genuinamente de origem sobrenatural.
Porém, segundo o teólogo Prof. Donald K. Keller, trinta anos depois de tudo ter começado, as irmãs Fox tornaram-se alcoólatras e no final de suas vidas declararam novamente que tudo não passou de uma farsa fabricada.
O fato é que existe hoje uma grande desconfiança sobre a veracidade dos supostos fenômenos observados no lar das irmãs Fox. É mais do que óbvio que os espíritas tenham um grande interesse de que eles sejam reconhecidos como genuínos, pois caso contrário terão que admitir que o seu movimento (o espiritismo moderno) nasceu de uma peça pregada por duas irmãs "malandrinhas".
Só acho muito estranho o Dr.Timm querer defender como correta a declaração de Ellen White, só por que os espíritas querem acreditar que foi um fenômeno autêntico. Será que alguém tem alguma dúvida dos interesses dos espíritas em sustentar a legitimidade destas batidas? Todo movimento espírita moderno teve origem ali. Seria muito constrangedor para eles ter que admitir que o seu movimento originou-se com uma farsa inventada por duas jovens que não tinham muito que fazer.
Na próxima postagem vamos analisar mais alguns textos de Ellen White com relação ao espiritismo moderno.
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terça-feira, 3 de maio de 2011
Ellen White e o Espiritismo Moderno (Parte 2)
por Cleiton Heredia
Em agosto de 1850, Ellen White alegou ter tido uma visão onde declara que foi lhe revelado por Deus que o fenômeno das "batidas misteriosas" na casa das irmãs Fox, marco inicial do espiritismo moderno, eram parte da obra de Satanás para enganar a humanidade nos últimos dias.
O conteúdo dessa visão foi publicado em 1851 no primeiro livro de Ellen White, intitulado "A Sketch of the Christian Experience and Views of Ellen G. White" (págs. 47 e 48), e republicado posteriormente nos livros Primeiros Escritos (págs. 59 e 60) e Vida e Ensinos (págs. 168-170). Leia o que ela escreveu:
"Em 24 de agosto de 1850, vi que as 'pancadas misteriosas' eram o poder de Satanás; parte delas procedia diretamente dele, e outra, indiretamente, mediante seus agentes, mas tudo provinha de Satanás, que executava sua obra de diferentes maneiras ... Vi que logo seria considerado blasfêmia falar contra as 'pancadas', que isso se espalharia mais e mais, que o poder de Satanás aumentaria ... Foi-me mostrado que, por essas pancadas e pelo magnetismo*, estes mágicos modernos procurariam ainda explicar todos os milagres operados por nosso Senhor Jesus Cristo, e que muitos creriam que todas as poderosas obras do Filho de Deus, realizadas quando esteve na Terra, foram executadas pelo mesmo poder." (negrito acrescentado).
* [Magnetismo é o mesmo que Mesmerismo. Para ler mais sobre isto clique aqui]
Bem, o problema é que em 1855, apenas cinco anos depois desta visão de Ellen White, as irmãs Kate e Margaret Fox admitiram publicamente que elas mesmas haviam causado as batidas misteriosas, sem qualquer envolvimento sobrenatural na questão. Uma outra versão diz que a autora da farsa era a irmã vinte anos mais velha (Leah Fox) que as enganava a princípio, mas que depois as angariou como co-autoras.
Seria muito interessante no sentido de fortalecer o ministério profético de Ellen White, se ela tivesse acertado "na mosca" afirmando cinco anos antes da confissão de fraude das irmãs Fox, que as tais 'pancadas misteriosas' eram meramente um truque forjado por elas próprias. Ellen White até poderia dizer que as irmãs Fox estavam sendo usadas pelo inimigo (o Diabo) para inventar toda aquela enganação, mas jamais poderia afirmar que parte daquelas 'batidas' tinham verdadeiramente uma origem sobrenatural, pois as próprias irmãs descartaram esta possibilidade.
Na próxima postagem vamos ver como a Igreja Adventista defende a exatidão dos registros de sua profetisa.
Em agosto de 1850, Ellen White alegou ter tido uma visão onde declara que foi lhe revelado por Deus que o fenômeno das "batidas misteriosas" na casa das irmãs Fox, marco inicial do espiritismo moderno, eram parte da obra de Satanás para enganar a humanidade nos últimos dias.
O conteúdo dessa visão foi publicado em 1851 no primeiro livro de Ellen White, intitulado "A Sketch of the Christian Experience and Views of Ellen G. White" (págs. 47 e 48), e republicado posteriormente nos livros Primeiros Escritos (págs. 59 e 60) e Vida e Ensinos (págs. 168-170). Leia o que ela escreveu:
"Em 24 de agosto de 1850, vi que as 'pancadas misteriosas' eram o poder de Satanás; parte delas procedia diretamente dele, e outra, indiretamente, mediante seus agentes, mas tudo provinha de Satanás, que executava sua obra de diferentes maneiras ... Vi que logo seria considerado blasfêmia falar contra as 'pancadas', que isso se espalharia mais e mais, que o poder de Satanás aumentaria ... Foi-me mostrado que, por essas pancadas e pelo magnetismo*, estes mágicos modernos procurariam ainda explicar todos os milagres operados por nosso Senhor Jesus Cristo, e que muitos creriam que todas as poderosas obras do Filho de Deus, realizadas quando esteve na Terra, foram executadas pelo mesmo poder." (negrito acrescentado).
* [Magnetismo é o mesmo que Mesmerismo. Para ler mais sobre isto clique aqui]
Bem, o problema é que em 1855, apenas cinco anos depois desta visão de Ellen White, as irmãs Kate e Margaret Fox admitiram publicamente que elas mesmas haviam causado as batidas misteriosas, sem qualquer envolvimento sobrenatural na questão. Uma outra versão diz que a autora da farsa era a irmã vinte anos mais velha (Leah Fox) que as enganava a princípio, mas que depois as angariou como co-autoras.
Seria muito interessante no sentido de fortalecer o ministério profético de Ellen White, se ela tivesse acertado "na mosca" afirmando cinco anos antes da confissão de fraude das irmãs Fox, que as tais 'pancadas misteriosas' eram meramente um truque forjado por elas próprias. Ellen White até poderia dizer que as irmãs Fox estavam sendo usadas pelo inimigo (o Diabo) para inventar toda aquela enganação, mas jamais poderia afirmar que parte daquelas 'batidas' tinham verdadeiramente uma origem sobrenatural, pois as próprias irmãs descartaram esta possibilidade.
Na próxima postagem vamos ver como a Igreja Adventista defende a exatidão dos registros de sua profetisa.
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segunda-feira, 2 de maio de 2011
Ellen White e o Espiritismo Moderno (Parte 1)
por Cleiton Heredia
O surgimento do espiritismo moderno nos Estados Unidos em 1847 foi praticamente concomitante ao grande reavivamento religioso protestante ocorrido na década de 1840 em vários estados norte americanos. Este reavivamento teve suas origens com as pregações de William (Guilherme) Miller em 1831 que anunciavam a breve volta de Jesus com base nos estudos que ele fez na Bíblia, mais precisamente nos livros de Daniel (Antigo Testamento) e Apocalipse (Novo Testamento).
Miller nunca estabeleceu uma data certa para a volta de Jesus, mas disse que com base na sua interpretação de Daniel 8:14, este evento ocorreria entre a primavera de 1843 e a primavera de 1844. Expirando este prazo, novos estudos foram feitos por seus seguidores, chegando-se a conclusão de que a data certa para a volta de Jesus seria 22 de outubro de 1844.
A esta altura este reavivamento religioso já havia se transformado em um grande movimento interdenominacional, conhecido como Millerismo ou Adventismo, e tinha se alastrado por praticamente todo território norte americano tornado-se uma verdadeira febre nacional. Por todos os lugares só se falava da iminente volta de Jesus.
Porém, a data chegou e Jesus não veio!
Uma grande parte das pessoas que participaram deste reavivamento ficou terrivelmente desapontada com o fato de Jesus não ter voltado e abandonaram o movimento. No entanto, um pequeno grupo continuou estudando em busca de maiores explicações, e após alguns ajustes na interpretação da profecia de Daniel, deram origem a Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Fiz toda esta introdução para contextualizar o surgimento de um dos mais importantes pioneiros do movimento Adventista Sabatista, considerado pelos seus adeptos como um verdadeiro profeta contemporâneo. Na verdade, uma profetisa chamada Ellen G. White. Ela fez parte do movimento Millerira e passou pelo grande desapontamento em 22 de outubro de 1844, quando na ocasião era apenas uma jovem de 17 anos de idade.
Em dezembro de 1844, Ellen White recebeu sua primeira de quase duas mil visões e sonhos. Tornou-se uma escritora promissora com mais de 5.000 artigos e 49 livros publicados. Mas hoje, incluindo compilações de seus manuscritos, são mais de 100 livros que estão disponíveis em inglês, e cerca de 70 em português. Ela é considerada a escritora mais traduzida em toda a história da literatura, sendo que sua obra-prima intitulada "Caminho à Cristo" (Steps to Christ) já foi publicada em cerca de 150 idiomas.
Na próxima postagem começarei a explicar qual é a ligação de antagonismo que Ellen White manteve toda a sua vida em relação ao espiritismo moderno.
O surgimento do espiritismo moderno nos Estados Unidos em 1847 foi praticamente concomitante ao grande reavivamento religioso protestante ocorrido na década de 1840 em vários estados norte americanos. Este reavivamento teve suas origens com as pregações de William (Guilherme) Miller em 1831 que anunciavam a breve volta de Jesus com base nos estudos que ele fez na Bíblia, mais precisamente nos livros de Daniel (Antigo Testamento) e Apocalipse (Novo Testamento).
Miller nunca estabeleceu uma data certa para a volta de Jesus, mas disse que com base na sua interpretação de Daniel 8:14, este evento ocorreria entre a primavera de 1843 e a primavera de 1844. Expirando este prazo, novos estudos foram feitos por seus seguidores, chegando-se a conclusão de que a data certa para a volta de Jesus seria 22 de outubro de 1844.
A esta altura este reavivamento religioso já havia se transformado em um grande movimento interdenominacional, conhecido como Millerismo ou Adventismo, e tinha se alastrado por praticamente todo território norte americano tornado-se uma verdadeira febre nacional. Por todos os lugares só se falava da iminente volta de Jesus.
Porém, a data chegou e Jesus não veio!
Uma grande parte das pessoas que participaram deste reavivamento ficou terrivelmente desapontada com o fato de Jesus não ter voltado e abandonaram o movimento. No entanto, um pequeno grupo continuou estudando em busca de maiores explicações, e após alguns ajustes na interpretação da profecia de Daniel, deram origem a Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Fiz toda esta introdução para contextualizar o surgimento de um dos mais importantes pioneiros do movimento Adventista Sabatista, considerado pelos seus adeptos como um verdadeiro profeta contemporâneo. Na verdade, uma profetisa chamada Ellen G. White. Ela fez parte do movimento Millerira e passou pelo grande desapontamento em 22 de outubro de 1844, quando na ocasião era apenas uma jovem de 17 anos de idade.
Em dezembro de 1844, Ellen White recebeu sua primeira de quase duas mil visões e sonhos. Tornou-se uma escritora promissora com mais de 5.000 artigos e 49 livros publicados. Mas hoje, incluindo compilações de seus manuscritos, são mais de 100 livros que estão disponíveis em inglês, e cerca de 70 em português. Ela é considerada a escritora mais traduzida em toda a história da literatura, sendo que sua obra-prima intitulada "Caminho à Cristo" (Steps to Christ) já foi publicada em cerca de 150 idiomas.
Na próxima postagem começarei a explicar qual é a ligação de antagonismo que Ellen White manteve toda a sua vida em relação ao espiritismo moderno.
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Cleiton Heredia
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